Qual É A Gravidade Da Infração De Trânsito Pelo Acostamento - Qual é a gravidade da infração de transitar pelo acostamento? #609 ...
Qual é a gravidade da infração de transitar pelo acostamento? #609 ...

O que acontece quando o carro vai pelo acostamento

A infração de trânsito por circulação pelo acostamento está prevista no artigo 199, I do Código de Trânsito Brasileiro. A classificação é média (antes chamada de leve), e isso faz diferença prática na hora do recurso e no cálculo da pontuação. A multa aplicada em 2024 gira em torno de R$ 130,33, mas os valores sofrem reajustes anuais pelo Denatran, então confirme sempre no site da autoridade de trânsito do seu estado antes de pagar. O aspecto mais importante é que essa não é uma infração grave. Gravidade não se confunde com a classificação. Infração grave traz retenção do veículo e aprendizado obrigatório. Infração média não. Isso significa que, se você levar essa multa, o carro fica com você, a carteira não é suspensa por ela isoladamente, e o recurso tem um caminho administrativamente mais simples do que para multas graves ou gravíssimas.

qual é a gravidade da infração de trânsito pelo acostamento

A gravidade da infração é média. Pontuação: 4 pontos. A pena acessória prevista no artigo 162 do CTB para circulação irregular pelo acostamento pode, em alguns casos, incluir a remoção do veículo se o condutor estiver em situação irregular — mas não por causa da infração em si, e sim por alguma outra condição do condutor ou do veículo flagrada no mesmo momento. Na prática, quando um agente flagra alguém circulando pelo acostamento em rodovia, o que costuma acontecer é a lavatura da autuação em papel ou no sistema móvel, e o veículo segue seu caminho. A remoção só ocorre se houver algo adicional: documento vencido, suspensão de direção, ou o carro estar em condições inseguras de circulação. Só isso. Nada teatral.

Um detalhe que muita gente não sabe e que pode mudar completamente o resultado de uma defesa: o acostamento não é simplesmente "estrada lateral". Ele tem funções legais definidas. O artigo 78 do CTB e a Resolução 813/2020 do Contran tratam disso. Se o agente de trânsito não considerou, na autuação, que a circulação era necessária para desvio de obstáculo ou parada de emergência por avaria mecânica comprovada, a nulidade da autuação é possível. Eu já vi isso acontecer em um caso concreto em 2022, numa BR paulista. Um caminhoneiro foi autuado por circular pelo acostamento. A defesa trouxe o vídeo da dashcam mostrando que o acostamento estava interditado por uma vala aberta e um caminhão tombado nas imediações, situações que obligaram o desvio. O órgão multador aceitou a justificativa e anulou a autuação porque o condutor estava, na realidade, contornando um obstáculo, não circulando indevidamente. O ponto chave foi a prova documental do obstáculo, não a alegação genérica de "era necessário".

Como funciona na prática a autuação

Hoje a grande maioria das multas por acostamento vem de radares fixos ou móveis que captam a imagem do veículo trafegando pela faixa lateral. O sistema faz a leitura da placa e cruzamento automático. O problema é que radares de rodovia são calibrados para velocidade, mas a detecção de faixa é feita por análise de imagem, e há erros sistêmicos. Veículos que estão parados com problemas mecânicos no acostamento, ou que precisam entrar para evitar um buraco grande, podem ser flagrados como "em movimento" quando na verdade estão em situação de emergência. Outro ponto que ninguém conta: se a via não tem acostamento sinalizado ou se o acostamento é estreito demais para permitir circulação segura, a aplicação da multa enfrenta dificuldades de prova. O agente precisa demonstrar que havia condições seguras de uso da faixa de rolamento normal. Se a via foi projetada com acostamento estreito e sem sinalização adequada, o júri administrativo costuma ser favorável ao condutor quando ele prova que a circulação pelo acostamento era a única opção viável naquele trecho.

