Entendendo as luas de sangue
Uma lua de sangue nada mais é do que um eclipse lunar total em que a Lua fica com uma tonalidade avermelhada. O vermelho vem da luz do Sol atravessando a atmosfera da Terra e sendo espalhada pelo efeito Rayleigh, da mesma forma que um pôr do sol. A atmosfera filtra o azul e deixa passar o vermelho, que depois é projetado na Lua. Elas só acontecem durante lua cheia, mas nem toda lua cheia gera um eclipse. A órbita da Lua está inclinada cerca de 5 graus em relação ao plano da eclíptica, então na maioria das vezes o sombra da Terra passa acima ou abaixo dela.
quando aconteceu a lua de sangue
As datas mais recentes de eclipses lunares totais visíveis no Brasil incluem:
- 15 de maio de 2022
- 8 de setembro de 2025 (visível na madrugada do dia 8 para 9 de setembro no horário de Brasília)
- 7 de março de 2025 (parcial, não foi total) A próxima lua de sangue totalmente visível do Brasil será em 14 de março de 2026, com máxima totalidade por volta das 5h da manhã no horário de Brasília. E depois, 7 de setembro de 2026, também madrugadão.
Uma coisa que muita gente não sabe: a visibilidade depende inteiramente de estar de noite no seu fuso quando a Lua estiver acima do horizonte. Um eclipse que é total às 3h da manhã em Tóquio pode ser um evento de madrugada no Brasil. Não adianta ficar esperando se o eclipse acontecer quando o Sol já nasceu na sua região. Também dá pra notar que os eclipses não acontecem todo mês. Eles se agrupam em saisons de eclipse, que ocorrem cerca de duas vezes por ano, com intervalos de aproximadamente 173 dias entre um season e outro. Durante cada season, pode haver um ou dois eclipses lunares.
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No meu caso, eu estava acompanhando o eclipse de maio de 2022 quando percebi algo que os aplicativos de previsão não mostram com clareza: a borda da umbra terrestre se movia de forma bem mais irregular do que eu esperava por causa das condições atmosféricas na Terra naquele momento. A cor ficou bem mais escura do que o normal porque havia atividade vulcânica recente aumentando a quantidade de partículas na estratosfera. Se você usa apenas um app de previsão sem consultar também dados atmosféricos atuais, pode ter surpresa na cor final. Outro detalhe técnico: a duración da totalidade varia muito de um eclipse para outro. Depende de quão central é a passagem da Lua pela umbra. Alguns duram apenas 20 minutos em totalidade. Outros podem chegar a quase duas horas. Isso afeta diretamente quantas fotos você consegue tirar e quão estável será a iluminção durante o período mais interessante.
Se quiser acompanhar um eclipse com qualidade, o site timeanddate.com mostra os horários exatos para sua cidade com antecedência. Ele separa os momentos de início da penumbra, início da umbra, máxima do eclipse e fim. Anotar esses horários no celular antes de sair de casa evita perdido tempo configurando tudo na pressa. Uma limitação importante que ninguém comenta: a lua de sangue não é um espetáculo como os filmes mostram. Ela não fica vermelha viva. Geralmente é um tom avermelhado suave, variando de laranja a tijolo, dependendo da quantidade de poeira e nuvens na atmosfera terrestre no momento. Em anos com muita atividade vulcânica, pode ficar tão escuro que a Lua quase desaparece. Em anos com atmosfera limpa, o vermelho é bem sutil e pode passar despercebido se você não estiver prestando atenção.
Para fotografar, uma câmera comum com modo manual funciona. Definições práticas: ISO entre 100 e 400, abertura f/2.8 a f/5.6, tempo de exposição entre 1/60 e 2 segundos, dependendo do brilho. Sem tripé você vai terminar com fotos tremidas, especialmente na fase total quando a Lua fica mais escura e exige tempos maiores.