Como identificar acentuação e concordância corretas em provas
Essa dúvida aparece o tempo todo em questões de concursos e do ENEM. A pergunta padrão pede para você marcar qual alternativa apresenta acentos gráficos e concordância verbal ou nominal corretos. Parece simples, mas muitas pessoas erram por confiança demais ou por não revisar os detalhes finos. O primeiro passo é sempre separar duas coisas distintas: acentuação e concordância. São regras diferentes que devem ser verificadas em momentos diferentes. Não adianta olhar só o acento e ignorar se o verbo concorda com o sujeito. O ideal é fazer duas leituras. Na primeira, foca apenas na concordância. Na segunda, checa acentuação e morfologia.
qual sentença a seguir tem acentos e concordância corretos
Vamos a um exemplo prático com opções reais no formato das provas: A) O local onde estudamos foi inaugurado ontem.
B) Faltam dois dias para a prova, não é verdade?
C) Faz dois anos que não o vejo.
D) Eu não estou mais paciência com tanta burocracia.
E) Vossa Senhoria parecerá satisfeito com o resultado.
A resposta correta é a letra B. Vamos entender o porquê examinando cada erro. Na alternativa A, o problema é o uso de "onde". A norma culta exige que "onde" substitua apenas ideia de lugar físico. Se a oração não indica lugar, deve-se usar "em que". "O local em que estudamos" seria o correto. Essapegadinha aparece com frequência em bancas como FGV e Cesgranrio.
Na alternativa C, "faz dois anos" está errado. O verbo "fazer" indicando tempo decorrido é impessoal e deve ficar na terceira pessoa do singular. O certo é "faz dois anos", que já está grafado assim, mas o erro real aqui seria escrever "fazem dois anos", que muitos candidatos fazem automaticamente. Se a banca apresentasse essa forma, estaria errada. No enunciado acima, a alternativa C está textualmente correta quanto ao verbo, mas o erro real da questão seria outra variante. Deixe-me reformular com mais precisão para o exemplo didático: Se a banca apresentasse "Fazem dois anos que não o vejo", isso seria erro de concordância verbal. O verbo "fazer" no sentido de tempo decorrido não varia: "faz dois anos", "faz três meses". Esqueça a lógica de concordância com o sujeito aqui porque não há sujeito.
Na alternativa D, "não estou mais paciência" está completamente fora da norma. O correto seria "não aguento mais paciência" ou "já não tenho mais paciência". O erro é de regência e construção verbal. Bancas adoram cobrar isso porque revela se o candidato realmente domina a língua ou só decorou regras soltas. Na alternativa E, "Vossa Senhoria parecerá" tem problema de número. "Vossa Senhoria" é tratamento formal de segunda pessoa que exige verbo na terceira pessoa do singular, mas o adjetivo que acompanha deve concordar logicamente. Se for singular masculino, "parecerá satisfeito" pode parecer correto, mas o tratamento exige "parecerá satisfeita(o)" dependendo do gênero do interlocutor. Na prática de prova, o erro mais comum aqui é usar "parecerão satisfeitos" no plural quando o tratamento é singular, ou vice-versa. A alternativa B não apresenta nenhum desses problemas.
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Agora vamos para a concordância nominal, que é onde as pessoas mais erram. Um caso que me aconteceu pessoalmente foi corrigindo simulados para um aluno: ele insistia que "bastantes motivos" estava errado e que deveria ser "bastante motivos". A regra é simples mas contra-intuitiva: "bastante" no plural funciona como adjetivo e concorda ("bastantes motivos"), enquanto no singular é advérbio e fica invariável ("ele falou bastante"). A armadilha é que muitos confundem os dois usos na hora da prova. Outro ponto que quase ninguém lembra é a concordância com "menos". "Menos" é invariável. "Havia menos pessoas" nunca será "haviam menos pessoas". Isso cai muito em provas de nível médio e superior.
Sobre acentuação, a pegadinha mais frequente envolve o uso de crase. A crase só ocorre diante de palavras femininas que aceitam artigo "a". "Fui à praia" existe crase porque se pode dizer "fui à (a + a) praia". "Fui a Lisboa" não existe crase porque Lisboa não recebe artigo feminino. O erro clássico é colocar crase antes de verbo, nome próprio masculino, palavra masculina ou pronome de tratamento — exceto "senhora", "senhorita" e "domina", que aceitam. Essa última exceção é a que mais gera dúvida. Também é importante dominar a regra do acento diferencial. Palavras como "pôde" (pretérito) versus "pode" (presente), "pára" (verbo parar) versus "para" (preposição), "pêlo" (pelos) versus "pelo" (preposição + artigo), "péla" (verbo pelar) versus "pela" (preposição + artigo) têm acento para distinguir sentidos. Em provas, uma única dessas formas sem acento basta para eliminar uma alternativa.
Um detalhe que poucos consideram é a posição dos pronomes átonos. Em português brasileiro formal, a ênclise é a norma: "Disse-me que viria". Mas em contextos de prova, às vezes a banca exige a próclise quando há palavras atrativas como advérbios, pronomes relativos ou conjunções: "Não me disse que viria", "Quem me disse que viria?". O erro aqui não é de acentuação, mas de concordância morfossintática, e aparece frequentemente misturado com questões de acentuação para confundir o candidato. Uma estratégia que funciona na prática é a eliminação em cadeia. Ao encontrar uma alternativa, não pense se ela está certa. Pense em TODAS as outras e identifique pelo menos um erro claro em cada uma. Se uma alternativa sobra sem erro identificável, ela é provavelmente a correta. Isso evita que você escolha por viés de confirmação, marcando a primeira que parece aceitável.
O principal problema desse tipo de questão é que a banca pode cobrar variantessobre as quais você não estudou. Às vezes a questão usa uma construção arcaica ou uma regência pouco usual apenas para testar conhecimento específico, não senso comum. Nesses casos, a leitura criteriosa de cada palavra é mais importante do que tentativas de "deixar soar bem". Se a frase soa estranha mas não há erro gramatical identificável, desconfie: pode estar correta e ser a resposta mesmo assim. Para quem estuda regularmente, o ganho real está em treinar com provas anteriores da mesma banca. Cada organizador tem preferências próprias. A FGV adora cobrar crase em situações ambíguas. O Cespe cobra concordância nominal com adjetivos compostos. O Ibanca Cobra acentuação gráfica de hiatos e ditongos com frequência. Conhecer esses padrões economiza tempo e reduz erros bobos.
No fim das contas, dominar acentuação e concordância exige prática deliberada, não apenas leitura passiva de regras. Faça pelo menos cinquenta questões do tipo antes da prova, cronometre o tempo e revise cada erro. A diferença entre acertar e errar costuma ser um detalhe minúsculo que só aparece quando você exercitou o olhar crítico repetidamente.