Preposição E Locução Prepositiva - Preposição, Locução Prepositiva e Contrações | PDF
Preposição, Locução Prepositiva e Contrações | PDF

Preposição e locução prepositiva na prática

O assunto é mais simples do que a maioria dos livros tenta fazer parecer, mas tem uma armadilha comum que todo mundo cai pelo menos uma vez, inclusive eu já caí. Vou explicar direto.

O que você precisa saber sobre preposição e locução prepositiva

Preposição é uma palavra invariável que liga dois termos da oração. As principais são: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. São poucas, é só isso. A função delas é estabelecer uma relação de sentido entre um termo anterior e um posterior. Locução prepositiva é quando duas ou mais palavras funcionam como uma preposição só. O conceito é o mesmo, mas a forma é diferente. Exemplos clássicos: abaixo de, acima de, após, apesar de, dentro de, durante, em frente a, junto a, perto de, por causa de, por diante, por meio de, sem contar com. A última palavra dessas combinações quase sempre é uma preposição de verdade. "De" é a rainha dessas locuções.

Eu sempre recomendo começar entendendo a diferença entre regência verbal e relação preposicional. Regência é quando o verbo exige uma preposição. Relação preposicional é quando a preposição aparece por causa de um nome, adjetivo ou advérbio. Misturar esses dois conceitos é o erro mais comum em provas e na prática.

Como identificar e usar corretamente

A maneira mais eficiente de não errar é testar se a preposição pode ser substituída por uma relação de posse, destino, instrumento ou causa, dependendo do contexto. Se a frase "o livro do João" funciona, "do" está indicando posse. Se "fui para São Paulo" vira "fui à cidade", o "a" indica destino. Não é regra fixa, mas é um filtro útil. O problema real que todo mundo enfrenta é a crase. Crase nada mais é do que a fusão da preposição "a" com o artigo definido "a". A confusão acontece porque as pessoas aprendem regras mnemônicas demais e acabam não entendendo o mecanismo. Quando eu vejo "fui à biblioteca", sei que existe uma preposição "a" pedida pelo verbo "ir" e um artigo "a" antes de "biblioteca". Se eu trocar "biblioteca" por "cidade", fica "fui à cidade". A crase continua lá. Teste simples: troque o substantivo feminino por um masculino. Se aparecer "ao", tem crase.

Encontrei um caso bem específico recentemente num documento técnico onde a palavra "à" era usada antes de verbos no infinitivo. Exemplo: "proibido à entrar." Era claro que estava errado, porque o verbo no infinitivo não tem artigo definido que o acompanhe nesse contexto. O correto seria "proibido de entrar". Esse tipo de erro passa despercebido porque a pessoa só olha para a sonoridade e esquece de analisar a regência. Recomendo sempre parar e perguntar: tem artigo aqui? Se a resposta for não, não tem crase. Outro ponto que muita gente ignora: a preposição "por" versus "para". "Por" indica causa, meio ou passagem. "Para" indica destino ou finalidade. A diferença é sutil mas importante. "Enviei o email por e-mail" não faz sentido. "Enviei o email para o cliente" está correto. Já "O dinheiro passou por várias contas" usa "por" indicando passagem, o que é correto. O erro comum é usar "por" quando deveria ser "para" em frases de destinação.

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Erros comuns e como evitá-los

O erro número um é achar que toda combinação de duas palavras que parece preposição é uma locução prepositiva. "Segundo" por si só já é uma preposição. "Através de" é o exemplo clássico. Muitas vezes se usa "através de" quando "por meio de" é o certo. "Através" remete à ideia de atravessar, de passar por dentro. Se você disse algo "através do celular", soa estranho. O certo é "por meio do celular". Essa distinção é técnica, mas faz diferença na escrita formal. Outro erro frequente é a omissão de preposição. Frases como "Gosto de música" estão certas. Frases como "Gosto música" estão erradas porque o verbo "gostar" exige a preposição "de". Verbos transitivos diretos não precisam de preposição, mas os indiretos precisam. Se você não souber se um verbo é direto ou indireto, consulte um dicionário de regência. Perde tempo, mas resolve o problema.

Preposições antes de pronome oblíquo também geram dúvidas. "A ele" e "lhe" podem coexistir, mas há preferências. "Dele" e "disso" já fundem a preposição com o pronome. O uso de "coisa que" em vez de "cuja" é outro ponto onde a preposição importa. "A coisa que" não tem o mesmo valor que "cujo" em termos de regência formal.

Quando preposição e locução prepositiva não ajudam

Existe um cenário onde a análise preposicional tradicional falha completamente: orações subordinadas adverbiais com preposição implícita. "Sem que eu soubesse" — aqui "que" introduz uma oração, mas não há preposição explícita ligando dois termos. A estrutura funciona de outra maneira, e tentar forçar uma análise preposicional só gera confusão. Nesses casos, o ideal é reconhecer que se trata de uma conjunção subordinativa e tratar como tal. A diferença entre preposição e conjunção é fundamental, mas muitos gramáticos negligenciam essa fronteira na prática. Uma alternativa útil quando a análise tradicional não se aplica é usar a substituição por sinônimos prepositivos. Se você substituir "apesar de" por "contudo" e a frase manter o sentido, provavelmente está diante de uma locução prepositiva. Se a substituição quebra a frase, a estrutura é diferente. Esse teste leva uns 30 segundos e evita a maior parte dos erros.

Resumo rápido

Preposições são palavras curtas e invariáveis. Locuções prepositivas são combinações que exercem a mesma função. O uso correto depende de entender a regência do termo anterior e de saber quando há artigo antes do termo seguinte. A crase é o único caso onde a fusão gráfica é obrigatória e previsível. Nos demais, o contexto manda. Se você estiver na dúvida, leia a frase em voz alta e peça para alguém com boa noção gramatical dar uma olhada. Nada substitui o olho de quem lê muito.