A confusão que todo mundo tem com os porquês
Muita gente trava na hora de escrever porque o português coloca quatro formas parecidas no mesmo caminho. Você já deve ter visto alguém escrevendo "porquê" quando na verdade seria "por que", ou "porquee" em vez de "porque". A questão é simples, mas os erros acontecem tão frequentemente que parece que as regras não fazem sentido. A gente começa com o básico e vai complicando depois. O primeiro ponto é entender que não existe uma regra mágica. Existe contexto sintático, e é isso que decide qual forma usar. Não adianta decorar tabelas. Adianta olhar para a função que a palavra está desempenhando na frase.
Como resolver quando usar cada porque
A regra prática mais útil é verificar se a palavra pode ser substituída por "razão", "motivo" ou "por qual motivo". Se puder, você lida com o interrogativo ou com o substantivo. Se não puder, muito provavelmente é a conjunção causal ou a pergunta indireta. O "porque" sem acento e sem hífen é a conjunção causal. Ele conecta duas orações e significa "pois", "já que", "visto que". Exemplo clássico: "Não fui à reunião porque estava doente." Troque por "pois" e a frase continua funcionando. Esse é o mais usado, o mais frequente no dia a dia, e também o que mais gera erro porque as pessoas sentem vontade de colocar acento ou hífen por influência dos outros usos.
O "por quê" separado com acento só aparece quando funciona como pronome interrogativo ou como substantivo no final de uma frase. Na prática, ele aparece em dois cenários bem definidos. O primeiro é em perguntas diretas no final da oração: "Você fez isso por quê?" O segundo é quando "por quê" funciona como substantivo e vir precedido de artigo ou determinante: "Não sei o porquê da sua decisão." Note que nesse segundo caso ele vira um substantivo e pede artigo, o que é um sinal claro. O "por que" separado sem acento é o interrogativo propriamente dito. Ele aparece em perguntas diretas ou indiretas, substituível por "por qual motivo" ou "pelo qual". "Por que você não chamou?" equivale a "Por qual motivo você não chamou?" Já em contextos relativos, funciona como pronome relativo: "A razão por que viajei foi outra." Nesse caso, equivaleria a "pela qual" ou "pelo qual", dependendo da regência.
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O "porquê" com acento e sem hífen é simplesmente o substantivo masculino. Ele nomeia a própria ideia de motivo, razão. "Ele não explicou nenhum porquê." É raro, mas quando aparece o contexto exige algo como "um porquê", "os porquês", "meus porquês". Se dá para pluralizar e colocar artigo, você está diante do substantivo. Cada forma tem uma função diferente e elas não se sobrepõem. O problema é que na fala brasileira a pronúncia praticamente apaga as diferenças, então o ouvido não ajuda. Só a análise sintática resolve.
A armadilha que ninguém conta
A maior confusão não está entre "porque" e "porquê". Está entre o "por que" interrogativo e o "porque" causal. Eles são graficamente semelhantes e semanticamente relacionados, mas ocupam posições completamente diferentes na estrutura da frase. O "por que" pergunta. O "porque" responde. Essa distinção elementar já resolve a maioria dos casos, mas existem situações onde a linha fica mais tênue. A pergunta indireta é um deles. "Não sei por que ele demorou." Aqui o "por que" parece causal, mas na verdade é uma pergunta encoberta. Você pode testar transformando em pergunta direta: "Por que ele demorou?" Se a pergunta direta funciona, o "por que" separado é a forma correta mesmo na indireta.
Outro ponto que causa transtorno é a abreviação informali