Quais São Os Verbos Impessoais - Verbos Impessoais: O Que São, Exemplos, Exercícios – AUDEFA
Verbos Impessoais: O Que São, Exemplos, Exercícios – AUDEFA

O que você precisa saber sobre verbos impessoais

A maioria dos estudantes trava na hora de conjugar porque não entende de cara que alguns verbos simplesmente não têm sujeito. Não é uma regra arbitrária — é uma questão lógica. O verbo existir, por exemplo, não existe para ninguém. Ele existe ponto final. E é exatamente isso que define os verbos impessoais. Para quem está estudando para concurso ou se preparando para uma prova do ENEM, saber quais são os verbos impessoais economiza horas de revisão desnecessária. O segredo não é decorar a lista inteira, mas entender o princípio por trás.

quais são os verbos impessoais na prática

Os verbos impessoais são aqueles que não se ligam a um sujeito, seja ele explícito ou implícito. Eles só aparecem na terceira pessoa do singular, sem exceção. Os principais são: Acontecer — não se usa "aconteceu eu" ou "aconteceram fatos". Sempre "aconteceu fatos". O verbo fica no singular mesmo quando o complemento é plural.

Existir — "existem problemas" é correto, mas "existe problemas" também aparece muito na fala coloquial. Na norma culta, o certo é concordar: "existem problemas". Porém, quando o sujeito é singular, o verbo também fica: "existe um problema". Faltar — aqui tem umapegadinha que muita gente erra. "Faltam duas horas" está correto. "Falta duas horas" é erro comum. O verbo concorda com a coisa que falta, não com a pessoa que sente a falta. Mas cuidado: "faz duas horas que não o vejo" — o verbo fazer, nesse caso, é impessoal e fica sempre no singular.

Haver — no sentido de existir, é impessoal. "Havia muitos candidatos" e nunca "haviam muitos candidatos". Esse é um dos erros mais frequentes em provas. Já quando haver significa praticar uma ação ("Ele houvia todas as promises"), aí é pessoal e varia normalmente. Mas esse uso é antiquado, praticamente extincto. Fazer — quando indica tempo decorrido, é impessoal. "Faz dois anos que não viagem". Nunca "fazem dois anos". Esse é outro clássico de prova.

Precisar — no sentido de ser necessário, também é impessoal. "Precisa-se de funcionários" (voz passiva) versus "Precisa funcionário" (impessoal). A diferença é sutil mas importante. Ser — nas indicações de hora, idade e distância, funciona de forma. "São duas horas", "Era verão", "Dois quilômetros é longa distância". O sujeito aqui pode aparecer e o verbo concorda normalmente, mas em algumas construções o uso fica fixo.

Parecer — quando a "ficar parecer", é impessoal. "Parece que vai chover" — aqui "que vai chover" é oração substantiva subjetiva, então o verbo permanece no singular mesmo que o conteúdo da oração seja plural.

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Como identificar na hora da prova

O método mais seguro é aplicar o teste do sujeito. Tente perguntar "quem pratica essa ação?" Se não houver resposta possível, o verbo é impessoal e fica na terceira pessoa do singular. Se conseguir encontrar um sujeito, aí é pessoal e deve concordar. Pegue o verbo haver. Pergunte: quem haver? Não faz sentido. Impessoal. Pegue o verbo existir. Quem existe? Alguém. Pessoal. A regra é simples, mas a aplicação exige atenção aos contextos mais complexos.

Um erro muito comum é tratar o verbo haver como sinônimo de existir em todas as situações. Na verdade, haver como impessoal só vale para o sentido de existência. Quando você diz "o livro havia na estante", isso é errado. O certo é "o livro estava na estante" ou "o livro existia na estante" — aí sim, com sujeito explícito, o verbo varia.

O caso que ninguém ensina

Eu estava corrigindo redações de um cursinho pré-vestibular e um aluno escreveu: "Houveram muitos problemas durante o evento." Marquei como erro e o aluno questionou. "Professor, se existir pode no plural, por que haver não pode?" Aí entrou uma nuance que a maioria dos manuais não explica direito. O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal por convenção histórica, não por lógica gramatical. Ele veio do latim "habere" e, com o tempo, perdeu a possibilidade de flexão nesse sentido. Já existir vem de "existentia" e mantém a flexão normalmente. São verbos diferentes com funções parecidas, mas tratamentos grammaticais diferentes. Não tente racionalizar — memorize a exceção.

Outro caso que peguei recentemente foi com o verbo "doer". "Doem os meus olhos" versus "Dói os meus olhos". Tecnicamente, doer é um verbo que pode ser usado de forma impessoal (quando se refere a dor física genérica: "dói a cabeça") ou pessoal (quando o sujeito é a parte do corpo que dói: "doem os olhos"). A confusão é tanta que até professores debatem. O que faço é recomendar o uso mais seguro: na dúvida, trate como impessoal e use a terceira pessoa do singular. É mais provável que esteja certo.

Resumo rápido para consulta

Verbos impessoais clássicos: haver (no sentido de existir), fazer (tempo decorrido), existir, acontecer, parecer (em certas construções), precisar (no sentido de ser necessário). Todos ficam na terceira pessoa do singular. Quando o verbo é pessoal, ele concorda. Quando é impessoal, não. A diferença entre "faz dois anos" (impessoal) e "ele faz dois anos" (pessoal — aniversário) é um exemplo perfeito. Mesma forma verbal, funções completamente diferentes. Preste atenção ao contexto.

Se quiser praticar, a melhor forma é tentar reescrever frases com esses verbos, substituindo-os por sinônimos pessoais. Se a frase continuar gramatical, o verbo original era impessoal. Se ficar estranho, provavelmente era pessoal. Funciona como um teste rápido que não requer consultoria de gramática pesada.