Qual O Procedimento Não Usa Radiação Ionizante - Exposição à radiação não ionizante nos ambientes de trabalho
Exposição à radiação não ionizante nos ambientes de trabalho

Procedimentos de imagem que não envolvem radiação ionizante

Quando alguém pergunta qual o procedimento não usa radiação ionizante, a resposta curta é: ressonância magnética e ultrassonografia. Mas na prática, a coisa tem mais nuances do que as pessoas imaginam.

Qual o procedimento não usa radiação ionizante

A ressonância magnética (RM) é o procedimento que mais se destaca quando o assunto é evitar radiação. Ela usa campos magnéticos fortes e ondas de rádio para gerar imagens. Nada de raios-X, nada de radiação ionizante. Já a ultrassonografia (US) usa ondas sonoras de alta frequência. É literalmente som transformado em imagem. Também zero radiação. Tem ainda a elastografia, que é basicamente um ultrassom com uma função extra para medir a rigidez dos tecidos. E a termografia, que capta calor corporal, mas essa já é mais rara no dia a dia clínico. Eu trabalho com isso há anos e já vi paciente reclamar que o médico pediu "um exame sem radiação" e o receituado era uma tomografia. Tomografia usa radiação ionizante. Sempre tem. A confusão é comum porque os pacientes ouvem "exame de imagem" e assumem que todos são iguais. Não são. Um problema que eu enfrento frequentemente é quando o paciente tem um marcapasso ou implante metálico e precisa de imagem. A ressonância magnética era contraindicação absoluta antigamente. Hoje existem dispositivos "resonância compatíveis", mas você precisa verificar o modelo exato, o ano de fabricação e as especificações do fabricante. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu precisei ligar para o hospital e pedir a ficha técnica do implante antes de liberar a RM. Sem essa conferência, o risco é real. As pessoas costumam achar que ultrassom é inofensivo o tempo todo. Não é bem assim. O efeito térmico existe, especialmente em exames obstétricos prolongados. A recomendação da maioria dos conselhos de medicina é usar o princípio ALARA mesmo no ultrassom — tanto poder quanto necessário, nem mais. Não é radiação, mas o ultrassom não é mágica gratuita. A ressonância magnética tem suas próprias limitações brutais. O tempo de exame é longo. De 20 a 60 minutos dependendo da região. Pacientes claustrofóbicos podem não conseguir completar. O ruído é alto, tipo 110 dB em algumas sequências, então protetores auditivos são obrigatórios. E o custo é bem mais elevado que o ultrassom. Num SUS sobrecarregado, uma RM de coluna pode levar semanas para agendar. Isso não é um detalhe qualquer. Se você precisa de uma alternativa rápida e sem radiação para avaliar órgãos abdominais, a ultrassonografia resolve na maioria dos casos. Para tecidos moles, articulações, cérebro e medula espinhal, a ressonância magnética é muito superior. Para ossos e pulmões, nenhum dos dois é ideal, e aí a tomografia ou radiografia simples entram, mas aí sim com radiação ionizante. O conselho prático é sempre confer o tipo de exame no pedido antes de comparecer. Se o receituado diz "ressonância magnética" ou "ultrassonografia", você está seguro. Se diz "tomografia" ou "radiografia", tem radiação ionizante envolvida. E se o médico mencionou "cintilografia" ou "PET-CT", também tem. Esses são os que usam radiofármacos. Eu já vi gente deixar de fazer um exame por medo de radiação quando na verdade o exame pedido era ressonância. O medo é comprensível, mas informação errada gera problema também. O importante é saber exatamente o que está sendo pedido antes de tomar qualquer decisão.