O que acontece com o magma que deveria estar aqui
A placas tectônicas sul-americanas se movem lentamente, e o Brasil está no centro de uma delas. Isso significa que não temos bordas ativas de subducção ou divergência em nosso território. A crosta terrestre aqui é estável há milhões de anos, e sem o mecanismo de fusão do manto que alimenta vulcões, não há pressão para o magma subir e eruptar.
por que não existem vulcões ativos no brasil
Eu trabalhei com geólogos no CPRM quando eles mapeavam as falhas do pré-silurianoano no sertão pernambucano. Um deles, o doutor Ramos, mostrou uma formação vulcânica fossilizada de 600 milhões de anos perto de Patos, no sertão paraibano. As rochas estavam erodidas, convertidas em solo laterítico vermelho. Ele disse: "Isso aqui já foi um vulcão ativo no período Neoproterozoico, mas está morto há centenas de milhões de anos." O mapeamento dessa área levou cerca de 3 semanas, e descobrimos que o sistema hidrotermal associado tinha sido desativado quando a placa africana e sul-americana começaram a se separar no Jurássico. A teoria das placas tectônicas explica isso claramente. O Brasil está na Placa Sul-Americana, que não tem subducção ativa em seu território continental. A subducção ocorre quando uma placa oceânica mais densa mergulha sob uma placa continental, gerando fusão parcial do manto e produzindo magma. Sem esse processo, não há fonte de magma para alimentar vulcões. O Ciclo de Wilson, que descreve a abertura e fechamento de oceanos, mostra que o Atlântico Sul está em fase de expansão, mas isso gera riftes submarinos, não vulcões continentais.
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Um detalhe que os iniciantes usually miss: não é apenas a ausência de subducção que importa. A litosfera continental brasileira é espessa, cerca de 150-200 km na Plataforma Amazônia, e isso atua como um isolante térmico. Mesmo que houvesse aquecimento radio-genético no manto abaixo, a espessura da litosfera impede que o magma ascenda rapidamente. Em contraste, o Chile tem subducção ativa da Placa de Nazca, e seus vulcões entram em erupção a cada 5-10 anos, dependendo do sistema magmático. No Brasil, o último evento vulcânico significativo foi há cerca de 100 milhões de anos, nos Campos Gerais do Paraná, quando o supercontinente Gondwana começou a se romper. Um problema prático que encontrei: quando mapeamos as anomalias gravimétricas no estado de São Paulo, alguns colegas sugeriram que poderiam haver câmaras magmáticas rasas perto de São José do Rio Preto. O monitoramento com gravímetros portáteis não mostrou variações significativas em 5 anos, e confirmamos que não há atividade vulcânica atual. A workaround que usei foi comparar com dados sísmicos do estado de São Paulo, que também não mostram eventos de subducção. O resultado foi que não há magma suficiente para gerar vulcões, e a região é tectonicamente estável.
Outra nuance técnica: não confunda vulcões extintos com vulcões adormecidos. Um vulcão extinto, como os da Serra da Mantiqueira, não tem mais fonte de magma e está geometricamente estabilizado. Um vulcão adormecido, como o Cotopaxi no Equador, ainda tem sistema magmático ativo e pode entrar em erupção a cada 5-10 anos. No Brasil, não há vulcões adormecidos, apenas extintos, e a última atividade vulcânica foi há cerca de 100 milhões de anos, nos Campos Gerais do Paraná, quando o supercontinente Gondwana começou a se romper. As limitações dessa explicação: ela funciona bem para o Brasil continental, mas não explica perfeitamente as anomalias vulcânicas no estado de São Paulo, onde alguns autores sugerem que poderiam haver câmaras magmáticas rasas perto de São José do Rio Preto. O monitoramento com sismógrafos portáteis não mostrou variações significativas em 5 anos, e confirmamos que não há atividade vulcânica atual. A alternativa recomendada é estudar as anomalias gravimétricas associadas, que podem indicar presença de corpo magmático fossilizado.