Quais São Os Três Tipos De Rocha - Quais são os três tipos de rocha existentes na Terra? Monte uma tabela ...
Quais são os três tipos de rocha existentes na Terra? Monte uma tabela ...

Classificação básica de rochas

Você provavelmente já ouviu falar nos três tipos principais, mas a coisa é mais confusa do que parece quando você vai para o campo. A classificação padrão ensina: rocha ígnea, sedimentar e metamórfica. Simples, certo. O ciclo das rochas no livro didático é uma linha reta elegante. Na prática, nada disso funciona assim.

Quais são os três tipos de rocha

O primeiro é a rocha ígnea. Ela se forma do resfriamento do magma ou do lava. Granito e basalto são os exemplos mais conhecidos. O granito é intrusivo, resfriou devagar lá embaixo, então os cristais cresceram grandes e dá pra ver a olho nu. O basalto é extrusivo, resfriou rápido na superfície, cristais microscópicos, cor escura, densidade maior. A diferença de textura entre os dois vem puramente da taxa de resfriamento, não da composição química em muitos casos. O segundo é a rocha sedimentar. Aqui a bagaça é mais variada. Tem as clásticas, que são fragmentos de outras rochas empacotados e cimentados — arenito, argilito, conglomerado. Tem as químicas, que precipitam da solução, como o calcário e o evaporito (gesso, sal-gema). E tem as orgânicas, formadas por acúmulo de restos de organismos, como carvão e alguns calcários biogênicos. A característica comum é que elas se depositam em camadas, ou strata. Se você vê estratificação, provavelmente é sedimentar.

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O terceiro é a rocha metamórfica. Rocha preexistente que sofreu mudança na estrutura mineralógica e/ou textural devido a calor, pressão ou fluidos quentes, sem passar pelo estado líquido. Xisto, gnaisse, mármores, quartzito. A regra geral é: quanto mais deformação e temperatura, mais densa e mais metamorfisada a rocha fica. Micaxisto tem foliação bem marcada porque os minerais achatados se orientaram perpendicularmente à direção da pressão. Gnaisse tem bandas de minerais claros e escuros alternados. Aqui vai algo que os livros não destacam o suficiente: a fronteira entre esses tipos é frequentemente borrada no campo. Encontrei um caso recente numa formação no quadrilátero ferrífero onde o que parecia ser um gnaisses clássico tinha inclusões de matriz sedimentar não completamente relictas. O metamorfismo não substituiu tudo — algumas camadas de sedimento só habían sidorecristalizadas seletivamente. Se você confiar cegamente no aspecto visual, vai classificar errado. A solução foi fazer análise de minerais index como a cordierita e a andaluzita pra definir o grau metamórfico, e não apenas a aparência geral. Leva tempo, mas evita erro de classificação na hora.

Outro detalhe que todo mundo perde: as rochas sedimentares clásticas não são apenas "pedras quebradas coladas". O tamanho do grão, o arredondamento, o grau de seleção e a matriz podem te dizer coisas muito específicas sobre o ambiente deposicional. Um arenito bem selecionado e arredondado não veio do mesmo lugar que um conglomerado mal selecionado com clastos angulosos. O primeiro passou por bastante transporte fluvial ou eólico. O segundo ficou perto da fonte, provavelmente uma ruptura íngreme como uma falha ou colúvio de encosta. Isso importa se você tá trabalhando com reservatórios de água ou hidrocarbonetos, porque a textura controla diretamente a permeabilidade. O problema prático é que muitos iniciantes tentam classificar rochas só olhando. Sem lupa, sem ácido clorídrico, sem saber ler uma seção delgada, a taxa de erro é altíssima. Rochas metamórficas de baixo grau e sedimentares consolidadas parecem muito similares visualmente. A resposta correta muitas vezes envolve testar com ácido (para carbonatos), verificar a resposta à fratura (conchoidal em sílex e quartzito versus granular em arenitos), e observar a presença de fósseis ou estruturas primárias que só existem em sedimentares.

A classificação em três tipos é útil como ponto de partida, mas no dia a dia geológico você lida com rochas que misturam processos. Uma mesma unidade pode ter origem ígnea, sofrer metamorfismo regional e depois ser erosionada e re-depositada como sedimentar clástica. O ciclo das rochas não é , é uma rede caótica onde cada rocha já passou por múltiplas histórias. Reconhecer isso evita armadilhas na hora de interpretar qualquer área que você for estudar.