o que ou o que para pergunta: a distinção que todo mundo erra
A confusão entre oque e o que acontece porque a pronúncia em português falado é idêntica. Na escrita, porém, a diferença é estrutural e afeta diretamente a gramática da frase. A regra básica é simples: oque não existe como forma isolada. O correto é sempre o que, separado, quando se trata de pronome interrogativo ou relativo. Tem um detalhe que as gramáticas formais não enfatizam muito. Quando "o que" funciona como sujeito ou complemento de uma oração, ele pode ser substituído por "aquilo que" ou "aquilo quê". Isso ajuda a testar se a separação está correta. Se a substituição funciona, o uso de "o que" separado é o adequado.
oque ou o que para pergunta: como decidir na prática
Pra responder a pergunta do título, depende inteiramente da função sintática. "O que" separado serve como pronome interrogativo ("O que você quer?"), pronome relativo ("O que eu disse foi verdade") e até parte de expressões fixas ("O que é que..."). "Oque" não é uma palavra válida no vocábulo padrão da língua portuguesa. Qualquer dicionário sério vai confirmar isso. O problema é que os falantes brasileiros assimilam o "o" ao "que" na fala rápida, e essa fusão acaba sendo reproduzida em mensagens de WhatsApp, e-mails profissionais e redações escolares. Eu já vi relatórios técnicos com "oque" escrito como se fosse uma palavra legítima, e o efeito é péssimo na impressão que passa. Não é só uma questão de pontualidade ortográfica, é credibilidade profissional.
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Um caso mais complicadinho que eu encontrei na prática envolve a construção "é o que". Muita gente escreve "é oque" achando que é uma expressão fixa. Não é. "É o que" sempre vai separado. Já passei por revisão de texto onde um autor insistia em usar a forma junta em frases como "Isso é o que eu precisava". A forma correta, invariavelmente, é com espaço. Outra situação que gera dúvida é quando "o que" aparece após preposição. "Sobre o que você falou?" ou "Do que você precisa?" — o espaço continua sendo obrigatório. A preposição não muda nada na separação. Tem gente que pensa que "de + o que" poderia se fundir em "doque", mas isso também não existe. "Doque" seria a contração de "de" + "o que" apenas em casos muito específicos de língua arcaica, nada com o português contemporâneo.
A única exceção real, e aqui vai algo que quase ninguém sabe, é o uso de "o quê" com acento circunflexo quando vem no final de frase ou antes de pausa forte: "Foi isso que eu disse, o quê?" Nesse caso, o acento diferencia o pronome da interjeição. Mas o espaço continua lá. Sempre espaço. Se você quiser eliminar esse erro da sua escrita, a melhor estratégia é treinar a releitura em voz alta. A assimilação fonética que causa a confusão só aparece na leitura mental. Quando você fala a frase, o ouvido percebe o hiato entre "o" e "que" com mais clareza. Eu faço isso com qualquer texto importante e já consegui reduzir erros desse tipo pela raiz em praticamente todos os documentos que reviso.