Como formar o plural de arranha-céu: a regra prática
O plural correto é arranha-céus, com o "s" apenas no segundo elemento. Isso segue a mesma lógica que praça-publica vira praças-públicas, mas aqui há uma particularidade que confunde muita gente: como "arranha-céu" é uma palavra composta por dois substantivos ligados por hífen, só o segundo elemento recebe o plural.
O plural de arranha ceu: a regra dos compostos substantivo-substantivo
A Regra Ortográfica de 1990 consolidou o uso do hífen em compostos como esse. Mas a formação do plural veio antes disso e segue uma lógica que o próprio nome já sugere: cada parte da palavra se comporta como um substantivo independente. Quando ambos os componentes são substantivos, ambos precisam ir para o plural — no caso de "arranha-céu", a primeira parte permanece invariável porque é um verbo conjugado na terceira pessoa do singular ("ele arranha"), e a segunda parte, que é o substantivo "céu", é que se pluraliza. Então fica: arranha-céus.
O erro mais comum que eu vejo em revisões de publicação técnica é alguém escrever "arranha-céus" com acento no "u" do final, como se fosse um ditongo. Não é. O acento circunflexo no "éu" do singular permanece, e o "s" só entra depois, sem alterar a grafia do segundo termo. Já perdi tempo demais corrigindo isso em textos de arquitetura.
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Por que isso não é óbvio
O problema é que "arranha-céu" parece, pela aparência, um composto verbo-substantivo. E em muitos compostos desse tipo, a regra é diferente. "Salva-vidas" vira "salva-vidas" (invariável). "Banho-maria" vira "banhos-maria". A coisa fica estranha rápido. O que diferencia "arranha-céu" é que, etimologicamente, ele é um composto substantivo-substantivo onde o primeiro elemento funciona como um substantivo derivado de verbo. A estrutura interna é diferente. O "arranha" não é um verbo flexionado no sentido gramatical direto; é um morfema substantivado. Por isso a flexão recai apenas sobre "céu".
Na prática, eu recomendo tratar todo composto com hífen que contenha "céu" no segundo elemento como recebendo apenas o "s" no final: para-raios, olho-de-boi — todos seguem essa lógica de pluralização diferenciada. A exceção que mais causa confusão é quando o segundo elemento já é naturalmente invariável ou quando se trata de prefixo, como em hiper-requisito, que vira hiper-requisitos.
Uma observação sobre o hífen
Com a nova ortografia, "arranha-céu" mantém o hífen. Isso é importante porque a presença do hífen determina que se aplica a regra de compostos substantivo-substantivo para o plural, e não a regra de palavras compostas sem hífen (que seriam apenas invariáveis ou pluralizáveis de forma diferente). Se você ver "arranha céu" escrito sem hífen em algum material antigo, está diante de uma grafia pré-acordo mesmo. O plural de arranha ceu, quando escrito corretamente com hífen, é sempre arranha-céus. Não há variação aceitável em norma culta. Fontes como o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da ABL e o Acordo Ortográfico de 1990 são unânimes nessa forma.