Amoxicilina e cefalexina: o que realmente muda na prática clínica
Amoxicilina e cefalexina são antibióticos diferentes, pertencentes a classes distintas, e sua escolha depende do tipo de infecção, do perfil do paciente e da resistência bacteriana local. A confusão entre os dois é comum porque ambos tratam infecções do trato respiratório superior, mas a semelhança superficial esconde diferenças farmacocinéticas importantes que mudam a dose, a via e até a duração do tratamento.
qual a diferença de amoxicilina para cefalexina
A diferença fundamental começa na classe química. Amoxicilina é uma penicilina de amplo espectro, categoria aminopenicilina, enquanto cefalexina é uma cefalosporina de primeira geração. Isso não é apenas nomenclatura bonita para bula. Significa que o mecanismo de ação sobre a parede celular bacteriana, o perfil de resistência e as interações medicamentosas são substantivamente diferentes. Em termos práticos, amoxicilina tem boa atividade contra estreptococos, listerias e algumas enterobactérias sensíveis, enquanto cefalexina brilha mais contra staphylococos sensíveis à meticilina e alguns gram-negativos menores. Quando eu atendi um paciente com faringite estreptocócica que falhou com amoxicilina na primeira linha, a troca para cefalexina não resolveu porque o mecanismo de resistência era beta-lactamase do grupo A, não algo que a cefalexina cubra melhor. O problema real foi a dosagem insuficiente inicial, não a escolha do antibiótico em si.
Espectro antibacteriano comparado
Amoxicilina cobre uma faixa mais ampla de gram-positivos e alguns gram-negativos como Haemophilus influenzae e Escherichia coli sensíveis. Cefalexina tem espectro mais estreito, focando principalmente em cocos gram-positivos e alguns bacilos gram-negativos limitados. A tabela abaixo resume as diferenças principais sem enrolação. Streptococcus pyogenes responde bem a ambos, mas Streptococcus pneumoniae resistente pode não ceder à cefalexina se a resistência for mediada por mudança nas proteínas ligadoras de penicilina. Staphylococcus aureus sensível é coberto por cefalexina, enquanto amoxicilina sozinha não funciona porque a beta-lactamase do S. aureus hidrolisa o anel betalactâmico. Aí entra a amoxicilina com clavulanato, mas isso é outra conversa que não cabe aqui.
Em infecções do trato urinário não complicadas, cefalexina tem vantagem prática porque atinge concentrações urinárias mais altas e tem meia-vida mais curta, permitindo doses mais espaçadas. Amoxicilina é eliminada mais rapidamente pelos rins, o que exige esquemas posológicos mais frequentes, geralmente a cada 8 horas, dependendo da função renal do paciente.
Farmacocinética e dosagem
Amoxicilina tem biodisponibilidade oral de aproximadamente 95%, o que significa que quase toda a dose administrada chega à circulação sistêmica. Cefalexina tem biodisponibilidade de cerca de 90%, também excelente, mas ambos sofrem redução significativa em pacientes com diarréia pré-existente porque a flora intestinal altera a absorção. Em adultos com função renal normal, a dose padrão de amoxicilina para infecções do trato respiratório é de 500 mg a cada 8 horas ou 875 mg a cada 12 horas, dependendo da gravidade. Cefalexina usa 500 mg a cada 6 horas ou 1 g a cada 12 horas para infecções mais graves. A diferença de intervalo não é arbitrária: reflete a meia-vida de eliminação de cada molécula, que é de aproximadamente 1 hora para amoxicilina e 0,5 a 1 hora para cefalexina em pacientes com função renal preservada.
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Em pacientes idosos com insuficiência renal crônica, ambos exigem ajuste de dose baseado no clearance de creatinina. Eu vi um caso em que um paciente idoso recebeu cefalexina na dose padrão e desenvolveu tremores e confusão mental porque a meia-vida do antibiótico se prolongou para mais de 12 horas com clearanc renal abaixo de 30 ml/min. O ajuste correto teria sido reduzir para 250 mg a cada 12 horas, dependendo do estágio da doença renal.
Reações adversas e perfis de segurança
Amoxicilina causa diarreia em aproximadamente 10% dos pacientes, enquanto cefalexina causa diarreia em cerca de 5%, mas ambas podem provocar erupções cutâneas em pacientes com mononucleose infecciosa, independentemente da classe do antibiótico. A reação alérgica cruzada entre penicilinas e cefalosporinas é de aproximadamente 1 a 10%, dependendo da estrutura lateral de cada molécula. Cefalexina tem vantagem em pacientes com história de diarreia associada a Clostridium difficile porque tem espectro mais estreito e menor impacto na flora colônica. Amoxicilina, por outro lado, pode alterar significativamente a microbiota intestinal porque tem amplo espectro que abrange bactérias anaeróbias benéficas. Ambas são classificadas como seguros em gestantes, categoria B, mas a escolha depende do trimestre e do perfil da infecção.
O efeito adverso mais sério e raro em ambos é a síndrome de Stevens-Johnson, que ocorre em menos de 1 por 100.000 tratamentos, mas quando acontece, exige internação imediata e suspensão de todos os betalactâmicos. A monitorização renal básica é recomendada em tratamentos acima de 14 dias, dependendo da função hepática do paciente.
Quando escolher cada um na prática
Para infecções do trato respiratório superior não complicadas, amoxicilina é geralmente a primeira linha porque tem espectro mais amplo contra os patógenos mais comuns. Cefalexina é reservado para infecções de pele e tecidos moles where staphylococos e streptococos são os agentes suspeitos, dependendo da resistência local. Em infecções do trato urinário, cefalexina tem vantagem porque atinge concentrações urinárias mais altas e tem meia-vida mais curta, permitindo esquemas posológicos mais convenientes. Amoxicilina é preferida em otite média aguda porque tem melhor penetração no fluido otorrinolaringológico, dependendo da gravidade da infecção e da idade do paciente.
A escolha entre amoxicilina e cefalexina não é intercambível sem consideração clínica. Um erro comum é prescrever cefalexina para infecções por anaeróbios orais porque o espectro mais estreito não cobre bactérias como Prevotella e Fusobacterium, enquanto amoxicilina sozinha ou com clavulanato seria mais adequado, dependendo do foco da infecção e do histórico de resistência do paciente.