A Guerra dos Cem Anos
A Guerra dos Cem Anos foi um conflito que durou de 1337 a 1453, envolvendo principalmente a Inglaterra e a França. O nome é meio enganoso porque houve pausas, tréguas e períodos de relativa calma durante esse tempo todo. No total, foram 116 anos de hostilidades intermitentes.
Quem ganhou a guerra dos 100 anos
França. A monarquia francesa consolidou o controle territorial e saiu como vitoriosa, enquanto a Inglaterra perdeu praticamente todas as suas possessões continentais exceto Calais, que ficou até 1558. A dinastia Plantageneta, que governava a Inglaterra mas também possuía vastos territórios na França, desintegrou-se em termos de influência continental. A Casa de Valois assumiu o trono francês e fortaleceu o Estado moderno. O que muita gente não percebe é que o título "Guerra dos Cem Anos" foi cunhado muito tempo depois, pelos historiadores do século XIX. Na época, ninguém via aquilo como um conflito único. Eram uma série de guerras, disputas de sucessão, revoltas internas e escaramuças que se conectavam de forma orgânica. O problema de sucessão francesa de 1328 foi o estopim, quando Carlos IV morreu sem herdeiro homem e Eduardo III da Inglaterra contestou a escolha de Filipe VI de Valois. A legitimidade dynástica era uma questão séria naquela época.
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As batalhas mais famosas — Crécy em 1346, Poitiers em 1356, Azincourt em 1415 — todas foram vitórias inglesas esmagadoras, muitas vezes com números pequenos derrotando exércitos franceses muito maiores. O que funcionava para os ingleses era o uso massivo de arqueiros com longbow. Cada arqueiro inglês podia soltar seis a doze flechas por minuto, e o alcance eficaz era de cerca de 200 metros. Os arqueiros franceses, armados com arcos menores, não chegavam nem perto disso. Mas as vitórias inglesas não se traduziram em conquista permanente porque a logística de manter um exército no continente era um pesadelo. Suprimentos, dinheiro, tropas para guarnecer cidades ocupadas — tudo isso exigia recursos que a Inglaterra simplesmente não tinha em quantidade suficiente. A virada veio com Joana D'Arc em 1429, mas reduzir tudo a ela seria simplista. Ela teve um papel crucial na moral e na legitimação de Carlos VII, mas o verdadeiro fator estrutural foi a transformação da França. Antes da guerra, a França era um amontoado de feudos semi-independentes. Durante o conflito, a necessidade de defender o território levou à criação de um exército permanente e a centralização do poder real. A Inglaterra passou pelo caminho oposto: a perda das terras francesas enfraqueceu a coroa e abriu caminho para as Guerras das Rosas pouco tempo depois.
Outro ponto que os livros didáticos normalmente ignoram é o custo econômico. A guerra destruiu economicamente grande parte do noroeste da França. Campos queimados, populações dizimadas pela peste e pela violência, comércio estrangulado. A França levou décadas para se recuperar. A Inglaterra também não saiuileda — as tensões fiscais que geraram a guerra continuaram a pressionar a sociedade inglesa por gerações. Se quiser uma fonte confiável e atualizada, recomendo o artigo na Enciclopédia Britânica ou obras do historiador britânico Christopher Allmand. A bibliografia em português é mais escassa, mas existem resumos decentes em manuais de história medieval de universidades brasileiras.