Quais São As Comidas Típicas Da Região Sul - Quais São As Comidas Típicas Folclóricas Da Região Sul? – PVMLVE
Quais São As Comidas Típicas Folclóricas Da Região Sul? – PVMLVE

O que você encontra no prato gaúcho (e do Sul em geral)

quais são as comidas típicas da região sul é uma pergunta que todo mundo faz, mas a resposta varia bastante de cidade para cidade. O sul do Brasil —Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina— tem uma cozinha que mistura tradição indígena, influência portuguesa, alemã e italiana, além da contribuição imigrante eslava e japonesa que muita gente esquece. Se você quer saber o que realmente se come por aí, precisa separar o que é verdade do que é marketing de restaurante turístico.

O churrasco gaúcho não é só carne na brasa

A primeira coisa que todo mundo pensa é carne. E tem carne, claro. O chimarrão, o arroz de carreteiro, o guisado de feijão com costela, o picadinho de carne seca. O ponto alto mesmo é o churrasco, mas o detalhe que as pessoas ignoram é o preparo do fogo. No Rio Grande do Sul, o tradicional é usar lenha de pinheiro ou guatambu, nunca carvão vegetal puro, porque o carvão queima rápido demais e a carne fica assada antes de desenvolver aquela crosta defumada. Eu já vi gente de fora insistir em fazer "botina" de picanha com carvão e ficar achando que estava fazendo errado quando o resultado vinha seco. A solução é simples: usa braseira baixa, grelha alta, e deixa a gordura derreter devagar. Quando a gordura da picanha ou do-costeletinho começa a cair na brasa e fazer aquele cheiro específico, aí está certo. O chimarrão também merece um aviso prático. Muita gente estraga o (o chimarrão) colocando água fervendo. A água certa é entre 70°C e 85°C, mais ou menos no ponto de começar a soltar vapor mas sem borbulhar. Se ferver, queima a erva e o sabor fica amargo na hora. Eu já perdi horas explicando isso em festas de família e ainda sim vejo gente colocando água de chaleira direto no terço. A correção é esperar uns dois minutos depois de desligar o fogo.

O que muda entre os estados

Em Santa Catarina, a presença italiana é muito mais forte no interior. O barreado paranaense, que muitas pessoas confundem com algo do RS, é na verdade um cozido lentíssimo feito em panelas de barro assadas em forno de lenha por horas — o nome vem do método de fechar a panela com papel e massa de farinha, que cria um selo natural. Já no Paraná, o bacanor é um prato ancestral de origem tupi-guarani feito com inhame, banana-da-terra e costela defumada, coado em peneiras de palha. Parece exótico, mas é muito comum em cidades do norte do estado como Jacarezinho e Ibaiti. No Paraná também tem o peviçoco, uma sopa espessa de miúdos de porco com mandioca que as pessoas desprezam por achar "comida de pobre". O problema é que restaurantes sofisticados em Curitiba estão resgatando o prato há uns cinco anos, e o resultado pode ser muito bom se o preparo for tradicional. A chave é a proporção: mandioca demais e vira mingau, carne de mais e fica salgado demais.

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Pernil, linguiça e folias

O pernil assado no forno de lenha é praticamente um rito no RS e no PR. O segredo não é a receita, é o tempo. Um pernil de oito quilos leva entre quatro e seis horas em temperatura média baixa. Eu já vi gente fazer em duas horas e sair falando que pernil assado é seco. O truque é cobrir com papel alumínio nas primeiras três horas e só remover no final para dourar. O líquido que sobra na assadeira é o caldo natural da carne, não precisa adicionar nada. As linguiças artesanais do sul, especialmente as de Santa Catarina feitas por comunidades italianas em Blumenau e Vale do Itajaí, são um padrão que o resto do Brasil tenta copiar e não consegue. A diferença está na cura: linguiça artesanal catarinense leva de 15 a 30 dias de maturação em tripa natural de porco, com sal grosso e pimenta-do-reino apenas. Quando você vê linguiça vermelha brilhante à venda em supermercado, ela já passou por processos industriais de defumação rápida que alteram o sabor real.

O lado ruim que ninguém conta

A comida do sul funciona extremamente bem em ambientes rurais e em cidades pequenas, mas em centros urbanos como Porto Alegre e Curitiba os preços dispararam nos últimos anos. Um chimarrão em cafeteria especializada custa entre R$8 e R$15, e um prato de arroz de carreteiro em restaurante típico vai de R$35 a R$60. Em cidades do interior, o mesmo prato sai por R$18 a R$25. A diferença é brutal e tem a ver com o custo de ingredientes autênticos versus versões industrializadas. Outro problema real é a padronização. Restaurantes que se dizem "típicos" em lugares turísticos como Gramado e Canela frequentemente usam produtos congelados e pré-cozidos, então o que você come não tem relação com a tradição. A melhor forma de escapar disso é ir a places onde os cardápios estão escritos à mão em quadro-negro ou onde a cozinha é visível. Sinal claro de que é fabricado para turista é cardápio plastificado com fotos coloridas dos pratos.

Resumo prático para quem quer experimentar

Se você mora fora do sul e quer provar algo próximo do original, não adianta tentar fazer chimarrão com água fervida. Use termômetro. Para o churrasco, invista em lenha de pinheiro ou, no mínimo, madeira de ipê. Para o barreado, compre as panelas de barro em Feirastaduais do Paraná, porque panela de alumínio ou aço altera o sabor. E se for comer fora, fuja de places com cardápio em inglês iluminado na fachada. Coma onde as pessoas falam em dialeto italiano ou gaúcho entre si e não olham para você quando entra.