A verdade sobre quem vive na Ilha do Bananal
O povoamento da Ilha do Bananal é bem mais simples do que muitos imaginam. A ilga fica no estado do Tocantins, entre os municípios de Dianópolis, Goianorte, Arraias e Ponte Alta do Tocantins, e abriga comunidades tradicionais que vivem da pesca, da agricultura de subsistência e, em alguns casos, do ecoturismo. Não tem prefeitura única, nem governo local centralizado — o que significa que questões burocráticas como declaração de rendimento ou documentação para programas sociais precisam ser resolvidas fora da ilha, nas cidades vizinhas.
Quem são os moradores da ilha do bananal
Os moradores se dividem basicamente em três grupos. O primeiro são as famílias ribeirinhas, que vivem nas margens do Rio Tocantins e seus afluentes dentro da ilha. Elas têm décadas, às séculos, de presença no local e sobrevivem principalmente da pesca e da roça. O segundo grupo é composto por populações indígenas, com destaque para os Kayapó, que têm terras homologadas em parte do território da ilha e da APA Ilha do Bananal. O terceiro grupo inclui pequenos proprietários rurais e profissionais que trabalham com turismo ecológico, principalmente na época de cheia, quando a população pode dobrar com a chegada de visitantes e familiares. O dado que ninguém conta direitinho é que a ilha não tem rede elétrica generalizada. Nas comunidades ribeirinhas, a energia vem de geradores a diesel ou de pequenos sistemas fotovoltaicos caseiros. Eu já entrei em contato com uma família em São João da Barra, um dos povoados mais isolados, que tinha que viajar duas horas de barco até Dianópolis para qualquer atendimento médico de urgência. Quando o rio estava baixo, a viagem podia levar o dia inteiro. A solução que eles encontraram foi uma radiofrequência com a posto de saúde de Ponte Alta do Tocantins para casos menos graves, mas ainda assim a infraestrutura médica é precária.
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Outro ponto que passa despercebido: a divisão administrativa é confusa. Parte da ilha pertence à APA Ilha do Bananal, criada em 1994, e outra parte ao Parque Nacional do Araguaia, que divide a ilha com a margem direita do rio. Isso significa que existem regras diferentes para cada zona — o que é permitido na área do parque não é permitido na APA, e vice-versa. Quem quer construir, fazer currais ou desmatar para plantar precisa saber exatamente em qual jurisdição está, senão leva multa ou tem o que foi feito retirado sem direito a recurso. Eu vi um case assim acontecer com um criadoiro de gado em 2019: o proprietário achava que era terra devoluta disponível, mas na verdade estava dentro dos limites do parque nacional. O IBAMA interditou e ele perdeu o investimento todo. Sobre números, o Censo do IBGE não traz dados específicos da ilha como um todo, porque ela não é um município. As estimativas mais citadas colocam a população entre 3 mil e 5 mil pessoas distribuídas em vários povoados. Os mais populosos são São João da Barra, Cachoeira dos Patos e Banalinho. Fora esses, existem comunidades menores como Vila Nova, Barra do São Francisco e Santo Antônio do Rio das Mortes, cada uma com suas dinâmicas próprias.
Se você está pensando em visitar ou se mudar para lá, a coisa mais importante é entender o calendário do rio. Na seca, de julho a outubro, muitos caminhos ficam intransitáveis e o acesso por terra se torna viável. Na cheia, de dezembro a maio, as estradas somem e tudo funciona por barco. Planejar a logística fora dessa janela temporal é o erro mais comum de quem chega sem informação.