O parágrafo final em textos dissertativo-argumentativos
que parágrafo constitui o desfecho
O desfecho geralmente aparece no último parágrafo do texto, mas nem sempre é tão óbvio quanto parece. A simples contagem de parágrafos não garante que você identificou corretamente a conclusão. No Enem e em vestibulares, a banca cobra a identificação do desfecho com base em elementos estruturais e argumentativos, não na posição. Ao corrigir provas e trabalhos de alunos nos últimos anos, percebi que muita gente erra ao marcar a última sequência como desfecho apenas porque está no fim do texto. O problema é que alguns autores colocam uma refutação ou um contra-argumento após a conclusão verdadeira, o que desloca o desfecho para uma posição não final. Já vi casos em que o parágrafo de fechamento era seguido por um complemento expositivo que parecia um parágrafo final, mas não exercia função conclusiva.
Para identificar o desfecho com segurança, você precisa observar quatro critérios simultaneamente. O primeiro é a presença de retomada da tese. O segundo é a função de fechar o raciocínio. O terceiro é a ausência de introdução de novos argumentos. O quarto é o uso de marcadores como portanto, assim, consequentemente, nesse sentido, diante disso, em síntese. O marcador linguístico é uma pista importante, mas não definitiva. Um parágrafo pode começar com "portanto" e ainda assim ser um desenvolvimento que responde a uma objeção. A chave é a função do parágrafo dentro da argumentação completa. Se o parágrafo retoma a tese e apresenta uma projeção, uma solução ou uma síntese do que foi discutido, ele está exercendo a função de desfecho.
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Há uma situação complicada que pouca gente considera. Quando o autor utiliza uma estrutura em espiral, onde o texto volta ao ponto inicial e o amplifica, o parágrafo final pode parecer uma repetição do primeiro. Isso acontece em textos que usam a técnica da anáfora ou da recapitulação retórica. Nesses casos, o desfecho se confunde com a introdução ampliada, e a distinção depende da análise do conteúdo, não da forma. No meu dia a dia com correções, o erro mais frequente é o aluno escolher o penúltimo parágrafo quando o verdadeiro desfecho está no último, ou vice-versa. A causa raiz é a falta de leitura atenta da função argumentativa de cada sequência. Recomendo a seguinte técnica prática: leia o último parágrafo isoladamente. Em seguida, pergunte se ele poderia ser movido para o início do texto sem prejuízo do raciocínio. Se a resposta for não, esse parágrafo provavelmente é o desfecho. Se a resposta for sim, você pode estar diante de um parágrafo introdutório disfarçado.
Outro problema recorrente são textos com desfecho implícito. Alguns autores, especialmente em gêneros jornalísticos ou em ensaios mais literários, deixam a conclusão subentendida. O parágrafo final traz apenas uma ideia nova ou um exemplo, e o fechamento real precisa ser deduzido pelo leitor. Nesse cenário, a pergunta "que parágrafo constitui o desfecho" se torna mal formulada, pois não há um parágrafo claramente identificável como desfecho. A resposta correta nesses casos é que o desfecho não está explicitamente marcado em nenhum parágrafo específico. Para quem estuda para concursos, vale saber que a banca FGV costuma cobrar desfechos em posições não convencionais. A Cespe, por sua vez, tende a manter a estrutura tradicional mas introduz parágrafos de encerramento que imitam desenvolvimento. A banca mais traiçoeira é a UNESP, que frequentemente coloca um parágrafo de "desenlace aberto" que deixa o texto propositalmente inconclusivo, e aí a pergunta sobre o desfecho serve para testar se o candidato percebe essa escolha estrutural.
Se você quer praticar com materiais organizados, existe uma coleção de análises de redações nota mil disponíveis para download gratuito no site do Escola Brasil Educação. O material mostra, parágrafo por parágrafo, onde está cada elemento estrutural, inclusive os desfechos mais sutis que já apareceram em provas reais.