Botijão de gás: peso real e o que a etiqueta não te conta
O peso de um botijão de gás depende do tamanho e do tipo de gás, mas a informação mais procurada pelos consumidores é bem simples. Um botijão de cozinha P13 (o comum) cheio com 13 quilos de GLP tem cerca de 17 a 18 kg no total, incluindo o peso da própria garrafa vazia. A etiqueta indica o peso do conteúdo, mas não o peso bruto — algo que gera confusão na hora de verificar se o botijão está realmente cheio.
quantos quilo pesa um botijão de gás cheio na prática
Na prática, eu já vi gente pagar por um botijão cheio e levantar no braço, achar estranho o peso e levar de volta à revenda. Às vezes a pessoa leva um botijão que tem 12 kg de conteúdo, às vezes 11,8, porque o enchimento é feito por peso, não por volume. O botijão é pesado em balança calibrada antes de sair, mas a tolerância aceitável varia entre as distribuidoras. O peso aproximado de cada modelo de botijão de gás:
- P13 (13 kg de conteúdo): peso bruto entre 17 kg e 18 kg. A carcaça vazia pesa cerca de 4,5 kg a 5 kg.
- P20 (20 kg de conteúdo): peso bruto entre 24 kg e 25 kg. Usado em restaurantes e churrasqueiras maiores. A carcaça pesa cerca de 4,8 kg.
- P45 (45 kg de conteúdo): peso bruto entre 49 kg e 50 kg. Comum em indústrias e fogões comerciais. Carcaça vazia pesa cerca de 18 kg a 20 kg, dependendo do material.
- P275 (275 kg): usado em grandes indústrias. Peso bruto acima de 300 kg.
A Norma Regulamentadora NR-13 e a norma técnica ABNT NBR 15521 definem tolerâncias de enchimento. O botijão precisa ser pesado com exatidão, mas existe uma margem permitida. Se o botijão P13 veio com menos de 12,5 kg de GLP, você pode reclamar. Se veio com 13,5 kg, também pode reclamar — embora seja raro o excesso grande. Eu já tive um caso específico em que um botijão P13 veio com 12,2 kg. O cliente pesou em balança de banheiro e não bateu com o esperado. Achei estranho no início, porque o botijão parecia ter peso suficiente. Descobri depois que a revenda tinha acabado de trocar o selo de segurança e o enchimento estava abaixo da tolerância. A solução foi ir ao posto de pesagem credenciado, pedir a medição oficial do conteúdo e solicitar a complementação ou troca. Nada muito burocrático, mas exige ter o pedido fiscal em mãos e procurar a revenda original.
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Outro detalhe importante: o botijão de gás não enche até o fundo. O GLP é armazenado no estado líquido, mas ocupa apenas 80 a 85% da capacidade interna da carcaça. O restante é espaço para expansão térmica. Se enchessem 100%, a pressão interna poderia subir perigosamente com o calor. Por isso existe o limitador de nível, uma peça interna que impede o enchimento além do volume seguro. Essa regra é padrão internacional, adotada pela ISO e pela ABNT. Existem armazéns de distribuição que medem o peso líquido com balanças de precisão de 50 g. Outros usam balanças industriais com resolução de 200 g. A diferença é pequena, mas pode fazer o botijão chegar com 12,9 kg em vez de 13,1 kg. Para uso residencial, essa variação não é perceptível. Para uso comercial de alta demanda, onde o botijão acaba em poucos dias, vale a pena conversar com o fornecedor sobre a tolerância de enchimento.
Algumas pessoas pesam o botijão inteiro em balança doméstica e subtraem o peso teórico da carcaça vazia. É um método aceitável para verificação rápida, mas a balança precisa estar calibrada e na posição horizontal. Já vi gente colocar o botijão no tapete da sala, usar balança de banheiro e tirar conclusões erradas. O botijão deve ser pes ado em superfície plana, com a válvula para cima, e o peso da carcaça vazia deve ser consultado na própria tampa ou no manual do fabricante. O peso da carcaça vazia está gravado na alça superior do botijão, junto com a data de fabricação, o código do fabricante e o peso bruto máximo. Esse peso é chamado de TARE (weight empty). Não é um número fixo para todos os botijões — varia conforme o fabricante, o lote e o tipo de aço. Um botijão P13 pode ter TARE de 4,5 kg, outro pode ter 4,7 kg. A diferença é pequena, mas afeta o cálculo do peso bruto.
Se você quer verificar se o botijão está cheio de forma precisa, o melhor caminho é pesar em um posto credenciado pelo INMETRO. Eles têm balanças certificadas e emitem o laudo de medição. Esse serviço é gratuito na maioria dos postos de revenda autorizados. Basta levar o botijão e o pedido fiscal. Uma particularidade que poucos sabem: o botijão de gás pode perder peso com o tempo mesmo fechado. O GLP é um gás liquefeito sob pressão, e pequenas perdas por permeação natural da válvula ou do anel de vedação ocorrem ao longo de meses. Um botijão que ficou parado por dois anos pode ter perdido 200 a 500 g de conteúdo. Não é um defeito, é física. Se o botijão estiver vencendo a data de recertificação (geralmente a cada 5 anos), o peso não é mais garantia de integridade.
Existe ainda a questão do botijão ser recertificado. A recertificação exige inspeção visual da carcaça, teste hidrostático e troca do anel de vedação. Após a recertificação, o botijão recebe uma nova data de validade gravada na tampa. Botijões fora da validade não devem ser enchidos, mas algumas revendas ainda os comercializam. O risco é baixo em condições normais, mas a segurança exige que o botijão esteja dentro da data de recertificação. Se você mora em região de difícil acesso, onde o botijão demora para chegar, vale a pena manter um estoque de segurança. O botijão vazio não deve ser jogado no lixo comum. Ele precisa ser devolvido à revenda, que encaminha para a recarga ou para a destinação adequada. Alguns municípios têm pontos de coleta seletiva para botijões vazios. Consulte a prefeitura local.