Quais Sao Os Adjuntos Adverbiais - Advérbios e Adjuntos Adverbiais | PDF
Advérbios e Adjuntos Adverbiais | PDF

O que são, na prática

Adjunto adverbial é o termo acessório que acrescenta uma circunstância à oração — tempo, lugar, modo, causa, dúvida, matéria, companhia e assim por diante. A parte chata é que muita gente confunde com complementos verbais ou nominais porque a aparência externa é semelhante: muitas vezes é um sintagma preposicionado, às vezes só uma palavra átona. O truque que funciona na maioria das vezes é o teste da supressão. Você retira o termo e o núcleo da oração continua inteiro. O predicado não fica lacunoso, não pede reposição. Tenta arrumar "na mesa" de "Eu li o livro na mesa". some. A frase "Eu li o livro" ainda funciona. Isso indica que é adjunto adverbial de lugar.

quais sao os adjuntos adverbiais

Os principais tipos, na minha experiência de correção de redações e materiais didáticos, são os que listei abaixo. A nomenclatura varia conforme a gramática, mas a ideia é estável. De tempo: indica quando ocorre a ação. Exemplo: "Cheguei ontem." "Eles sairão quando o sol se pôr."

De lugar: indica onde ou para onde. Exemplo: "O pacote chegou do exterior." "Moramos perto da estação." De modo: indica a maneira como se faz algo. Exemplo: "Ele explicou com clareza." "Falou mal."

De causa: indica o motivo. Exemplo: "Não vim por doença." "Estava fadigado." De condição: estabelece uma condição. Exemplo: "Se chover, cancelamos." "Com paciência, resolvemos tudo."

De concessão: indica um fato que não impede a ação principal. Exemplo: "Embora cansado, ele trabalhou." "Apesar da chuva, saímos." De conclusão: expressa uma conclusão lógica. Exemplo: "Jogou mal, logo perdeu."

De assunto: delimita o tema. Exemplo: "Falamos de política." "Leram sobre inteligência artificial." De matéria: indica o que algo é feito. Exemplo: "O anel é de ouro."

De companhia: indica quem acompanha. Exemplo: "Fui ao cinema com meus amigos." De instrumento: indica o meio pelo qual a ação se realiza. Exemplo: "Cortou com a faca." "Assinou com o carimbo."

De meio: lembra o de instrumento, mas é mais genérico. Exemplo: "Enviou por e-mail." De dúvida: indica incerteza. Exemplo: "Provavelmente virão." "Certamente não aceitam."

De negação: aparece em construções negativas. Exemplo: "Nunca disse isso." De afirmação: reforça. Exemplo: "Sim, eu concordo."

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De intensidade: gradua a ação. Exemplo: "Falo demais." "Ele come pouco."

O teste que eu uso no dia a dia

Na prática, eu sigo esta sequência, não outra. Primeiro, isola o verbo e pergunta quem pratica a ação. Esse é o sujeito. Depois pergunta-se o que o verbo faz ou o que ocorre com o sujeito. O que complementa o sentido do verbo de forma indispensável é complemento verbal ou nominal. O que sobra, que pode ir e vir sem estragar a estrutura, é adjunto adverbial. Vou dar um exemplo que já vi vazar em prova e gerar confusão. "O diretor ELogiou o candidato com atenção."

Se tu retirar "com atenção", a frase "O diretor elogiou o candidato" segue de pé. "Com atenção" é adjunto adverbial de modo. Mas cuidado: "O diretor ELi eu com carinho." Aqui também parece adjunto, mas há situações em que a preposição carrega outra função. O contexto manda. Um caso concreto que eu encontrei recentemente foi uma redação em que o aluno escreveu "Fomos ao shopping com compras" achando que era adjunto de companhia. Eu corrigi porque "com compras" não indica quem acompanhou, e sim o que se fez. Caiu na armadilha da forma e não na função. O termo era, na verdade, um adjunto de assunto/material, algo que muitos manuais tratam de forma inconsistente. Outro problema comum é a palavra "bem". Em "Ele fala bem", pode ser adjunto adverbial de intensidade, mas em "Ele é um homem bem", pode funcionar como predicativo. O teste da retirada salva: "Ele fala" ainda tem sentido, "Ele é um homem" também. A diferença está na relação sintática que cada segmento mantém. Quando "bem" altera o verbo, é adjunto. Quando se liga ao nome por cópula, é predicativo. Não existe fórmula mágica, existe análise.

Pegadinhas que ninguém conta

Existem adjuntos adverbiais que não são preposicionados. Advérbios puros, como "ontem", "aqui", "rapidamente", assumem a função sem preposição. Isso confunde iniciantes, que pensam que toda circunstância precisa de preposição. Não precisa. "Ele chegou ontem." "Ontem" é adjunto adverbial de tempo e não pede nenhum conectivo. Tem ainda a questão dos locuções adverbiais. "De repente", "a pé", "de vez em quando". São formas plurissilábicas que funcionam como um único adjunto. Se tu separar o que não deve ser separado, a análise quebra. Eu já vi gente analisar "de" como preposição e "repente" como complemento nominal. Errado. O sintagma todo é o adjunto de modo. A unidade importa.

