Os Estados Do Pará Roraima E Rondônia Pertence Ao Bioma - Os Estados Do Pará Roraima E Rondônia Pertence Ao Bioma — KERUSSO
Os Estados Do Pará Roraima E Rondônia Pertence Ao Bioma — KERUSSO

Onde ficam esses estados e o que define o bioma ali

Os estados do Pará, Roraima e Rondônia pertencem ao bioma Amazônia, mas a resposta curta é só o começo. Na prática, o que você encontra no campo é bem diferente de um mapa colorido da IBGE. Cada estado tem áreas de transição que confundem até quem trabalha com zoneamento ambiental há anos. O Pará é o maior, e isso importa porque o bioma amazônico lá se mistura com o Cerrado no sul e com a Mata Atlântica em trechos costeiros. Roraima é mais homogêneo — a floresta tropical domina quase tudo, com alguns remanescentes de campo rupestre nas elevações da serra. Rondônia é o caso mais complicado: metade norte é floresta amazônica, metade sul é Cerrado bem fragmentado, e ainda tem ilha de vegetação ribeirinha ao longo dos rios.

Os estados do Pará, Roraima e Rondônia pertence ao bioma

A pergunta aparece todo dia em fóruns e reuniões de licenciamento. A resposta direta é Amazônia. Mas se você precisa saber isso para um laudo técnico, um PIDA ou um estudo de impacto, a coisa muda. Vou explicar como funciona na prática, porque eu já passei por isso e sei onde a armadilha está. O problema real é a fronteira entre biomas. Quando eu trabalhava em um mapeamento de uso do solo no sul do Pará, perto de Marabá, o sensoramento orbitais indicava cobertura florestal em quase tudo. Mas no solo, o que Existia eram capoeiras altas e cerradões, não floresta ombrófila densa. O bioma tecnicamente continuava sendo Amazônia, mas a formação vegetal era outra. Para fins de APP e reserva legal, isso faz diferença enorme.

No caso de Rondônia, o decreto federal 6.926/2009 definiu os limites do bioma, mas a realidade no terreno é que muitas propriedades têm dois biomas diferentes. Eu já vi um único imóvel rural com CLA (Cerrado) no sul e floresta no norte, e o proprietário tendo que lidar com duas exigências de APP completamente distintas no mesmo registro. O workaround que eu uso é simples: peça ao proprietário os mapas de cobertura vegetal atualizada do ITERRA ou do INCRA, não confie só no mapa do bioma. Eles mostram a fragmentação real. Para Roraima, a situação é mais tranquila. Quase todo o estado é Amazônia, mas os campos naturais nas serras de Roraima e Bonfim têm legislação específica. Eles não são floresta, então as regras de supressão vegetal mudam. Se você está preparando um relatório ambiental lá, trate essas áreas como exceção, não como regra.

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Pitfall comum que ninguém menciona: muitos consultores usam o mapa do bioma da IBGE como fonte única, e ele tem resolução muito baixa para pequenos imóveis. Eu recomendo cruzar com a imagem de satélite do MapBiomas (versão mais recente disponível) para ver a cobertura real. Isso evita erros de classificação que geram autuações na fiscalização. Eu já vi um escritório inteiro levar advertência porque o laudo dizia "Cerrado" onde o MapBiomas mostrava floresta em regeneração há 15 anos. Outro ponto contra-intuitivo: o bioma não define automaticamente o tipo de vegetation. A Amazônia abriga desde floresta ombrófila densa até campinaranas, igapós e matas de várzea. Cada uma tem regime de proteção diferente. Se o seu trabalho é licenciamento, identifique a formação vegetal antes de classificar o bioma. O contrário também funciona — às vezes a formação vegetal determina qual bioma se aplica em áreas de disputa.

Limitações que precisam ser ditas: a classificação do bioma por estado é uma simplificação útil para estatísticas, mas inútil para decisão técnica em escala de propriedade. O bioma Amazônia cobre 60% do Brasil, mas dentro dele existem ecotonos onde a fronteira com o Cerrado e a Mata Atlântica é borrada. Em Rondônia, esse borrão é especialmente problemático porque o desmatamento histórico já removeu grande parte da vegetação original, deixando mosaicos que não se encaixam em nenhuma classificação limpa. Se você precisa de uma fonte oficial para citações em documentos, use o PPBio (Programa de Pesagens em Biodiversidade) e o INPA para dados de cobertura. Para mapeamento operacional, o MapBiomas (mapbiomas.org) tem coleções anuais atualizadas. O FLUX (Global Forest Watch) também é bom para monitorar perda recente. Nenhuma dessas ferramentas é perfeita, mas juntas elas cobrem as lacunas de cada uma isoladamente.

O que eu aprendi na prática é que a resposta "pertence ao bioma Amazônia" está correta, mas é como dizer que o Brasil está na América do Sul. Verdadeiro, mas sem utilidade prática imediata. O trabalho real começa quando você descobre qual formação vegetal existe em cada hectare, onde estão os ecotonos e como a legislação trata cada um deles.