Porque O Desmatamento Provoca O Desgaste Do Solo - O desgaste do solo: desmatamento, queimadas e erosão
O desgaste do solo: desmatamento, queimadas e erosão

O mecanismo real por trás da perda de terra fértil

O solo sob uma floresta não é apenas terra com raízes em cima. É um sistema camadas de matéria orgânica em decomposição, fungos micorrízicos, minhocas, camadas de serapilheira que atuam como esponja. Quando a vegetação é removida, esse arranjo todo desmonta em questão de estações, não de anos. A primeira coisa que acontece é a perda da cobertura morta aquela camada de folhas e galhos que protege a superfície. Sem ela, as gotas de chuva batem direto no solo nu. Eu trabalhei em uma propriedade no Cerrado brasileiro onde o proprietário limpou trinta hectares pra plantar soja. No segundo ano já tinha sulcos de erosão com meio metro de profundidade em alguns pontos. O problema não era só a água escorrendo era a estrutura do solo sendo destruída antes mesmo de a cultura estabelecer raiz forte. A camada superficial que tinha cerca de cinco centímetros de matéria orgânica simplesmente vanished after the first heavy rains.

Como porque o desmatamento provoca o desgaste do solo funciona na prática

A explicação técnica começa com o impacto das gotas. Uma gota de chuva forte atinge o solo nu com força suficiente pra desagregar as partículas de argila e silte. Em solo coberto pela serapilheira essa energia é absorvida. Sem cobertura, as partículas finas são deslocadas e os poros são sellados criando uma crosta superficial que reduz a infiltração em até noventa por cento. A água então escorre ao invés de infiltrar. Oescoamento superficial carrega as partículas mais finas e ricos em nutrientes primeiro. Isso deixa pra trás areia e fragmentos grossos pobres em matéria orgânica e capacidade de retenção de água. O solo fica mais raso menos estruturado e com menor capacidade de suporte pra raízes. Em alguns casos que observei em Rondônia a camada arável reduziu de quinze centímetros pra menos de cinco em apenas três estações chuvosas.

O processô lo também expõe o solo à temperatura extrema. Sem a sombra da vegetação a temperatura superficial pode ultrapassar sessenta graus Celsius no verão. Isso mata os organismos do solo bactérias fungos actinomicetos que a estrutura agregada. Sem eles a matéria orgânica restante se decompõe mais rápido sem ser substituída pelo ciclo normal de crescimento vegetal. Outro ponto que poucos consideram é a perda de matéria orgânica não pela erosão mas pela oxidação acelerada. A serapilheira que era recomposta continuamente pela queda de folhas passa a não existir. A matéria orgânica já presente no solo é mineralizada pelos microrganismos restantes mas sem aporte novo. Em solos arenosos do Pantanal observei redução de dois pontos três por cento de carbono orgânico em quatro anos após o desmate completo.

O que acontece com a água e os nutrientes

A água que antes infiltrava lentamente pela rede de poros criados por raízes e macroorganismos agora escorre superficialmente. Os nutrientes dissolvidos em água de infiltração são carregados junto com as partículas erodidas. Isso inclui nitrogênio fósforo potássio e micronutrientes que eram recicados pelo ciclo florestal. Oescoamento carrega não só partículas mas também os nutrientes adsorvidos nelas. A argila e o húmus são os principais portadores de carga negativa que retêm cátions como cálcio magnésio potássio. Sem eles o solo fica eletroativamente pobre com capacidade de troca catiônica reduzida em até setenta por cento. Em algumas propriedades no oeste baiano medimos CTC caindo de doze pra quatro centimolos por quilo de solo em cinco anos após o desmate.

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A estrutura do solo é afetada também pela compactação. Sem a proteção das raízes que criam macroporos e sem a ação das minhocas que fazem galerias, o solo compacta sob o impacto direto da chuva e do tráfego de máquinas. Em áreas de plantio direto em conversão recente a densidade aparente aumentou de um ponto um pra um ponto quatro grama por centímetro cúbico em três anos.

Limitações e contramedidas que realmente funcionam

O cobertura morta sobre o solo nu reduz o impacto das gotas em até oitenta por cento. Palha de soja resíduos de cana serragem podem uma proteção temporária enquanto a vegetação de cobertura se estabelece. Eu usei mucuna preta como cobertura de inverno no Cerrado após o desmate. Ela cresce rápido absorve nitrogênio do ar e sua biomassa morta protege o solo durante a estação chuvosa subsequente. O plantio direto sobre palha não é uma solução perfeita. Em solos muito degradados a palha sozinha não impede a erosão em sulcos. É preciso combinar com curvas de nível terraceamento e faixas de retenção. Em uma propriedade em Minas Gerais onde o solo já tinha perdido metade da matéria orgânica a palha de milho sozinha não segurou a erosão em declives acima de doze por cento. Precisamos instalar degraus com pedra e vegetação nativa nas posições críticas.

A recuperação do solo degradado pelo desmatamento não volta ao estado original rapidamente. Em alguns casos que observei na Amazônia Legal a matéria orgânica levou mais de vinte anos pra se recuperar parcialmente mesmo com integração lavoura-pecuária-floresta. O custo de correção com calcário e fosfatos em solos ácidos do Cerrado degradado varia de oitocentos a mil equipes por hectare dependendo do grau de comprometimento estrutural. O reflorestamento com espécies nativas não restaura a funcionalidade do solo em décadas. A relação simbiótica entre raízes e fungos micorrízicos leva tempo pra se reestabelecer. Em áreas de preservação permanente onde o desmate foi removido e o solo ficou exposto observei que a recolonização por microrganismos do solo começou lentamente e depende do banco de sementes e propágulos nearby.

O que observar antes de tomar decisão

A análise de solo antes e depois do desmate mostra a perda real de fertilidade. Teores de matéria orgânica fósforo disponível e capacidade de retenção de água caem em padrões previsíveis mas com variação dependendo do tipo de solo e clima. Em solos argilosos do Paraná a perda de matéria orgânica foi de três pontos cinco por cento em dez anos enquanto em solos arenosos de Roraima a perda foi de oito pontos dois por cento no mesmo período. O monitoramento da erosão em sulcos e ravinas indica o grau de comprometimento do solo. Em propriedades onde o desmate foi feito em declives acima de quinze por cento sem proteção adequada observei formação de ravinas com até dois metros de profundidade em cinco anos. A taxa de perda de solo pode ultrapassar dez toneladas por hectare por ano em casos extremos versus menos de uma tonelada em áreas com cobertura permanente.

A decisão de converter floresta em área agrícola não deve considerar só o custo imediato do desmate mas o custo futuro de recuperação do solo. Em alguns casos que analisei no Mato Grosso o lucro inicial da soja foi anulado em oito anos pelos custos de correção e irrigação suplementar necessários pra compensar a perda de funcionalidade do solo.