Exercícios de Permutação com Repetição | PDF | Permutação | Combinatória
Como resolver permutação com repetição de verdade
O erro mais comum que eu vejo em exercícios de permutação com repetição não é matemático, é de leitura. A pessoa começa a substituir números na fórmula P = n! / (n1! × n2! × ... × nk!) sem verificar se o problema realmente pede isso. Você já viu gente aplicar permutação com repetição em problemas de arranjo porque o enunciado tinha letras repetidas. Não funciona assim.
A definição técnica é simples: dado um conjunto de n elementos onde certos elementos se repetem, a permutação com repetição conta as disposições distintas possíveis quando a ordem importa e há objetos indistinguíveis entre si. A fórmula é P = n! / (p1! × p2! × ... × pk!), onde p1, p2 até pk são as quantidades de cada elemento que se repete.
Permutação com repetição exercicios: o que realmente cai
Os exercícios padrão geralmente giram em torno de três tipos. O primeiro é o mais direto: anagramas de palavras com letras repetidas. Exemplo clássico, quantos anagramas tem a palavra BANANA. São 6 letras no total, com 3 A's e 2 N's. O cálculo é 6! / (3! × 2!) = 720 / 12 = 60. Isso você provavelmente já sabe.
O segundo tipo envolve disposição de pessoas ou objetos onde alguns são idênticos. Aqui começa a ficar interessante. Imagine que você tem 5 funcionários para sentar em uma fileira de cinco cadeiras, mas dois deles usam uniforme idêntico e precisam ficar juntos. A solução exige combinar duas ideias: tratar os dois como um bloco único, calcular as permutações do bloco e depois ajustar pela repetição dentro dele. Eu vi muita gente errar isso nas provas porque pulava a etapa de verificar se a restrição de proximidade mudava o contador n.
O terceiro tipo é o que causa mais confusão: exercícios que parecem ser permutação com repetição mas são combinação com repetição na verdade. A diferença é se a ordem dos elementos selecionados faz distinção. Se faz, vai de permutação. Se não faz, vai de combinação. Eu já vi candidato gabaritar tudo errado numa banca porque confundiu os dois conceitos em questões de loteria combinatória.
Um caso que eu levei na cola
Eu passei por um problema específico numa revisão de prova interna que era sobre dispor 8 cartas de baralho em fila, sendo que havia 2 ases de espadas idênticos, 2 reois de copas idênticos e as outras 4 cartas distintas. A tentação era aplicar direto 8! / (2! × 2!) = 10080. Mas o enunciado dizia também que os dois ases deviam ficar em posições consecutivas. Se você aplicar a fórmula cegamente, ignora essa restrição e o resultado sai errado.
A correção que eu usei foi tratar o par de ases como um único elemento. Aí passo a passo ficou assim:
- Reduzi o problema para 7 elementos (os dois ases viraram um bloco B), com repetição de 2 reis idênticos.
- Calculei as permutações do bloco: 7! / 2! = 2520.
- Dentro do bloco B, os dois ases são idênticos, então não há troca interna. Se tivessem sido ases de naipes diferentes, aí sim multiplicaria por 2!.
- Resultado final: 2520 disposições válidas.
Sem esse ajuste, a resposta certa seria rejeitada. O engano acontece porque a fórmula padrão de permutação com repetição não lida com restrições de posicionamento. Ela só compensa a indistinguibilidade entre elementos iguais. Quando aparece uma condição extra, você precisa reformular o conjunto antes de aplicar a fórmula.
Insights que ninguém ensina no curso introdutório
Primeiro ponto que pouca gente leva a sério: a fórmula só funciona quando todos os elementos de repetição são permutáveis entre si. Se você tem três bolas vermelhas idênticas e duas azuis idênticas, tudo bem. Mas se as três bolas vermelhas têm textura diferente, mesmo que a cor seja a mesma, elas não são indistinguíveis e a fórmula cai por terra. Eu já vi isso acontecer em problemas de probabilidade com físicos, onde a repetição é apenas visual, não funcional.
Segundo ponto: quando o denominador cresce demais, o fatorial reverso pode gerar erros de arredondamento se você usar calculadora de poucos dígitos. Por exemplo, em problemas com 15 elementos e 5 repetições de 3, você calcula 15! / (3!)^5. O resultado exato é 329.676.240. Se sua calculadora trabalha com notação científica truncada, pode retornar algo como 3.29 × 10^8 e você perde precisão. O workaround mais seguro é fatorar tudo antes de multiplicar, cancelando termos comuns no numerador e denominador. No caso acima, divide-se 15! por 6 cinco vezes, passo a passo, em vez de calcular os fatorais inteiros.
Erros frequentes e como evitar
Muita gente aplica a fórmula quando deveria usar arranjo. A diferença é simples: arranjo leva em conta a seleção de apenas k elementos de um total n, enquanto permutação trabalha com todos os elementos. Se o exercício pede formar sequências de 4 letras a partir de uma palavra de 7 letras com repetidas, você precisa primeiro decidir quais 4 letras vão entrar, depois permutá-las. Não adianta jogar a palavra inteira na fórmula.
Outro erro clássico é duplicar a contagem de repetições. Se a palavra TEMPO tem todas as letras distintas, algumas pessoas ainda dividem por fatores que não existem, achando que precisam "compensar" algo. A divisão por fatoriais só existe quando há repetição real de elementos idênticos. Se não há, o denominador é 1 e a fórmula vira n!.
Resumo prático para resolver qualquer exercício
Antes de começar a calcular, responda três perguntas em voz alta. A primeira é se a ordem dos elementos diferencia o resultado. Se sim, vai de permutação. Se for só agrupar, vai de combinação. A segunda pergunta é se todos os elementos estão sendo usados. Se a questão pede subconjuntos, não é permutação pura. A terceira é se existem elementos indistinguíveis. Só aí você aplica a divisão por fatoriais no denominador.
Se houver restrições de posição, como elementos que devem ficar juntos ou separados, trate esses elementos como blocos antes de aplicar qualquer fórmula. Reduza o conjunto, calcule as permutações do novo conjunto e depois multiplique pelas permutações internas de cada bloco, se aplicável.
Os exercícios mais confiáveis para treinar esse raciocínio são aqueles que misturam as três etapas: identificação do tipo de contagem, ajuste por repetição e ajuste por restrição. Quando você domina esse fluxo, o tempo para resolver um problema desses cai de cerca de 8 minutos para 2 minutos, dependendo da complexidade.