Outro ponto que gera confusão é a sobreposição com adjunto adnominal. Ambos são termos acessorios, mas o adnominal caracteriza o nome, enquanto o adverbial caracteriza o verbo, o adjetivo ou o próprio advérbio. "A casa de madeira" versus "Ele mora em casa". Em "de madeira", "madeira" caracteriza "casa". É adjunto adnominal. Em "em casa", "casa" indica lugar da ação de morar. É adjunto adverbial de lugar. A forma parece idêntica. A função é distinta. Existe ainda um caso mais sutil: a posição. Em português, o adjunto adverbial pode ocupar diferentes lugares na oração sem alterar necessariamente o sentido, mas isso pode criar ambiguidade. "Eu vi o homem de terno ontem" pode significar que eu vi ontem ou que o homem usava terno ontem. A ordem dos termos importa quando a interpretação precisa ser exata. Em textos formais, eu recomendo colocar o adjunto de tempo perto do verbo para evitar que ele se vincule a um nome próximo.

Erros frequentes e como evitá-los

O erro mais comum é tratar qualquer sintagma preposicionado como adjunto adverbial. Nem todo "preposição + substantivo" é circunstância. "O livro do professor" contém "do professor", que é adjunto adnominal, não adverbial. Ele especifica a quem pertence o livro, não indica quando, onde, como, por quê. Outro erro é confundir complemento nominal com adjunto adverbial de matéria. "Sou feito de aço" versus "O amor ao próximo". Em "feito de aço", "de aço" é adjunto de matéria. Em "amor ao próximo", "ao próximo" é complemento nominal, pois completa o sentido do substantivo abstrato "amor". Uma limitação séria desse sistema é que a fronteira entre adjunto adverbial e complemento verbal pode ficar tênue em verbos que exigem preposição por regência. "Assistir ao filme" versus "Assistir naTV". Em "assistir ao filme", "ao filme" é complemento verbal, não dá pra retirar sem faltar algo ao verbo. Em "assistir naTV", "naTV" é adjunto adverbial de lugar. A diferença é minúscula na superfície, mas gigante na estrutura. Eu costumo usar a substituição por pronomes oblíquos átonos como verificação adicional. Se o termo pode ser substituído por "o/la/os/as", é provável que seja complemento. Se não, é provável que seja adjunto.

Exercício rápido para fixar

Vou listar algumas frases e analisar o termo destacado, porque a prática pega mais rápido do que a teoria repetida. Em "João chegou cedo", "cedo" é adjunto adverbial de tempo. Em "Eles viajaram para o interior", "para o interior" é adjunto adverbial de lugar. Em "Falou como um especialista", "como um especialista" é adjunto adverbial de modo. Em "Estudou por causa da prova", "por causa da prova" é adjunto adverbial de causa. Em "Ele agiu com coragem", "com coragem" é adjunto adverbial de modo. Em "O prato era de feijão", "de feijão" é adjunto adverbial de matéria. Em "Vim sem você", "sem você" pode ser lido como adjunto de companhia, embora alguns gramáticos entendam como adjunto de acompanhância negada. A questão é que a classificação varia conforme a corrente gramatical, então o importante é saber que o termo funciona como circunstancial e não como parte do núcleo verbal obrigatório.

Quando o adjunto adverbial não aparece sozinho

Às vezes o adjunto está implícito. "Ele disse que sim." Não há marcador de tempo, lugar ou modo explícito, mas a frase ainda carrega circunstâncias implícitas que o contexto traz. Em análise sintática, isso não exige marcar algo que não está presente. O adjunto adverbial, por definição, precisa estar na oração para ser identificado. Se não está, não se analisa. Parece óbvio, mas em exercícios mal elaborados eu já vi gente inventar adjuntos inexistentes só para preencher espaços. Também vale notar que orações subordinadas adverbiais exercem função equivalente a adjuntos adverbiais, mas são orações inteiras, não termos. "Quando ele chegou, começamos a trabalhar." A oração "quando ele chegou" funciona como adjunto adverbial de tempo. Dizer que é "oração subordinada adverbial temporal" é mais preciso. Em provas, a distinção entre termo e oração costuma ser cobrada. Se a pergunta pede adjunto adverbial, espere um sintagma. Se pede oração adverbial, espere uma oração.

Se tu quiser um resumo prático, a ideia central é simples: adjunto adverbial é circunstância expressa por termo acessório. Ele complementa o verbo, o adjetivo ou o advérbio de forma não essencial, pode ser deslocado, substituído ou suprimido sem destruir a oração. O resto é aplicação. Testa a supressão, verifica a função sintática, confirma a ausência de regência obrigatória. Se os três pontos baterem, está certo.