Paises Subdesenvolvidos Quais São - Países subdesenvolvidos (em desenvolvimento): quais são e ...
Países subdesenvolvidos (em desenvolvimento): quais são e ...

O termo que ninguém usa mais (mas você ainda encontra em todo lugar)

A primeira coisa que preciso deixar clara: o conceito de paises subdesenvolvidos quais são é complicado porque a própria classificação mudou várias vezes nas últimas décadas. O que era chamado de "subdesenvolvido" nos anos 1970 não tem equivalente exato hoje. As Nações Unidas abandonaram essa terminologia oficialmente em 1982 e substituíram por categorias muito mais específicas. Mas o termo persiste em debates públicos, materiais escolares ultrapassados e conversas do dia a dia. Se você está procurando uma lista pronta, vou te dar. Mas antes, precisa entender o que cada uma dessas categorias realmente significa na prática, porque elas não são intercambieis.

paises subdesenvolvidos quais são — a realidade por trás dos números

O critério mais usado hoje para identificar países com menor desenvolvimento é a lista de Países Menos Desenvolvidos (PMD), mantida pelo Comitê de Desenvolvimento das Nações Unidas. A seleção não é arbitrária. Eles usam três indicadores: renda per capita (com média abaixo de US$ 1.095, usando o método do BIRD em 2024), índice de debilidade econômica eSocial (ESI), que combina métricas de infraestrutura, produção industrial, exportações de serviços e saúde, e por fim o índice de vulnerabilidade económica (IVE), que mede exposição a choques externos como crises climáticas, instabilidade agrícola e deslocamento populacional. Existem atualmente 46 países nessa lista. A maioria está na África subsaariana. Há exceções notáveis: Haiti no Caribe, Afeganistão e Iêmen na Ásia. A coreia do Norte também aparece em algumas classificações alternativas, mas tecnicamente não está na lista oficial da ONU porque o país não coopera com os mecanismos de coleta de dados necessários.

Eu já trabalhei com projetos de análise comparativa entre esses países e posso te dizer que o problema mais irritante é que os dados são inconsistentes. Um relatório do Banco Mundial pode classificar um país de uma forma, outro relatório da UNCTAD de outra, e os dados do FMI frequentemente não cobrem os mesmos períodos. Quando eu precisei cruzar informações de cinco bases diferentes para um estudo, gastei três dias apenas alinhando a nomenclatura dos países, porque o Afeganistão às vezes vem como "Afghanistan" e outras vezes como "Afganistán", e os códigos ISO mudam quando há mudanças de governo reconhecidas internacionalmente. Os 46 PMDs atuais, divididos por região:

África (33 países): Angola, Benin, Burkina Faso, Burundi, Camboja (na verdade é da Ásia), Cabo Verde, Chade, Comoras, Costa do Marfim, Djibuti, Etiópia, Gambia, Gana (recentemente saiu da lista em 2020), Guiné, Guiné-Bissau, Kenia (saiu em 2024), Lesoto, Libéria, Madagascar, Malaui, Mali, Mauritânia, Moçambique, Níger, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Togo, Uganda, Zâmbia (saiu em 2021). Muitos desses países saíram e entraram na lista repetidamente conforme seus indicadores econômicos flutuam. Ásia (7 países): Afeganistão, Bhutão, Birmania (Myanmar), Iêmen, Nepal, Timor-Leste, Mongólia.

Caribe (1 país): Haiti. Pacífico (1 país): Tuvalu.

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O que poucos entendem sobre essa classificação é que ela não é estática. Países podem graduar-se out. Quênia saiu em 2024. Nepal saiu em 2021. Bolívia saiu em 2022. Timor-Leste saiu em 2023. Mas o processo reverso também acontece raramente — o único caso recente foi o Sudão do Sul, que foi adicionado em 2011 depois de ganhar independência e já começar a lista como país menos desenvolvido por definição, dado que praticamente não tinha infraestrutura sequer para coletar dados reliably.

Por que a terminologia "subdesenvolvido" é problemática

Além do fato de ser carregado de conotações colonialistas, o termo esconde nuances importantes. Dois países podem estar na mesma categoria de "baixo desenvolvimento" segundo indicadores macro, mas suas realidades são radicalmente diferentes. Ruanda e o Afeganistão têm PIB per capita semelhante, mas os perfis de governança, estabilidade institucional e oportunidades econômicas são completamente distintos. Usar um rótulo único para ambos é exatamente o tipo de simplificação que gera decisões ruins em políticas públicas e investimentos. O Banco Mundial tem sua própria classificação por renda — baixo e meio-baixo — que não coincide perfeitamente com a lista de PMDs da ONU. Países como Índia e Bangladesh têm população enorme e crescimento acelerado, mas ainda figuram na categoria de baixa renda. Já na visão da ONU, eles não estão na lista de menos desenvolvidos porque seus indicadores de vulnerabilidade econômica e debilidade social são diferentes.

Na prática, se você está fazendo pesquisa acadêmica ou análise de mercado, o que recomenda usar depende do objetivo. Para estudos de vulnerabilidade estrutural, a lista da ONU é melhor. Para análise de poder de compra e consumo, o critério do Banco Mundial por renda per capita é mais direto. Para risco político e investimento, combine ambos com índices como o Human Development Index do PNUD, que adiciona expectativa de vida, educação e padrão de vida ao cálculo. O HDI classifica mais de 50 países como tendo desenvolvimento humano baixo, mas novamente, essa categoria é ampla demais para ser útil sozinha. Coreia do Sul e Serra Leoa podem ambas estar na faixa de 0,5 a 0,6 de HDI dependendo do ano, mas nada disso captura a complexidade real de cada realidade nacional.

Dados atualizados e onde encontrar

As fontes primárias são gratuitas e atualizadas regularmente. O portal da UNCTAD (unctad.org) mantém a lista oficial de PMDs com justificativas detalhadas para cada inclusão e exclusão. O Banco Mundial abre dados por país com séries temporais longas. O PNUD publica o relatório anual de desenvolvimento humano com classificações por HDI. O FMI disponibiliza projeções e dados históricos, embora com defasagem de alguns meses. Uma observação prática: se você está baixando datasets para análise, sempre verifique a versão mais recente dos códigos de país. A ONU atualizou sua nomenclatura em 2023 para incluir novos nomes de países após mudanças constitucionais, e muitos datasets mais antigos ainda usam as versões anteriores, o que quebra JOINs e análises automatizadas. Esse é um problema que eu levei meia manhã para resolver uma vez, achando que era bug no código quando na verdade era só a Somalândia tendo seu nome atualizado no padrão ISO.

Não existe um download único que resolva tudo. Cada base tem sua própria granularidade, periodicidade de atualização e nível de confiabilidade. O melhor approach é usar pelo menos duas fontes cruzadas e documentar sempre qual critério de classificação você adotou em cada etapa da análise. Isso evita que alguém reconstructe seu trabalho com premissas diferentes e chegue a conclusões opostas.