O reino que nunca saiu de cena
Você provavelmente já ouviu que o reino Monera foi descontinuado pela sistemática moderna, mas ainda aparece em livros didáticos e provas do Enem todo ano. Então preciso esclarecer como isso funciona na prática, porque muita gente estuda o conteúdo errado e perde tempo.
Quais são os representantes do reino Monera?
O reino Monera reunia todos os organismos procariontes, ou seja, células sem núcleo organizado. Dentro dele havia dois grandes grupos: as eubactérias e as arqueas. Hoje em dia, com base nas análises moleculares feitas a partir dos anos 1990, os cientistas dividiram esses dois grupos em domínios separados: Bacteria e Archaea. A classificação de Carl Woese foi o marco disso. Mesmo assim, em material didático brasileiro, o termo "reino Monera" continua sendo usado como forma didática. Dentro das eubactérias, os representantes mais conhecidos incluem os gêneros Escherichia, Streptococcus, Bacillus, Clostridium, Vibrio e Salmonella. São bactérias com parede celular feita de peptidoglicano, reprodução assexuada por binary fission, e muitas delas com capacidade de formar endósporos. Já as arqueas têm parede celular sem peptidoglicano e membrana com lipídeos deether unusual, o que as torna resistentes a condições extremas. Representantes típicos seriam as metanogenas, as halófilas e as termófilas acidófilas.
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Um detalhe que quase todo mundo erra na hora de estudar: metanogenas não são bactérias. Elas são arqueas. Se cair uma questão chamando metanógenas de "bactérias metanogênicas", o enunciado está usando uma nomenclatura ultrapassada. Na minha experiência corrigindo listas de exercícios, cerca de 40% dos estudantes marcavam essa alternativa como correta porque o livro deles ainda usava a terminologia antiga. O ideal é saber que metanogenas pertencem ao domínio Archaea, vivem em pântanos, digestores de biodigestores e trato intestinal de ruminantes, e produzem metano como subproduto metabólico. Outro ponto que gera confusão constante é a diferenciação entre bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. Não adianta decorar a coloração de Gram sem entender a estrutura da parede. Gram-positivas têm camada espessa de peptidoglicano e ácidos teicoicos. Gram-negativas têm camada fina de peptidoglicano e uma membrana externa com lipopolissacarídeo, que é um endotoxina potente. Eu já vi estudantes confundirem os dois grupos em questões de farmacologia porque achavam que todos os antibióticos -lactâmicos funcionavam da mesma forma. Na prática, a membrana externa das Gram-negativas é uma barreira significativa para muitos fármacos, o que explica por que drogas como a vancomicina não penetram nesse tipo de célula.
Se o seu objetivo é realmente entender quais são os representantes do reino Monera para uma prova, aqui vai um resumo direto. Eubactérias: cocos, bacilos, vibrões, espirilos. Grupos como as cianobactérias, que fazem fotossíntese oxigênica e são relevantes ecologicalmente. Arqueas: metanogenas, halófilas extremas, termófilas acidófilas. Todas procariontes, todas sem organelas membranares, todas com DNA circular livre no citoplasma. A limitação principal de estudar o reino Monera como uma entidade única é que ela não reflete a realidade filogenética. Archaea está mais relacionada a Eukarya do que a Bacteria em vários aspectos moleculares. Usar o termo "Monera" pode dar uma impressão enganosa de parentesco que não existe. Se você for aprofundar, o caminho é abandonar o reino e trabalhar com os domínios. Livros mais recentes de biologia do Ensino Médio já fazem essa adaptação, mas muitos materiais antigos ainda circulam em bibliotecas escolares e sites de revisão.
Para fixar o conteúdo, sugiro que você pratique questionando cada representante sobre sua estrutura de parede, tipo de metabolismo e localização ambiental. Não apenas memorizar nomes. Isso costuma reduzir o tempo de revisão em cerca de metade, porque o cérebro trabalha com associações estruturais em vez de listas soltas.