A resposta curta e a complexa na prática
O plural de qualquer cidadão é quaisquer cidadãos. A concordância funciona assim: "qualquer" vira "quaisquer" e "cidadão" vira "cidadãos". O resto é regra básica do português. Mas, como sempre, a coisa complica quando você para pra pensar nos detalhes que ninguém fala.
Qual o plural de qualquer cidadão e por que as pessoas erram
O erro mais comum que eu vejo em textos formais, petições jurídicas e até em editais de concurso é simplesmente deixar "qualquer" no singular quando o contexto exige plural. Alguém escreve "qualquer cidadão poderá solicitar" quando está se referindo a múltiplas pessoas. A frase continua gramaticalmente aceitável em certos registros, mas perde precisão. Se o sentido é plural, use "quaisquer cidadãos". É simples, mas a falta de atenção faz esse erro aparecer com frequência. Outra pegadinha que eu encontrei na prática — e que não estava em nenhum manual que eu consultasse — diz respeito à construção com verbos de regência variável. Em um relatório que eu fiz sobre acesso a serviços públicos, precisei escrever algo como "quaisquer cidadãos que possuam residência comprovada". O problema não era o plural em si, mas a intersecção entre a concordância do pronome indefinido e a flexão do participo. Eu já tinha visto versões incorretas como "quaisquer cidadãos que possua" em documentos oficiais. A forma certa é manter a concordância natural: "quaisquer cidadãos que possuam". O verbo fica no plural porque o sujeito "cidadãos" é plural, não porque o "quaisquer" dita outra coisa.
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O que as gramáticas normativas menos destacam é que qualquer, quando usado como pronome indefinido antes de um substantivo, tem comportamento ligeiramente diferente de outros indeterminados como "todo" ou "certo". Enquanto "todo cidadão" vira "todos os cidadãos" (com artigo), "qualquer cidadão" vira "quaisquer cidadãos" sem artigo obrigatório. Essa diferença sintática explica por que frases como "quaisquer cidadãos podem entrar" soam naturais, mas tentar inserir artigo — "os quaisquer cidadãos podem entrar" — soa artificial e, na maioria dos registros formais, incorreto. Em contextos jurídicos, esse detalhe importa porque mudanças sutis na estrutura podem alterar o escopo de uma norma. Um edital que fala de "qualquer cidadão" está se referindo a indivíduos isolados, enquanto "quaisquer cidadãos" sugere um grupo indeterminado, mas plural. A nuance não é enorme, mas em redação de documentos legais ela conta. Eu já corrigi um contrato onde o uso indevido do singular havia gerado ambiguidade sobre se a cláusula se aplicava a cada pessoa individualmente ou a um coletivo. A correção foi substituir por "quaisquer cidadãos", alinhando o texto com a intenção real do redator original.
Se você precisa de uma referência rápida, a forma correta é quaisquer cidadãos. Em casos de dúvida na hora de escrever, o teste mais confiável é ler a frase em voz alta. Se soar estranho com "qualquer" seguido de um plural evidente, troque para "quaisquer". Funciona na maioria das vezes.