Quantos Neuronios Tem O Ser Humano - Quantos Neurônios O Ser Humano Tem - FDPLEARN
Quantos Neurônios O Ser Humano Tem - FDPLEARN

O número exato não existe

Se você procurar na internet, vai encontrar respostas de 86 bilhões a 100 trilhões. A maioria dos artigos repete números que foram errados há décadas e ninguém corrigiu. O valor que faz sentido vem de uma pesquisa publicada em 2009, feita por uma equipe da Universidade de São Paulo liderada por Suzana Herculano-Houzel. Eles desenvolveram um método que permite contar neurônios de forma real, sem estimativa grosseira. O protocolo consiste em dissolver o tecido cerebral com detergente, transformar o cérebro em uma solução homogênea de núcleos celulares e then contar esses núcleos com uma câmara de contagem automatizada. Esse é o padrão que a comunidade científica leva a sério hoje.

Quantos neurônios tem o ser humano: a resposta curta

O cérebro humano adulto contém aproximadamente 86 bilhões de neurônios, com uma margem de erro de cerca de mais ou menos 10 bilhões. Isso significa que a faixa real, com boa confiança estatística, fica entre 76 e 96 bilhões. A confusão acontece porque, antes de 2009, o número de 100 bilhões era usado como estimativa educacional, não como dado medido. Não havia método de contagem confiável para o tecido intacto. Os pesquisadores que queriam usar esse número em artigos técnicos tinham que lidar com revisores que cobravam a referência original, que era simplesmente um cálculo antigo baseado em cortes histológicos manuais, não em contagem direta. O que mais complica é que existem células que não são neurônios mas que são chamadas assim no senso comum. São os gliócitos — astrócitos, oligodendrócitos, micróglias. A proporção entre neurônios e glia varia muito dependendo da região cerebral e do indivíduo. Em algumas áreas, como o cerebelo, os gliócitos chegam a ser mais numerosos que os próprios neurônios. Já no córtex cerebral, a relação é diferente, e a contagem depende de qual camada cortical você está analisando. Quando vejo alguém usar o termo "cérebro tem 100 bilhões de células" sem especificar, geralmente está misturando os dois tipos.

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Tenho um problema concreto que encontro sempre quando preciso apresentar dados numéricos para projetos. A maioria das bases de dados abertas, como o Allen Brain Atlas, não exporta a contagem de neurônios como campo primário. Eles trabalham com volume tecidual e densidade celular por milímetro cúbico. Se você precisa de um número absoluto para um orçamento de pesquisa ou para justificar uma simulação computacional, tem que multiplicar a densidade pela extensão volumétrica da região de interesse, e aí surgem duas fontes de erro: a delimitação anatômica e a variação individual do volume cerebral. Eu resolvi isso creando um script que cruza dados de ressonância magnética com tabelas de densidade neuronais regionais do atlas de Zilles, mas mesmo assim o resultado final ainda oscila entre 78 e 94 bilhões dependendo do sujeito mapeado. O importante é deixar claro que não existe um número fixo que sirva para todos. Outro detalhe que poucos mencionam é a perda neuronal ao longo da vida. Não se trata de uma morte celular massiva como ocorre em doenças neurodegenerativas, mas de uma redução progressiva e lenta que começa por volta dos 20 anos. Estima-se que a taxa média de perda seja de cerca de 1% a cada década após a maturidade completa. Um adulto de 50 anos pode ter, em média, entre 70 e 80 bilhões de neurônios, e um idoso de 80 anos pode estar na faixa dos 60 a 70 bilhões. Essas cifras dependem muito de fatores genéticos, estilo de vida, condições vasculares e exposição crônica a toxinas. O cérebro compensa essa perda com plasticidade sináptica, mas a contagem absoluta diminui e isso é mensurável com técnicas de imagem funcional combinadas a modelos computacionais de densidade neuronal.

Se alguém precisar de uma referência confiável, o artigo base é "The number of neurons in the human brain" de Suzana Herculano-Houzel, publicado na revista Frontiers in Human Neuroscience em 2009. O método deles foi replicado em estudos subsequentes e os números se mantêm. Qualquer site que cite 100 bilhões de neurônios ou mais provavelmente está usando material didático desatualizado ou misturando neurônios com células da glia. A diferença não é pequena, é de cerca de 14 bilhões segundo a contagem mais aceita atualmente. O custo para realizar uma contagem neurológica precisa com o protocolo original fica na casa dos R$ 15 mil a R$ 30 mil por amostra, dependendo da infraestrutura do laboratório e do tempo de processamento. Isso inclui reagentes especiais, câmara de contagem automatizada e pessoal técnico especializado. Por isso, a maioria dos estudos que precisam desse dado opta por calcular a partir de volumes cerebrais mapeados por ressonância magnética, assumindo a densidade neuronal média regional. Essa abordagem alternativa introduz uma margem de erro adicional, mas é viável para escopo acadêmico comum. Apenas não confunda densidade com número absoluto.