Como flexionar o verbo "vir" no plural
O verbo vir não é complicado quando você sabe o padrão, mas a forma da terceira pessoa do plural causa confusão porque ela é idêntica à do singular. É um detalhe que pega muita gente.A conjugação regular no presente do indicativo fica assim:
plural do verbo vir na prática
Eu venho — primeira pessoa do singular. Tu vens — segunda pessoa do singular.
Ele/Ela/Você vem — terceira pessoa do singular. Nós viemos — primeira pessoa do plural.
Vós vindes — segunda pessoa do plural, pouco usada no dia a dia do Brasil. Eles/Elas/Vocês vêm — terceira pessoa do plural.
O que acontece na terceira pessoa é que vem e vêm se escrevem de formas diferentes, mas soam igual. A diferença é só na crase do acento circunflexo. "Eles vêm amanhã" leva acento. "Ele vem amanhã" não leva. Isso existe porque o português precisa distinguir o singular do plural nessa forma, já que a pronúncia não ajuda em nada. Na primeira pessoa do plural, o padrão seria "vinemos", mas a norma culta consolidou "viemos". Você vai encontrar os dois nas gramáticas. Para provas e concursos, use "viemos". No uso coloquial brasileiro, "nós viemos" é o que você ouve e lê com frequência. "Nós vinemos" soa arcaico ou regional, e não recomendo usar fora de contexto literário.
Um problema real que eu encontrei trabalhando com revisão de textos jornalísticos foi num relatório financeiro onde o autor escreveu "Os dados vêm junto com o documento" no sentido literal de "chegar/juntar-se", quando na verdade a intenção era "Os dados vêm acompanhados do documento". O verbo "vir" no sentido de "chegar, deslocar-se" pede complemento direto ou é usado de forma absoluta, mas "vir junto" gerava ambiguidade porque podia soar como "os dados estão fisicamente incluídos" ou "os dados chegam". A correção foi simples: trocar para "Os dados acompanham o documento" ou "Os dados são enviados juntamente com o documento". A confusão nasce porque "vir" tem muitos sentidos sobrepostos. Aqui vai um insight que começa-dor nunca leva: o pretérito perfeito do indicativo de "vir" é irregular e exige cuidado com a concordância. "Eles vieram" não é "eles vinham". "Vieram" é passado simples, "vinham" é imperfeito. Muitas pessoas confundem "Nós viemos" (pretérito perfeito) com "Nós vinhamos" (imperfeito), e aí a interpretação temporal do texto muda completamente. Se você está narrando algo pontual no passado, use "viemos". Se é uma ação habitual ou em andamento no passado, use "vinhamos".
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A forma do imperativo também gera erro. O imperativo afirmativo para "você" no singular é "venha", e para "vocês" no plural é "venham". Muitos escrevem "vem" como forma de Imperativo, o que está errado. "Vem" é apenas a terceira pessoa do presente do indicativo ou o imperativo afirmativo para "tu" em variantes que mantêm essa distinção. Para "você" e "vocês", a forma correta é sempre com -a no final. Para o subjuntivo, o quadro é:
Que eu venha Que tu venhas
Que ele/ela venha Que nós vejamos — atenção: a primeira pessoa do plural do presente do subjuntivo não é "vênhamos", é "vejamos", que compartilha a raiz com "ver" por influência do paradigma verbal.
Que vós venhais Que eles/elas venham
Esse "vejamos" para a primeira pessoa do plural é um dos desvios mais silenciosos do verbo. Gramáticas antigas apontam que a forma "vênhamos" existe historicamente, mas a norma padrão adota "vejamos". Em documentos formais, use "vejamos". Em contextos informais, muitas pessoas produzem "vênhamos" sem perceber o erro. O uso do "vêm" com acento circunflexo só se aplica quando o sujeito é plural. Se você tiver dúvida na hora de escrever, faça o teste da substituição por "estes/estas" ou reescreva com um pronome de terceira pessoa plural claro. Se o sujeito for "eles", "as empresas", "os candidatos", o acento vai. Se for "ele", "a empresa", "o candidato", não vai.
Outro ponto: o particípio de "vir" é "vindo". Não existe "vemu" ou formas semelhantes. "Eles têm vindo" é a forma compos