Entendendo os tempos de lançamento espacial
Se você está acompanhando lançamentos de perto, já deve ter percebido que "chegar ao espaço" não é um evento único com duração fixa. Depende totalmente do que você chama de espaço e do que o foguete precisa fazer depois disso.
Quanto tempo demora para chegar no espaço
O limiar aceito internacionalmente é a linha de Kármán, a 100 km de altitude. Foguetes suborbitais como o New Shepard da Blue Origin levam cerca de 10 a 12 minutos para cruzar essa linha após a decolagem. Eles sobem, cortam os motores, os passageiros experimentam alguns minutos de microgravidade e retornam. Não entram em órbita. Para chegar à órbita baixa da Terra, onde fica a Estação Espacial Internacional a 400 km, o tempo sobe. Um Falcon 9 leva aproximadamente 8 minutos para atingir a altitude orbital e a velocidade necessária, mas o ciclo completo até a separação do estágio superior e estabilização em órbita gira em torno de 10 a 12 minutos. O Ônibus Espacial, que era bem mais pesado, também levava cerca de 8 minutos e meio até a órbita de inserção.
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Em termos práticos, a maior parte do esforço acontece nesses primeiros minutos. Os motores trabalham no máximo, o foguete atravessa a atmosfera mais densa e precisa vencer a gravidade o mais rápido possível. Depois disso, gran parte do resto é ajustar velocidade e altitude com queimas menores. Um detalhe que poucos explicam bem: a altitude não é o problema principal, é a velocidade. Para ficar em órbita, você precisa atingir cerca de 28.000 km/h. Sem essa velocidade, qualquer coisa que suba vai simplesmente cair de volta. Por isso foguetes inclinam gradualmente durante a subida — não estão apenas subindo, estão acelerando horizontalmente enquanto ainda têm atmosfera para atravessar.
Já vi gente confundindo o momento da separação dos propulsores de empuxo inicial com a chegada ao espaço. Eles se separam segundos após a decolagem, quando o foguete ainda está a uns 40 km. Isso não é espaço. É apenas a primeira etapa sendo descartada porque já esvaziou o tanque. Outro ponto importante: missões que vão além da órbita baixa, como as viagens à Lua, levam dias. A Apollo 11 levou cerca de 3 dias. Sondas que vão para Marte, anos. Mas isso já é outra conversa, porque aí o combustível e a trajetória mudam completamente.
Se o seu interesse é acompanhamento de lançamentos, recomendo prestar atenção não só ao T-minus mas também ao término da queima do primeiro estágio e à separação do segundo. Esses são os marcos que realmente indicam progresso. O resto é ruído.