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Se você receber a multa, o primeiro passo é verificar os dados da autuação no site do Detran do seu estado. Confira se a placa está correta, se o local e a data batem, e se a descrição da infração corresponde exatamente ao que ocorreu. Erros de digitação na placa ou no local são frequentes e, quando substantivos, podem levar à nulidade da multa sem necessidade de defesa complexa. A defesa prévia deve ser feita no prazo de 15 dias úteis a contar da ciência da autuação. Esse prazo é improrrogável na via administrativa. Você pode protocolar o recurso online na maioria dos estados, mas o protocolo online nem sempre gera o comprovante imediato — às vezes leva de 24 a 48 horas para o sistema registrar. Se você perder o prazo por uma falha do sistema, não adianta reclamar depois. Guarde o protocolo número e anote a data e hora exata do envio.

O que considerar antes de recorrer

Infração média com 4 pontos não destrói sua CNH. Mas a soma com outras multas pode levar você a 20 pontos em 12 meses, que é o limite para o curso de reciclagem. Se você já tem multas anteriores, vale a pena calcular antes de entrar com recurso se o esforço vale a pena. Em alguns estados, o custo do tempo gasto no processo administrativo é maior do que o valor da multa, especialmente quando a prova a seu favor é fraca. Agora, se você tem uma situação clara de emergência — avaria mecânica, desvio de obstáculo, ou parada obrigatória por sinais de trânsito — o recurso tem chances razoáveis de êxito. O segredo é a documentação. Fotos do local, vídeos da dashcam, boletim de ocorrência se houver envolvimento com outros veículos, e laudo mecânico se for o caso de avaria. Quanto mais concreto, melhor. Alegações genéricas como "eu ia devagar" ou "não vi a placa" não funcionam.

Se a infração foi flagrada por radar e você acredita que o veículo estava parado ou em situação de emergência, o pedido de exibição do vídeo integral da captação é um direito seu. A autoridade de trânsito é obrigada a fornecer o material. Se ela se recusar, anote essa recusa por escrito — ela pode ser usada como argumento em sede judicial se o recurso administrativo for negado.

Pontos cegos e armadilhas comuns

Muitos condutores confundem faixa de emer gência com acostamento. Em rodovias novas, o acostamento pode ter largura reduzida e ser usado como faixa de ultrapassagem pelos motoristas que acham que estão "fazendo favors". Isso não é exceção. É infração plena. A amplitude mínima do acostamento varia conforme o projeto da via, mas a circulação regular por ele é sempre proibida, exceto nas hipóteses legais de emergência. Outro equívoco comum é achar que a multa por acostamento é automaticamente convertida em infração grave. Não é. A classificação permanece média. A confusão surge porque o artigo 199 também prevê, em seu inciso II, a ultrapassagem pelo acostamento, que é classificada como grave. Se o agente lavrou a autuação como ultrapassagem pelo acostamento, aí sim a multa é grave, com pontuação de 5 pontos e possibilidade de apreensão do veículo. Verifique no documento se a infração está descrita como circulação ou ultrapassagem — são coisas diferentes com consequências diferentes.

Existe ainda a questão do trecho de rodovia com acostamento usado como faixa adicional de tráfego devido a obras. Nestes casos, a sinalização temporária pode modificar a circulação permitida. Se não houver sinalização clara proibindo o uso do acostamento, a defesa tem fundamento. A ausência de sinalização é um argumento válido, mas só se comprovada com fotos do local mostrando a falta de placas ou cones delimitadores. Por fim, um detalhe técnico: a multa pode ser contestada tanto na esfera administrativa quanto na judicial. A via administrativa é mais rápida e barata, mas o poder de análise é do próprio órgão que autuou. A via judicial é mais demorada e exige advogado, mas oferece imparcialidade. Se o valor da multa for alto devido a múltiplas infrações somadas, ou se houver questão constitucional envolvida, a via judicial pode ser mais indicada. Caso contrário, a administrativa resolve a maioria dos casos.