Primeiro Modelo De Tabela Periodica - Primeiro Modelo da Tabela Periódica | PDF | Tabela periódica | Átomos
Primeiro Modelo da Tabela Periódica | PDF | Tabela periódica | Átomos

Antes de Mendeleev existir um monte de gente tentado fazer o mesmo e fracassando de formas interessantes

O primeiro modelo de tabela periodica que realmente funcionou como ferramenta prática veio de Dmitri Mendeleev em 1869. Mas o caminho até lá não foi linear. Johann Döbereiner já tinha observado em 1817 que certos elementos formavam tríos com propriedades semelhantes — cálcio, estrôncio e bario, por exemplo. Depois John Newlands propôs a Lei das Oitava, comparando elementos a notas musicais. Ninguém levou a serio. Newlands foi ridicularizado pela Sociedade Química Real. Mendeleev foi mais longe. Ele não apenas organizou os 63 elementos conhecidos na época, mas deixou lacunas intencionais onde nenhum elemento existia ainda. A parte mais importante: ele previu as propriedades de três deles — eka-boro, eka-alumínio e eka-silício — que mais tarde se revelariam seriam o escândio, gálio e germânio. As previsões estavam dentro de 10% para massa atômica e 5% para densidade.

primeiro modelo de tabela periodica: como ele funciona na pratica

A lógica basica é simples: arrange os elementos por ordem crescente de massa atômica e agrupe aqueles com propriedades químicas semelhantes nas mesmas colunas. Mendeleev percebeu que as propriedades se repetiam periodicamente. Daí o nome. Ele colocou telúrio antes do iodo mesmo sabendo que a massa atômica do telúrio era maior porque o telúrio se comportava quimicamente como um elemento do grupo do oxigênio, não do flúor. Essa foi uma decisão ousada que mais tarde se mostrou correta quando Henry Moseley estabeleceu o número atômico como criterio de ordenação em 1913. Quando eu estava reconstruindo manualmente versões digitais desses modelos antigos para um projeto, um problema chato apareceu com a diferença entre as massas atômicas que Mendeleev usou e os valores modernos. Por exemplo, Mendeleev atribuía ao arsênio uma massa atômica diferente da atual porque ele priorizava o agrupamento químico sobre a massa. Se você usa os valores modernos cegamente, algumas posições ficam estranhas nos modelos baseados na abordagem original dele. A solução que eu encontrei foi manter os valores históricos de Mendeleev para recriar o modelo dele fielmente e depois sobrepor os valores atuais em outra camada visual. Isso evita a confusão entre o que era o modelo original e o que a ciencia descobriu depois.

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Outro detalhe que os manuais costumam pular: Mendeleev não criou a tabela sozinho naquele momento. Lothar Meyer estava trabalhando paralelamente na Alemanha e chegou a resultados semelhantes quase ao mesmo tempo. Meyer publicou primeiro uma versão mais limitada que abrangia apenas 28 elementos. Mendeleev ganhou a fama principalmente por causa das previsões bem-sucedidas, que são o tipo de coisa que valida um modelo cientifico de forma muito concreta. O modelo original tinha falhas evidentes que ficaram claras com o tempo. A colocação dos gases nobres, descobertos depois, forçou a adição de uma nova coluna. A série dos lantanideos e actinideos ficava fora da estrutura principal. E a inversão de posições como cobalto-niquel e telúrio-iodo só foi explicada quando Bohr começou a trabalhar com a estrutura eletrônica dos átomos.

Se você quer acessar o modelo original ou uma representação fiel dele, a maioria dos arquivos digitalizados está disponível através de acervos universitários e da Sociedade Química Americana. O próprio Museu de Química de Minneapolis tem uma cópia do artigo de Mendeleev de 1869 traduzida. Para fins educacionais, recriar a tabela com base nos dados originais costuma ser mais instructivo do que simplesmente copiar a tabela moderna, porque força você a entender o raciocínio que levou às escolhas que fizeram sentido naquela época mas que hoje parecem contra-intuitivas. A versão com 17 grupos e 7 períodos que usamos atualmente é uma evolução direta daquele trabalho de 1869. O principio de ordenação mudou de massa atômica para número atômico, mas a ideia central — que as propriedades químicas se repetem periodicamente — continua sendo a mesma. E isso, curiosamente, é algo que os professores de química muitas vezes não conseguem transmitir aos alunos. As pessoas decoram a tabela como se fosse um mapa fixo em vez de um documento historico que mostra como o conhecimento humano evoluiu sobre a matéria.