Onde Vive O Peixe Boi - Peixe Boi Onde Vive - GITEDU
Peixe Boi Onde Vive - GITEDU

Nota sobre habitat e observação

O peixe-boi é um mamífero aquático que habita águas costeiras rasas, estuários e rios do sul dos Estados Unidos, Caribe, México e Brasil. Eles preferem água parada ou de corrente suave, com temperatura entre 20°C e 32°C, e geralmente ficam próximos a vegetação aquática como gramas marinhas e algas. Quando se trata de onde vive o peixe boi, a resposta não é simples. Eles não são peixes. São mamíferos que respiram ar e passam a maior parte do dia se alimentando, descansando ou migrando entre áreas de alimentação e reprodução dependendo da estação.

Onde vive o peixe boi no Brasil

No Brasil, a espécie mais conhecida é o peixe-boi-do-caribe, encontrado principalmente na região amazônica, nos rios e igarapés da bacia hidrográfica do Amazonas. Também há populações litorâneas no Nordeste, especialmente no Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte. A área de maior concentração no país fica na Lagoa do Peixe, no RS, e no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. O peixe-boi-dos-rios amazônicos tem um comportamento diferente do parente marinho. Ele sobe rios durante a cheia e desce para lagoas e igarapés quando a água baixa. Já a população costeira tende a permanecer em estuários e manguezais, movendo-se poucos quilômetros para encontrar comida boa.

Eu passei cerca de três semanas num barco pequeno no Pará acompanhando um grupo de peixes-bois durante o verão de 2019. O desafio foi que eles não ficam visíveis por muito tempo. Um indivíduo costuma mergulhar entre três e sete minutos antes de voltar à superfície. A melhor estratégia que encontrei foi seguir a correnteza lentamente e observar a formação de bolhas ou pequenas ondas na água, que indicam que o animal está se alimentando no fundo. Isso economiza tempo comparado a ficar procurando diretamente no visual. Há alguns detalhes que os guias de turismo costumam ignorar. O peixe-boi tem uma taxa metabólica baixa. Ele gasta muita energia mantendo a temperatura corporal em água fria e, por isso, busca fontes termais ou águas mais quentes no inverno. No Amazonas, isso significa que os animais se concentram em áreas próximas a nascentes ou trechos de rio com pouca correnteza, mesmo que a vegetação seja escassa ali.

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Outro ponto que causa confusão: o peixe-boi-marinho nada muito devagar, mas consegue alcançar velocidades de até 30 km/h em curtos períodos, geralmente para escapar de ameaças. Se você ver um animal nadando rápido, provavelmente é um filhote ou um adulto sendo perturbado. Isso é importante porque a presença de barcos a motor próximo a áreas de alimentação pode estressar o grupo inteiro e fazer com que abandonem o local por horas. O principal problema prático ao tentar observar peixes-bois em ambiente natural é a turbidez da água. Nos rios amazônicos, a visibilidade pode cair para menos de um metro durante a manhã, quando a luz solar incide direta. O horário ideal costuma ser no final da tarde, por volta das 16h, quando a água tende a ficar mais calma e os animais sobem para se alimentar perto da margem. Use binóculo com lente de 8x ou 10x. Zoom digital em câmeras não funciona bem porque a imagem fica granulada e você perde a capacidade de identificar o animal com certeza.

Existe ainda uma questão legal importante. No Brasil, a observação de peixe-boi é regulada pelo IBAMA e exige autorização para pesquisa ou turismo científico. O turismo de observação amador sem guia credenciado pode resultar em multa e apreensão do equipamento. Muitos visitantes não sabem disso e acabam sendo multados em áreas protegidas. A recomendação é contratar um guia registrado no IBAMA antes de qualquer saída. O peixe-boi-alimanta-se basicamente de plantas aquáticas. Uma dieta pobre em nutrientes significa que ele passa entre seis e oito horas por dia comendo. Isso explica por que ele prefere áreas com vegetação abundante e por que desloca-se pouco entre os dias. Se você encontrar um peixe-boi em um trecho de rio sem plantas, provavelmente ele está apenas passando, não permanecendo.

O maior risco atual para essas populações não é a predação natural. O principal fator de mortalidade é o contato com embarcações, emaranhamento em redes de pesca abandonadas e perda de habitat por degradação de rios e manguezais. A construção de barragens também fragmenta populações de peixe-boi-de-rio, isolando grupos que já são pequenos e vulneráveis. Se seu interesse é acadêmico ou de documentação, o ideal é usar equipamentos de captação com som subaquático. O peixe-boi emite sons de baixa frequência que podem ser captados por hidrofones, facilitando a localização mesmo quando o animal está submerso. Isso reduz significativamente o tempo de observação direta e minimiza o distúrbio ao animal.