Quem Eram Os Jacobinos E Os Girondinos - Quem Eram Os Girondinos , Quais as diferenças entre jacobinos e ...
Quem Eram Os Girondinos , Quais as diferenças entre jacobinos e ...

Grupos políticos da Revolução Francesa

Os jacobinos e os girondinos foram duas facções que disputaram o poder durante a Revolução Francesa, especialmente entre 1792 e 1794. Entender essa diferença é mais relevante do que parece, porque muita gente confunde os dois ou trata como se fossem simplesmente "radicais" versus "moderados". A realidade é bem mais detalhada e, francamente, mais interessante. Jacobinos eram membros do Clube dos Jacobinos, fundado em 1789 em Versalhes e depois transferido para Paris. O nome vinha do convento dos dominicanos na rua Saint-Jacques, onde se reuniam. Era uma rede política que cresceu rapidamente e se espalhou por filiais em todo o país. Seus líderes mais conhecidos foram Maximilien Robespierre, Georges Danton e Jean-Paul Marat. Eles defendiam um governo centralizado, direitos iguais para todos os cidadãos, abolição da escravidão, sufrágio universal masculino e uma república democrática e social. Tinham forte apoio nas camadas urbanas populares, os sans-culottes.

Girondinos eram representados por deputados vindos principalmente da região da Gironda, no sudoeste da França. Líderes como Jacques Pierre Brissot, Condorcet e Clavière. Eram republicanos também, mas tendiam a ser mais federalistas, favoráveis a um poder descentralizado, ao livre comércio e a uma abordagem mais cautelosa em relação à monarquia. Temiam a radicalização das massas e queriam preservar certas conquistas burguesas da revolução sem entregar o poder às classes populares urbanas.

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quem eram os jacobinos e os girondinos

A confusão mais comum é achar que os girondinos eram moderados no sentido de "menos revolucionários". Não era bem assim. Eles eram revolucionários, sim. Queriam república, acabar com privilégios feudais, constituição. O que os diferenciava era a ênfase no federalismo e no respeito às assembleias legislativas regionais. Os jacobinos, por outro lado, acreditavam que a revolução precisava de unidade central forte para sobreviver. Um ponto que poucas pessoas mencionam: os jacobinos não começaram como o grupo terrorífico que ficou conhecido em 1793-1794. Nos primeiros anos, eram bastante diversos internamente. Havia os chamados "montagnards" (a montanha), que eram a ala mais radical, e os "plain" ou "marais", que eram mais centristas. Com o tempo, os moderados foram sendo excluídos e a facção montanhosa assumiu o controle. Foi aí que o Terror ganhou força.

Outro detalhe importante sobre o conflito: a disputa não era apenas ideológica. Era também institucional. Os jacobinos tinham forte influência na Convenção Nacional e na Comuna de Paris. Os girondinos dominavam partes da Convenção e tinham apoio em diversas províncias. Quando a tensão estourou em maio de 1793, os jacobinos mandaram prender líderes girondinos. A resposta foi uma tentativa de guerra civil por parte de algumas províncias girondinas. O resultado foi a vitória jacobina, mas com custo humano alto. No que diz respeito à queda dos jacobinos, Robespierre foi executado em 28 de julho de 1794 (10 de termidor no calendário revolucionário). A partir daí, o governo do Terror enfraqueceu rapidamente. Os sobreviventes girondinos tiveram breve volta ao poder, mas a Convenção Termidoriana acabou consolidando uma nova ordem mais conservadora, que culminaria na ascensão de Napoleão.

Se você está estudando isso para uma prova ou trabalho acadêmico, o erro mais frequente é classificar os dois grupos de forma binária. Na prática, havia indivíduos que mudaram de lado várias vezes ao longo do período. Brissot, por exemplo, foi inicialmente mais radical e depois recuou. Danton, um jacobino, chegou a propor moderacao no auge do Terror e foi executado por isso. A história não é uma linha reta. Um aspecto que poucos livros didáticos destacam: a questão econômica separava os dois grupos de maneira mais clara do que a questão política em si. Os girondinos defendiam o livre-cambismo e se opunham às leis de preço máximo (Lei do Máximo, de 1793) que protegiam os consumidores urbanos. Os jacobinos, pressionados pelos sans-culottes, apoiaram a intervenção estatal nos preços dos gêneros básicos. Essa divergência econômica é que alimentou grande parte do conflito e explica por que o apoio popular era tão desigual entre as facções.