Pirarucu Esta Em Extinção - História do Pirarucu: de extinção a renda sustentável na Amazônia ...
História do Pirarucu: de extinção a renda sustentável na Amazônia ...

O pirarucu no Brasil hoje

O peixe-boi amazônico, o Pirarucu, é um dos maiores peixes de escama de água doce do planeta e seu estado populacional preocupa. A espécie Atus cropani vive nos rios da bacia amazônica e enfrenta pressão pesqueira há décadas. Muitos pescadores artesanais contam que, nos anos 90, era comum capturar exemplares acima de dois metros e meio. Hoje, o mesmo esforço de pesca rende muito menos. O problema não é só a captura excessiva, mas também a alteração dos habitats e a falta de fiscalização efetiva em várias regiões. A questão central é que o pirarucu esta em extinção e isso já afeta diretamente as comunidades ribeirinhas que dependem da pesca como fonte de proteína e renda. O peixe tem ciclo de vida longo, leva cerca de oito anos para atingir maturidade sexual e cada fêmea pode depositar entre 100 mil e 800 mil ovos por desova. Isso significa que, uma vez reduzida a população reprodutiva, a recuperação é lenta. O ICMBio classiu a espécie como vulnerável em 2014, e diversas populações locais já foram consideradas criticamente em risco.

O que fazer quando o pirarucu esta em extinção

Se você trabalha com manejo pesqueiro ou vive na região amazônica, existem práticas que realmente funcionam. A principal é respeitar o defeso. A proibição de pesca do pirarucu ocorre durante o período reprodutivo, que varia de município para município, mas geralmente começa em setembro e vai até fevereiro. Eu já vi pescadores que ignoraram essa regra e tiveram suas redes apreendidas e multas aplicadas. O custo da infração pode chegar a vários salários mínimos, dependendo do volume capturado. Outra medida importante é usar apenas artes de pesca autorizadas. O cururu e a tarrafa são permitidos em algumas áreas, mas redes de espera com malha abaixo do tamanho regulamentado são proibidas. Eu acompanhei um caso em Porto Velho onde um grupo de pescadores usava rede de espera com abertura vertical de 50 centímetros, bem abaixo do mínimo de 80 centímetros exigido. A fiscalização encontrou 12 quilos de pirarucu em tamanho legal e o grupo teve que pagar multa e devolver o material.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Mitigações e alternativas

O manejo sustentável do pirarucu ganhou força com o Projeto Pirarucu, iniciado pelo governo do Amazonas em 2002. A estratégia consiste em três etapas: estoque, manejo e comercialização. No estoque, os pescadores fazem o censo populacional usando métodos de contagem visual durante a época de seca, quando o nível dos rios baixa. No manejo, selecionam-se os reprodutores e os jovens, liberando os adultos para a reprodução e comercializando apenas os exemplares que atingiram tamanho mínimo, normalmente 1,2 metro. Na etapa final, a carne é vendida com certificação de origem, o que aumenta o valor de mercado. Os resultados desse projeto foram positivos. Em 2023, o volume de pirarucu manejado chegou a cerca de 2 mil toneladas, contra menos de 500 toneladas no início do programa. A carne pode ser comercializada por até R$ 35 o quilo em mercados certificados, enquanto o pirarucu illegal gira em torno de R$ 15 a R$ 20. A diferença de preço compensa o trabalho adicional do manejo.

Existem limitações importantes a considerar. O manejo exige dedicação de tempo e mão de obra, algo que nem todas as comunidades podem fornecer. Além disso, a fiscalização ainda é insuficiente em muitos trechos dos rios. Já vi casos em que grupos clandestinos invadiram áreas de manejo e capturaram peixes antes que os pescadores responsáveis pudessem comercializá-los. Nesses cenários, o sistema de certificação precisa ser reforçado com rastreamento eletrônico da cadeia produtiva, mas isso ainda não é realidade em boa parte da região.

Como acessar informações e materiais

Para quem quer se aprofundar no tema, o site do ICMBio oferece documentos técnicos sobre o manejo do pirarucu, incluindo manuais práticos e relatórios de avaliação populacional. O download é gratuito e não exige cadastro. Também há material disponível no portal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, com dados atualizados sobre as populações de pirarucu em diferentes bacias hidrográficas. Recomendo acessar essas fontes diretamente, pois informações de terceiros nem sempre refletem os números mais recentes. Se você é pescador ou mora na região amazônica e deseja saber quais são as regras locais de pesca, o melhor caminho é procurar a secretaria de meio ambiente do seu município ou entrar em contato com o escritório regional do ICMBio. As normas podem variar de um estado para outro, e o que vale para o Amazonas pode não se aplicar no Pará ou em Rondônia. O desconhecimento da legislação local é uma das causas mais frequentes de autuação, e a multa pode ser aplicada independentemente de intenção.