Pequi com arroz do jeito certo
Quem mora no Centro-Oeste já encontrou essa combinação pelo menos uma vez na vida. O pequi é uma fruta bem particular, com cheiro forte e polpa amarela que tinga tudo o que encosta. A receita de pequi com arroz é mais simples do que parece, mas tem um detalhe que estraga fácil: a quantidade de sementes. Se usar o fruto inteiro sem retirar bem as sementes, o prato pode ficar com gosto amargo e até provocar desconforto gástrico em quem não tá acostumado. No meu caso, a primeira vez que fiz foi em Goiânia, numa casa de família onde a tia da minha mãe insistia em moer o pequi junto com o alho pro refogado. O resultado veio amargo demais. Apreendi na prática que o ideal é amassar a polpa com os dedos, tirando as sementes uma a uma antes de refogar. Leva uns dez minutos a mais, mas compensa.
Receita de pequi com arroz
O básico é: arroz cozido no caldo do pequi, cebola refogada, e o tempero verde se quiser. A proporção que eu uso regularmente é uma xícara de pequi polpado para duas xícaras de arroz cru. Esse rendimento dá para quatro pessoas como prato principal, ou seis se for acompanhamento. Os ingredientes simples são: duas xícaras de arroz branco, uma xícara de polpa de pequi sem sementes, uma cebola média picada, três dentes de alho, sal a gosto, e água ou caldo de legumes. Se tiver coentro ou cebolinha, usa uma colher de sopa picada no final. Não precisa de nada além disso.
O processo: refogue a cebola e o alho em óleo ou banha até dourar levemente, adicione a polpa de pequi e deixe fritar por dois minutos em fogo médio. Nesse ponto, junte o arroz cru, mexa bem para incorporar a coloração amada. Cubra com água quente na proporção de duas partes de líquido para uma de arroz, tempere com sal e cozinhe tampado por cerca de quinze minutos, desligando o fogo e deixando emrepousar cinco minutos antes de servir. O segredo é o caldo. Se o pequi for bem maduro, a polpa solta bastante amarelo e gordurosidade que dá cor e sabor ao arroz. Mas pequis muito verdes ou muito maduros podem trazer resultados inconsistentes. O ideal é pegar frutos médios, firmes ao toque, mas que cedem levemente quando apertados. Armazene-os em local fresco e seco por até cinco dias antes de usar.
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Um problema comum é o arroz queimar embaixo. Isso acontece se o fogo estiver alto demais ou se a panela for fina. Use panela de fundo grosso e mantenha o fogo baixo após levantar fervura. O tempo total de preparo é de aproximadamente trinta minutos, sendo quinze minutos ativos e quinze minutos passivos de cozimento. Se quiser variar, pode substituir parte do arroz por arroz integral, mas o tempo de cozimento aumenta para cerca de vinte e cinco minutos e o líquido precisa ser aumentado em quinze por cento. O pequi também combina com frango desfiado, mas aí a receita vira um pilaf, não um arroz simples.
Para quem não gosta de pequi no prato todo, existe a opção de usar apenas o óleo extraído da polpa para temperar o arroz branco tradicional. O resultado é mais suave, com aroma discretos e cor amarelada sem a textura da polpa. Esse método corta o tempo de preparo pela metade, mas perde parte do sabor característico do pequi. Outro detalhe prático: o pequi pode manchar a roupa se derramar. Use avental ou pia de cor clara quando preparar. E se sobrar arroz com pequi, guarde em recipiente hermético na geladeira por até três dias. Reaqueça em fogo baixo com uma colher de água para não ressecar.
A receita de pequi com arroz é um prato típico do Cerrado brasileiro, especialmente em Goiás e Mato Grosso. Não tem história milenar nem mistério. É comida de chão de terra, feita com fogo brando e paciência. O resultado é um arroz amarelo, aromático e leve, que não precisa de nada além de um queijo coalho na lateral para completar a refeição.