Como formar o plural de tique-taque (e outros compostos onomatopaicos)
Vou direto ao ponto. A pergunta que aparece com frequência em fóruns de língua portuguesa é simples: qual é o plural de tique-taque? A resposta curta é tiques-taques. A resposta longa envolve entender como a gramática lida com palavras compostas formadas por duas partes iguais ou semelhantes. Tique-taque é uma onomatopeia composta. Ela se repete para simular o som contínuo de um relógio. Quando você precisa colocá-la no plural, o padrão do português é flexionar ambas as partes, assim como acontece com couve-flor virando couves-flores ou limão-tahiti virando limões-tahiti. Então: tique-taque vira tiques-taques.
Dúvida comum sobre plural de tique taque
Uma pegadinha que todo mundo se enrola é achar que só a primeira parte leva o plural. Não. Se você escrever "tiques-taque" ou "tique-taques", está errado. Ambos os elementos concordam. A mesma lógica vale para reco-reco (reco-recos), blá-blá-blá (blás-blás-blás) e tim-tim (tins-tins). O que acontece na prática é que muitas pessoas hesitam porque onomatopeias parecem informais demais para regra gramatical. Mas elas obedecem às mesmas normas de pluralização dos substantivos comuns. O problema é que a sensação é de que não deveria ter regra, e isso gera insegurança na hora de escrever algo mais formal.
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Uma coisa que eu sempre esqueço e preciso consultar de novo: palavras compostas que são exatamente repetições idênticas, como blá-blá-blá, têm um comportamento ligeiramente diferente do que compostos com partes distintas. No caso de tique-taque, as sílabas finais são diferentes (tique / taque), então ambas vão para o plural sem ambiguidade. Já em til-til, você tem tins-tins, o que exige atenção extra porque o som muda de /l/ para /n/ no plural. Isso é normal em português e não é exceção, só requer cuidado. Eu já me vi presa num cenário específico: estava revisando um texto jornalístico e o redator usou "tique-taques" com apenas o segundo termo no plural. Parecia certo visualmente porque a repetição final era mais marcante, mas a regra exige ambas as partes. Corrigi para "tiques-taques". A lição prática aqui é: não confie na intuição sonora, confie na regra de concordância binária dos compostos.
Outro ponto que não recebe atenção suficiente: a regência de tique-taques em frases com numerais. Quando você diz "três tiques-taques", o plural já está implícito no numeral, então a palavra permanece no plural mesmo sem marcador explícito. Não existe forma singular aqui porque "três" já exige o plural. Diferente do que muitos acham, não há variação entre "três tique-taque" e "três tiques-taques". Só a segunda está correta. Se quiser consultar a regra oficial, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras trata onomatopeias compostas sob as mesmas normas de formação de plurais de substantivos. O site da ABL oferece busca gratuita pelo termo. Para uso acadêmico ou editorial, vale a pena cruzar com o Nova Ortografia e verificar se a grafia hifenizada permanece em contextos formais — ela permanece, e o plural segue naturalmente.