Qual É A Classe Gramatical Desses Verbetes - Qual A Classe Gramatical Desses Verbetes - BRUNIV
Qual A Classe Gramatical Desses Verbetes - BRUNIV

Como identificar a classe gramatical dos verbetes num dicionário

Muita gente vê um verbete e assume automaticamente que aquilo é um substantivo, só porque aparece no cabeçalho em maiúsculas. O problema é que os dicionários modernos classificam de formas diferentes, e se você não sabe o padrão que está usando na frente, cai em erro todo dia. A classe gramatical de um verbete indica a que categoria morfológica aquela entrada pertence: substantivo, verbo, adjetivo, advérbio, preposição, conjunção, pronome, numeral, interjeição ou artigo. No entanto, a forma como isso é marcado varia conforme o tipo de dicionário e a tradição lexicográfica por trás dele.

qual é a classe gramatical desses verbetes e por que isso importa na prática

Em dicionários tradicionais como o Houaiss ou o Michaelis, a classe é indicada com uma abreviatura entre parênteses logo após o lemma, antes da definição. Verbo recebe vi (intransitivo), vt (transitivo), vit (transitivo direto e indireto). Substantivo aparece como s.m. ou s.f.. Adjetivo é a.. A coisa fica confusa quando o verbete é polissemante e muda de classe entre acepções diferentes. Eu tive um problema específico com um verbete de software de processamento de texto que lia automaticamente a marcação de classe para indexação. O dicionário tinha entradas onde o mesmo verbo aparecia como vt numa acepção e como vi noutra, com as mesmas formas conjugadas. O script estava pegando apenas a primeira marcação e atribuindo a classe inteira ao registro. A solução foi comparar o complemento que a acepção exigia, e não confiar cegamente na sigla do cabeçalho. Se o verbo podia ser seguido de objeto direto numa definição e de preposição noutra, eu validava pela estrutura sintática do exemplo, não pela etiqueta.

O mesmo problema aparece com verbos que são classificados como pron. em certas tradições, quando na verdade são pronomes relativos ou interrogativos que o dicionário resolveu tratar como verbos por conveniência tipográfica. Não é um erro grave, mas muda tudo na hora de construir um analisador morfológico.

O que observar nos verbetes antes de classificar

A primeira coisa é ler a abreviatura de classe antes de ler a definição. Isso parece óbvio, mas a maioria dos erros acontece porque as pessoas leem o exemplo primeiro e tentam inferir a classe depois. A inferência é onde erram. Os verbetes de verbo costumam vir acompanhados do paradigma conjugacional ou de uma nota sobre os tempos e modos. Se o verbete lista pret. perf. inst., impf. subj. e assim por diante, é verbo. Sem dúvida. Já os substantivos vêm com gênero marcado quando há variação: s.m. e s.f. para palavras biformes, apenas s.m. para constantes. A exceção que mais causa confusão é a dos substantivos comuns de dois gêneros, como a vítima e o vítima, onde a classe é a mesma mas o gênero varia conforme o referente.

Adjetivos seguem padrão próprio. Eles aparecem como a. e podem vir com grau: a. sup. para superlativo absoluto sintético, que muitos dicionários marcam separadamente. Advérbios são adv. e às vezes têm subcategorização: adv. neg., adv. affirm., adv. de tempo. Essa subcategorização é importante quando você está montando um corpus anotado, porque advérbios de tempo e advérbios de modo se comportam de maneiras completamente diferentes na sintaxe. Preposições e conjunções são as categorias mais perigosas para iniciantes. Um verbete como como pode ser advérbio, conjunção comparativa, preposição ou até partícula expletiva, dependendo do contexto. Se o dicionário não marcar explicitamente a classe em cada acepção, você gasta minutos ou horas tentando decidir pela análise contextual. Eu costumo cross-reference com o Dicionário de Usos do Português, que tem uma tradição mais rigorosa nesse tipo de distinção.

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Erros comuns ao classificar verbetes

O erro mais frequente é assumir que a forma do verbete determina a classe. Palavras paroxítonas terminadas em -ão quase sempre são substantivos, mas irão é verbo. Palavras terminadas em -mente são advérbios, com raras exceções como aliançadamente, que alguns dicionários tratam como adjetivo arcaico. Não confie apenas na morfologia superficial. Outro erro comum é ignorar a polissemia. O verbete banco pode ser substantivo masculino (assento, instituição financeira, banco de dados) e também verbo (banquear, na gíria). Se você classificar como apenas substantivo, perde a acepção verbal. O correto é verificar se o dicionário separou as acepções por classe ou as agrupou sob uma única marcação.

Os dicionários de língua portuguesa mais usados têm padrões diferentes entre si. O Aurélio marca classes de forma diferente do Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Ernesto Faria de Melo, que por sua vez segue convenções diferentes do Dicionário Eletrônico Houaiss. Quando você trabalha com múltiplas fontes, essa inconsistência se torna um problema real, não teórico. Eu cheguei a perder duas semanas tentando harmonizar classificações porque o Houaiss usava s.comm.2g. para substantivos comuns de dois gêneros e outro dicionário simplesmente não marcava gênero em absoluto.

Casos limítrofes e exceções que valem a pena saber

Há verbetes que não se encaixam confortavelmente em nenhuma classe tradicional. Os denominados "palavras invariantes" costumam ser a maior fonte de confusão. Sim, não, cem, mais e menos podem ser classificados como advérbios, mas em certas construções funcionam como partículas discursivas ou até como conectores disjuntivos, dependendo da análise. Numerais também geram polêmica. Dois é numeral cardinal, mas quando aparece como o dois no sentido de "o número dois", comporta-se como substantivo. Dicionários sérios marcam isso. Dicionários apressados não marcam, e aí você precisa discernir pelo contexto.

Os verbos auxiliares merecem atenção especial. Ser, estar, ter e vir são classificados como verbos, mas seu uso funcional na frase pode transformar a estrutura sintática completa. Ao classificar verbetes para um analisador morfológico, o tratamento padrão é manter a classificação de verbo, mas adicionar uma tag funcional que diferencie o uso atributivo do uso auxilia. Sem isso, o sistemaclassifica frases como "eu tenho ido" como tendo dois verbos principais, quando na verdade ter aqui é claramente auxiliar de aspecto progressivo.

Como proceder de forma prática

Leia a abreviatura de classe antes de tudo. Confirme com a definição e com os exemplos. Se houver polissemia com mudança de classe, trate cada acepção separadamente. Para trabalho automatizado, use dicionários com marcação XML-TEI ou pelo menos com padronização consistente, porque dicionários em PDF ou image scan praticamente impossibilitam a extração confiável de classificações morfológicas. Se você precisa de dados prontos, o Corpus do Brasileiro e o UD_PT (Universal Dependencies para português) têm anotações morfológicas padronizadas que mapeiam diretamente para as classes gramaticais tradicionais. A conversão é quase automática quando se conhece o mapeamento POS-to-CLASSE: NOUN = substantivo, VERB = verbo, ADJ = adjetivo, ADV = advérbio, ADP = preposição, PART = partícula, CCONJ = conjunção coordenativa, SCONJ = conjunção subordinativa, DET = determinante/artigo, NUM = numeral, PRON = pronome, INTJ = interjeição, AUX = verbo auxiliar (muitas vezes anotado como VERB nas treespadrão).