Como lidar com palavras que têm til na prática
A maioria das pessoas subestima o til quando começa a trabalhar com processamento de texto em português. Você acha que é só um detalhe de formatação e aí se depara com um bug há duas horas sem conseguir achar o erro. O problema real não é o til em si, mas como ele interage com regex, normalização de strings e comparação de dados. Uma coisa que eu descobri na marra: a função unicodedata.normalize('NFD', texto) em Python remove o til e converte ã em a + combining tilde. Isso parece útil no início, mas gera problemas sérios se você não entender o que está acontecendo. O caractere perde a identidade e comparações diretas começam a falhar de formas estranhas.
O que você precisa saber sobre palavras com til
O til em português aparece principalmente nas vogais ã e õ, e indica nasalização. Não é um acento decorativo — ele muda o som da palavra. Isso importa quando você está fazendo busca textual, indexação ou qualquer coisa que envolva matching de strings. Em 2019, eu lidava com um sistema de cadastro de clientes que pedia para normalizar nomes antes de salvar no banco. Nomes como "SÃO PAULO" e "SANTO ANDRÉ" iam para o banco em formas diferentes dependendo de como o dado entrava. A versão com til era tratada como um caractere diferente da versão sem. O resultado eram duplicações de registro que não apareciam nas buscas normais. Eu passei uma semana inteira caçando esse bug antes de descobrir que o problema era a normalização inconsistente entre o formulário web e o script de importação que rodava à noite.
A solução que funcionou foi criar uma camada de normalização única no modelo de dados, usando NFD + remoção dos combinadores, e aplicar isso em todos os pontos de entrada. Feito isso, a taxa de duplicação caiu de cerca de 8% para 0,3% — os 0,3% restantes eram nomes estrangeiros que não deveriam ter o til removido de qualquer forma.
Workarounds que realmente funcionam
Se você precisa remover o til de forma confiável, o caminho mais seguro em Python é: import unicodedata
texto_normalizado = unicodedata.normalize('NFD', texto).encode('ASCII', 'ignore').decode('ASCII')
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Isso converte o til em seu componente combinatório e depois descarta tudo que não é ASCII puro. O resultado de "maçã" vira "maca", "Pernambuco" vira "Pernambuco", e por aí vai. Em JavaScript, a abordagem equivalente seria usar String.prototype.normalize('NFD') combinado com um regex que remove os acentos: texto.normalize('NFD').replace(/[\u0300-\u036f]/g, ''). Funciona, mas tem uma armadilha. Caracteres como ç (c cedilha) não são removidos por esse regex, então se você está tentando normalizar texto completo, precisa tratar o cedilha separadamente.
No geral, lidar com palavras com til em pipeline de dados custa entre 5 e 15 minutos extras por job de normalização, dependendo do volume. Para datasets pequenos, nem vale a pena otimizar. Para arquivos com mais de 50 mil registros, vale a pena estruturar bem desde o início, senão você gasta dias corrigindo dados errados.
Quando NÃO remover o til
Tem situação em que remover o til é erro. Títulos de obras, nomes próprios de empresas, endereços oficiais e documentos legais precisam manter a grafia correta. Eu vi uma empresa importar registros do CNPJ e normalizar tudo, transformando "Bancada do Til" em "Bancada do Til" — o nome da empresa sumiu do resultado da busca porque o índice não correspondia mais à forma registrada. Se o seu objetivo é indexação para busca, o ideal é manter o texto original intacto e criar um campo separado apenas para busca, onde a versão normalizada vive. Assim você ganha a tolerância a acentos sem perder a precisão na exibição.
Existem ferramentas online que fazem essa conversão automaticamente, mas eu desconfio de qualquer serviço que peça para você colar dados sensíveis. Prefiro rodar um script local em menos de dois minutos do que confiar dados de clientes em site aleatório na internet.
Resumo prático
O til é um personagem problemático principalmente porque as bibliotecas não tratam ele de forma consistente. O que resolve na maioria dos casos é: entender qual forma de normalização sua stack espera, testar com os dados reais que vão entrar no sistema, e nunca assumir que "funcionou" só porque um teste simples passou. O mundo real sempre encontra o caso de borda que você não previu.