O que acontece quando as células do canal cervical aparecem na citologia
Muita gente se confunde ao ler "presença de células endocervicais" no laudo e acha que é algo errado. Não é. Na verdade, a presença dessas células é um sinal de que a amostra foi coletada de forma adequada. O problema é quando elas estão ausentes. Aí sim, o laboratório marca como inadequada e pede para refazer. Na prática, a célula endocervical vem da porção glandular do canal do colo do útero. Diferente das células escamosas, que revestem a parte externa (éctocervo), essas células são cilíndricas e vêm da região que fica mais internamente. Por isso, dependendo de como o coletor faz a coleta, elas nem sempre aparecem. Mulheres pós-menopáusicas, por exemplo, frequentemente têm amostras sem essas células porque a transformação dessa região é menos ativa.
Presença de células endocervicais: o que o laudo realmente quer dizer
O laudo de Papanicolau tem um campo chamado "satisfatoriedade da amostra" e dentro dele há uma menção sobre a presença ou ausência de células endocervicais. Quando o relatório aponta a presença, basicamente está dizendo: "a amostra tem boa qualidade, incluiu a região de transição onde a maioria das lesões pré-cancerosas se forma". Isso é informação útil, não um diagnóstico. O que pouca gente entende é que a presença de células endocervicais normais não exclui a possibilidade de lesão. Uma amostra pode ser perfeitamente satisfatória e ainda assim apresentar alterações citológicas. As células endocervicais são apenas um indicador de qualidade da coleta, não um resultado de saúde em si.
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Outro detalhe prático: algumas variações das células endocervicais podem ser confundidas com atipias. O citopatologista precisa diferenciar entre hiperplasia endocervical benigna, células de Navileps, e lesões discretas. Na minha experiência, já vi casos em que um citotécnico iniciante marcou falsamente uma hiperplasia endocervical simples como possível lesão, porque a disposição tridimensional das células parecia densa demais. O caminho foi o reexame pelo patologista, que confirmou a natureza benigna. Também é importante saber que a ausência de células endocervicais não é sinônimo de problemas. Em mulheres jovens, especialmente nas primeiras décadas de vida, a região de transformação pode estar toda dentro do canal e ser mais difícil de alcançar com a escova. Nesses casos, a coleta pode ser tecnicamente correta mas sem a presença dessas células. A recomendação geral é repetir o exame em 12 meses, não entrar em pânico.
Se você está lendo isso porque recebeu um laudo com essa informação e está preocupado, o mais importante é olhar o resultado final, que costuma estar classificado como NILM (sem lesão intraepitelial ou malignidade) ou como alguma alteração citológica. A menção às células endocervicais isoladamente não muda o diagnóstico.