Quais São Os Consumidores - Saiba Quais São Os Tipos De Consumidores E Direcione Suas – DXNVVP
Saiba Quais São Os Tipos De Consumidores E Direcione Suas – DXNVVP

O que definir consumidores não é tão simples quanto parece

Quando a equipe de produto começa a mapear "quais são os consumidores" do novo SaaS B2B que lançamos, a gente tende a cair na armadilha de listar faixas etárias, gêneros e cidades. Isso é marketing de 2018. O que realmente importa é a classificação por comportamento de uso, estágio no funil e poder de decisão orçamentária. Eu passei três meses tentando segmentar os usuários de uma plataforma de e-commerce no Mercado Livre e na Shopee ao mesmo tempo. O problema era que o mesmo CPF aparecia como comprador recorrente em uma e como visitante eventual na outra, e as tags do CRM estavam totalmente desencontradas. A solução foi criar um identificador unificado por device fingerprint combinado com hash do email, não por CPF, porque muita gente usa telefone do pai ou número descartável para cadastros.

Quais são os consumidores segundo a classificação funcional

Existem basicamente cinco camadas que eu vejo no campo todo dia. A primeira é o consumidor transacional: chega, compra, vai embora. Esse tipo responde a preço e entrega rápida. Na prática, representa entre 60 e 70% do volume de vendas de varejo tradicional, mas gera margem baixíssima. O segundo é o consumidor recorrente, aquele que volta todo mês ou trimestre. Aqui o LTV começa a fazer sentido. O terceiro é o consumidor influenciador, que avalia, comenta e puxa outros compradores. Esse grupo costuma ser subestimado porque tem ticket médio baixo, mas o custo de aquisição do lead que ele gera pode ser até 80% menor do que tráfego pago. O quarto tipo é o consumidor sazonais, que só aparece em datas específicas. Natal, Black Friday, volta às aulas. A armadilha aqui é tratar esse perfil como comprador permanente quando na verdade ele só existe em três meses do ano. Eu já vi empresas contratarem equipe de suporte para pico de dezembro e deixarem o call center subdimensionado em janeiro, gerando NPS negativo sem motivo real.

O quinto tipo, e o mais difícil de identificar, é o consumidor institucional disfarçado de pessoa física. Empresas que compram no CNPJ têm regras diferentes de frete, imposto e reembolso. Quando elas compram no CPF para evitar burocracia, a experiência de pós-venda quebra completamente. A workarround que funciona é cruzar IP corporativo com dados de CPF e flagar compras acima de três unidades de produtos que nunca são usados em residência.

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Pegadinhas que ninguém conta sobre segmentação de consumidores

O dado que sua ferramenta de analytics mostra raramente é o dado real. O maior erro que eu vejo é confiar no último clique. Se seu e-commerce roda com 35% de abandono de carrinho, o consumidor que converteu pode ter visitado o site dezessete vezes em quinze dias, passado por três campanhas de remarketing e um link de afiliado. Atribuir essa venda apenas ao último touchpoint distorce completamente o perfil de quem está comprando. Outro ponto cego é a diferença entre o decisor e o usuário final. Em produtos B2B isso é óbvio, mas em varejo doméstico também acontece o tempo todo. Minha mãe comprou uma airfryer mas é meu pai quem usa. O perfil de consumidor que paga a fatura não é o mesmo que define satisfação com o produto. Se sua pesquisa de NPS for feita só com quem comprou, você vai medir poder de pagamento, não lealdade real.

A classificação por RFM (Recência, Frequência, Valor Monetário) ainda é o padrão do setor, mas ela tem uma limitação grave: não captura churn iminente. Um cliente que comprava toda semana e parou de comprar há quatorze dias tem score baixo de recência, mas o RFM sozinho não te avisa se ele voltou no dia seguinte com outro nome ou se simplesmente migruiu para a concorrência. O workaround é adicionar uma variável de distância temporal entre a última compra e a data atual normalizada por frequência histórica. Assim você identifica quem caiu na média pessoal dele, não quem caiu na média do banco inteiro.

Como mapear quais são os consumidores sem depender só de dados demográficos

O método que funciona na prática combina três fontes. A primeira é o comportamento de navegação: páginas visitadas, tempo na tela, itens adicionados e removidos do carrinho. A segunda é o histórico transacional com recência ponderada. A terceira é o sinal de intenção captado em formulários de cadastro, pesquisas de satisfação e atendimento. Para colocar isso em produção, comece com uma tabela simples no BigQuery ou Snowflake. Crie colunas para recência em dias, frequência mensal, ticket médio dos últimos noventa dias e índice de cancelamento de pedidos. Depois aplique clustering K-means com cinco a sete clusters. O resultado nunca vai ser perfeito na primeira execução, então ajuste o número de clusters observando o silhouette score e valide com dados de campo. Eu costumo rodar validação cruzada com trinta por cento dos dados históricos para evitar overfitting.

Se você não tem infraestrutura de data warehouse, uma alternativa viável é usar o próprio planilha do Google Sheets com scripts de automação puxando dados do Meta Pixel, Google Analytics e do ERP via API. Funciona para volumes até cinqüenta mil transações mensais. Acima disso a latência começa a estragar a classificação em tempo real e o consumidor já comprou em outro lugar antes do cluster ser recalculado. O que define quais são os consumidores hoje não é mais quem eles são demograficamente. É o que eles fazem, com que frequência e sob quais condições. Os dados brutos estão aí desde que o primeiro carrinho foi abandonado. O problema é que a maioria das empresas lê só a superfície.