O coletivo de cebola que as gramáticas costumam indicar
A resposta mais comum e aceita nos materiais de referência é nardeira. Vem do latim nasticula, e designa um conjunto de cebolas plantadas ou colhidas juntas. É o tipo de palavra que você encontra em dicionários de coletivos e listas de curiosidades linguísticas, mas dificilmente aparece no dia a dia de quem não estuda português como disciplina.
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qual o coletivo de cebola
Então, pra responder de forma direta: o coletivo de cebola é nardeira. Só que a realidade não para aí. Quando você vai usar isso na prática, esbarra em problemas que pouca gente menciona. O primeiro é que praticamente ninguém fala "nardeira" em conversas normais. Se você disser "tive que arrancar aquela nardeira", as pessoas vão olhar torto. O segundo problema, bem mais chato, é que nardeira também pode designar conjuntos de outras plantas da mesma família, dependendo do autor e da obra consultada. Diferentes gramáticos variam nesse ponto, e não existe uma autoridade única que resolva de vez. Eu me peguei com esse problema há uns anos, num trabalho de revisão textural pra uma publicación técnica sobre cultivo de bulbos. O autor usava "nardeira" repetidamente, mas o público-alvo eram produtores rurais que jamais tinham ouvido a palavra. A solução foi simples, só demorou pra decidir: troquei por "canteiros de cebola" sempre que a descrição se referia à área plantada, e reservrei "nardeira" apenas pra um parêntese explicativo na primeira ocorrência. Funcionou. O texto ficou claro sem perder a precisão.
Outro detalhe que quem começa a brincar com coletivos costuma ignorar: existem coletivos alternativos ou regionais que às vezes aparecem. "Conjunto de cebolas" é a alternativa segura e invariável quando você não quer depender de vocabulário especializado. Não é elegante, mas é correto e compreensível. A palavra "nardeira", por outro lado, tem uso limitado a contextos mais literários, didáticos ou de listas prontas para prova. Fora disso, o risco de soar artificial ou de gerar ambiguidade cresce bastante. Se o seu objetivo é pura corretude gramatical pra prova ou concurso, guarde nardeira. Se o objetivo é comunicação real, prefira construções mais explícitas e evite depender de coletivos raros. A língua funciona assim: a forma certa no papel nem sempre é a forma que funciona na prática.