Quem Proclamou A Republica - Proclamação da República: causas, resumo e quem proclamou - Toda Matéria
Proclamação da República: causas, resumo e quem proclamou - Toda Matéria

A proclamação da república no Brasil: o que realmente aconteceu

Muita gente pensa que foi um grande movimento popular. Não foi. Foi um golpe militar bem-orquestrado que aconteceu numa segunda-feira de novembro, sem tiroteio, sem manifestações de rua, sem grande coisa. Só um grupo de militares e civis que decidiu mudar o sistema de governo e pronto.

Quem proclamou a república

Se você estiver procurando por quem proclamou a república, a resposta curta é: Marechal Deodoro da Fonseca. Ele estava no comando das tropas e foi ele quem leu o documento que instaurava a república no Rio de Janeiro, naquela manhã de 15 de novembro de 1889. Mas a história é mais complicada do que isso, e é aí que as pessoas costumam errar. Na prática, Deodoro não era republicano convicto. Ele era um militar do império que se sentia traído pelo governo de visconde de Ouro Preto. O motim nasceu de uma questão orçamentária, não ideológica. Os militares não queriam necessariamente uma república. Queriam que o governo central pagasse os atrasos dos soldos. A república foi uma consequência improvisada, não o plano original.

Os republicanos civis estavam lá, sim. Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Ruy Barbosa, Campo Sales. Eles estavam prontos com um documento escrito dias antes. Quando Deodoro tomou o quartel general, eles apareceram e entregaram o manifesto republicano. Foi quando tudo virou pro lado da república de verdade. Então a resposta completa é essa: Deodoro da Fonseca comandou a ação militar. Os republicanos civis, liderados por Benjamin Constant, aproveitaram o momento e converteram um motim militar numa mudança de regime.

Tem um detalhe que quase todo mundo perde. A proclamação aconteceu no Quartel-General da Brigada de Infantaria, hoje Praça da República, no centro do Rio. O palácio do conde d'Eu estava cheio de família imperial, mas ninguém resolveu resistir. A imperatriz Teresa Cristina e o conde d'Eu simplesmente foram embora pacificamente. Não houve luta. A monarquia desmoronou porque não tinha suporte militar nem vontade de lutar. A elite econômica do café e do comércio já tinha decidido que a república seria melhor pra eles. Outro ponto que gera confusão: Pedro II estava em Petrópolis quando aconteceu. Ele recebeu a notícia e, depois de um conselho com seus ministros, decidiu não opposr resistência. Mandou dizer que respeitaria a vontade do povo. Não era exatamente a vontade do povo, mas ele aceitou o resultado e partiu para o exílio em dezembro daquele ano.

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O governo republicano provisório foi instalado no dia seguinte, 16 de novembro. Deodoro virou chefe do governo provisório. Um decreto dissolveu o senado e a câmara dos deputados. As províncias viraram estados. A bandeira mudou. A separação entre igreja e estado foi decretada logo em seguida, o que irritou bastante a igreja católica na época. Tem um problema comum quando as pessoas pesquisam sobre esse dia. Muitas fontes simplificam demais e transformam em narrativa heroica. A realidade é mais banal. Houve muita coordenação, sim, mas também muita improvisação. Deodoro hesitou várias vezes. Quase não participou do ato final. Foi pego de surpresa pelo próprio sucesso do golpe.

Benjamin Constant, por outro lado, teve um papel central na articulação. Ele era o verdadeiro arquiteto ideológico do processo. Escreveu o manifesto, recrutou os oficiais, coordenou com os civis. Sem ele, talvez o motim tivesse ficado só num pede desoldo e terminado ali mesmo. Se você tá estudando isso pra prova ou pra trabalho acadêmico, preste atenção num detalhe importante. A data oficial é 15 de novembro de 1889, mas o processo começou semanas antes. Os republicanos já faziam reuniões secretas, já tinham redes de contato nos quartéis, já tinham preparedo a opinião pública através da imprensa. O dia 15 foi só o fim de um trabalho de construção política que durou anos.

Tem também a questão das regiões. O Rio Grande do Sul aceitou rápido. São Paulo também. Mas algumas províncias demoraram mais pra se posicionar. A Bahia teve certa resistência. O Norte do país ficou mais indiferente. Não foi uma adesão unânime e imediata em todo o território. O governo provisório durou pouco. Deodoro teve problemas com a imprensa republicana, com a câmara, com seus próprios aliados. Em novembro de 1890, ele tentou fechar a câmara e imposr um regime mais autoritário. Reação veio rápido. Ele foi forçado a renunciar e Floriano Peixoto assumiu. A república brasileira começou então com uma crise interna que já mostrava o padrão de instability que marcaria os primeiros anos.

Se você quiser entender de verdade o que aconteceu, não leia apenas resumos escolares. Olhe os documentos originais, o manifesto de 15 de novembro, as cartas de Benjamin Constant, os diários de bordo dos navios que deveriam apoiar o movimento e não apareceram. A história real tá nessas fontes, não nas narrativas simplificadas que todo mundo repete. O legado disso é enorme. A república brasileira nasceu de cima pra baixo, sem participação popular significativa. Isso influenciou toda a política brasileira nos cem anos seguintes. As elites continuaram controlando o poder. As massas ficaram de fora. O voto existia mas era controlado. A democracia real demoraria muito mais pra chegar.

Se você tá fazendo um trabalho sobre o tema, o essencial mesmo é entender que quem proclamou a república não foi um povo, não foi um líder carismático isolado, foi uma coligação de interesses militares e civis que aproveitou uma crise institucional pro existente pra fazer uma mudança de regime sem grande coisa. Foi eficiente, foi rápido, foi pacífico. Mas também foi elitista e excludente desde o início.