Uma visão prática sobre o que separou esses três movimentos
Você provavelmente já estudou isso para uma prova ou se preparando para um concurso, mas na hora de explicar de forma clara, as coisas se confundem. A gente precisa de gente entender onde Realismo, Naturalismo e Parnasianismo se encontram e onde eles se separam de verdade, porque o material didático muitas vezes junta tudo numa única aula e aí a bagunça começa.
O que você precisa saber sobre realismo naturalismo e parnasianismo
O Realismo brasileiro, que tem como marco a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881, com Machado de Assis, não é só sobre mostrar a vida como ela é. É sobre uma narrativa que corta o sentimentalismo. O narrador machadiano é cínico, irônico, sabe que a vida não tem aquela lógica de causa e efeito que a gente gosta de imaginar. Quando você lê Rubião, em Dom Casmurro, e percebe que não tem uma solução fácil, que a ambiguidade é proposital, isso é Realismo em ação. A diferença em relação ao Naturalismo é que o Realismo ainda permite espaço para a psicologia, para a dúvida, enquanto o Naturalismo tenta transformar o personagem em produto de fatores externos determinantes. Já o Naturalismo, vindo diretamente do experimento científico de Émile Zola, vai além. O personagem não é apenas influenciado pelo ambiente, ele é vitimado por hereditariedade, classe social, condições biológicas. Em O Cortiço, de Aluísio Azevedo, Jerônimo não é um homem que escolhe deteriorar-se. Ele é arrastado por uma rede de fatores que ele mal controla. A narrativa naturalista trata o ser humano como matéria orgânica em decomposição ou regeneração, sem piedade estilística.
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O Parnasianismo é outro patamar completamente diferente. Enquanto Realismo e Naturalismo se preocupam com o mundo social e humano, o Parnasianismo vira o rosto para a forma pura. Teófilo Gautier, com a ideia da "arte pela arte", diz que o poema não precisa provar nada, não precisa ensinar moral, não precisa refletir a sociedade. Precisa ser belo na sua estrutura. Olavo Bilac e Alberto de Oliveira trabalham com métrica rigorosa, vocabulário cultíssimo, cuidado obsessivo com a palavra certa no lugar certo. Um poema parnasiano como"Soneto de Uma Flor"de Bilac mostra isso na prática: a descrição da flor não serve para nada além de demonstrar domínio técnico. Aqui vai algo que os manuais raramente explicam direito. O Realismo e o Naturalismo no Brasil não surgiram isolados. Eles são parte de um debate mais amplo que envolvia republicanos, positivistas, gente querendo usar a literatura como ferramenta de transformação social. Já o Parnasianismo nasceu como reação ao Romantismo exagerado, mas também como tentativa de profissionalizar o poeta. No final das contas, os parnasianos eram majoritariamente funcionários públicos, como Bilac e Vicente de Carvalho, e essa condição influenciava diretamente sua aversão ao subjetivismo desmedido dos românticos.
Pegadinhas que a gente encontra na prática
Uma coisa que eu sempre vejo alunos confundirem é a relação entre Realismo e Naturalismo como se fossem sinônimos. Eles não são. Todo Naturalismo é realista na base, mas nem todo Realismo é naturalista. Machado de Assis era realista e rejeitava abertamente as ideias naturalistas. Ele dizia que o Naturalismo reduzia o ser humano a instintos e condições biológicas, e isso ia contra a complexidade que ele queria explorar. Outro ponto importante. O Parnasianismo não surgiu como movimento organizado no Brasil da mesma forma que surgiu na França. No Brasil, foi mais uma corrente estética que se impôs dentro do Arcadismo decaden te e que dialogava com a questão da institucionalização literária. A academia, os prêmios, a presença em revistas literárias estabelecidas eram o campo de batalha dos parnasianos. E vale lembrar que o Parnasianismo brasileiro durou mais do que o europeu, sobrevivendo praticamente até os anos 1920, quando o Modernismo chegou e derrubou tudo.
Se você está estudando para um vestibular ou concurção, preste atenção em detalhes específicos. No Realismo, foque na ironia, na quebra da ilusão, na figura do narrador onisciente que mentes para o leitor. No Naturalismo, identifique os determinantes sociais e biológicos que movem os personagens. No Parnesianismo, analise a forma: sonetos, medida exata, rimas pobres ou ricas propositalmente, vocabulário preciso. Cada movimento exige uma lente de análise diferente.