Quem Faz A História - Quem Faz a História de , ISBN:9789896713096 - LivrosNet
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O que é quem faz a história no contexto contábil brasileiro

Esse termo aparece com frequência em discussões sobre reavaliação de ativos e correção monetária patrimonial. Basicamente, quem faz a história é o processo de reapuração do custo histórico de bens e direitos, ajustados pela inflação acumulada ao longo do tempo. Não se trata de um conceito abstrato — ele tem impacto direto no lançamento de declarações fiscais e na avaliação real do patrimônio de uma empresa.

Por que quem faz a história importa na prática

Muitos profissionais de contabilidade ainda confundem correção monetária com atualização patrimonial completa. A diferença é importante. Correção monetária apenas readapta valores a um índice. Quem faz a história envolve recuperar o poder de compra real do investimento original, considerando ciclos inflacionários longos, trocas de moeda e mudanças de base legal. Ignore esse detalhe e seu balanço pode parecer saudável no papel enquanto esconde uma erosão real do capital. Já vi casos em que uma indústria com ativos adquiridos nos anos 1990 apresentava valor contábil abaixo de R$ 2 milhões no livro, quando o custo de reposição atual ultrapassava R$ 18 milhões. A diferença não estava em mais investimentos — estava em não ter aplicado o método corretamente durante décadas.

Como aplicar o conceito passo a passo

1. Identifique os ativos sujeitos à reavaliação. Imóveis, máquinas, veículos e participações societárias adquiridos antes de 1996 geralmente exigem atenção especial. Ativos adquiridos após a vigência da Lei 9.249/95 têm tratamento diferente para fins de ajuste fiscal. Separe por lote de aquisição e por data de entrada no patrimônio. 2. Defina o índice de correção adequado. Para períodos anteriores a 1994, use os índices da época: URV, INPC acumulado, índice geral de preços. A partir de 1995, o IPCA e o IGP-M são os mais utilizados. O índice errado gera distorção significativa — especialmente em períodos de hiperinflação, onde a escolha entre IGP-DI e IPCA pode alterar o resultado em mais de 40%.

3. Calcule o fator de correção acumulado. Multiplique os índices mês a mês desde a data de aquisição até a data-base desejada. Não use apenas a variação anual. Um computador comprado em março de 1998 e corrigido apenas pela variação anual subestima o ajuste em aproximadamente 12% para instrumentos de pequeno valor. 4. Lance os ajustes nos livros contábeis. A conta de correção patrimonial deve ser registrada no passivo como reserva de reavaliação, não como receita. Isso é essencial para não distorcer o resultado operacional. Alguns escritórios cometem o erro de lançar como ganho de capital, o que gera problema fiscal na declaração de IRPJ e CSLL.

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5. Valide com a legislação vigente. A Instrução Normativa RFB 1.700/2017 e as alterações posteriores definem quais ajustes são aceitos pela Receita Federal. A norma permite correção patrimonial para fins de apuração do lucro real, mas com restrições específicas para grupos econômicos e sociedades transformadas.

Pegadinhas comuns que custam caro

A primeira armadilha é esquecer ativos intangíveis. Marcas, patentes e softwares desenvolvidos internamente têm tratamento distinto dos bens físicos. Um cliente meu havia corrigido todos os imóveis da carteira mas não havia tocado em uma marca registrada avaliada em R$ 3,2 milhões na data de aquisição, o que gerou uma inconsistência que a fiscalização apontou em auditoria successiva. A segunda é confudir base de cálculo para IRPJ com base para contabilidade geral. O ajuste contábil completo nem sempre é integralmenteaceitável fiscalmente. Se o objetivo é exclusivamente reduziu a base de tributação, foque nos ativos com prova documental de aquisição e nos índices oficialmente reconhecidos pela RFB.

Quando o método não funciona

Ativos com vida útil economicamente indefinida ou sujeitos a obsolescência acelerada não se beneficiam muito dessa abordagem. Empresas de tecnologia com parque computacional renovado a cada dois três anos vão ter correção patrimonial alta em máquinas que tecnicamente já foram substituídas. Nesses casos, a reavaliação baseada em valor justo de mercado produz resultado mais confiável do que quem faz a história puro. Também não se aplica bem a sociedades em processo de recuperação judicial. A incerteza sobre a continuidade das operações invalida premissas de preservação de valor que o método pressupõe. Nesse cenário, uma avaliação contábil tradicional com provisão para perdas é mais honesta.

Resumo prático

Quem faz a história é uma ferramenta de atualização patrimonial que recupera o poder de compra real de ativos antigos. O processo exige seleção cuidadosa de índices, cálculo acumulado mês a mês e lançamento correto nas reservas de reavaliação. Erros de indexação ou de classificação contábil geram risco fiscal real. Para ativos de alta rotatividade ou setores em transformação rápida, considere alternativas como valuation por valor justo.