O que realmente conta na redação do Enem 2013
A prova de redação do Enem mudou bastante desde então, mas o tema de 2013 continua sendo um dos mais citados por quem corre para entender como a banca avaliava na prática. O assunto pautado foi "Publicidade infantil em questão no Brasil", e a proposta pedia uma dissertação-argumentativa com defesa de ponto de vista e proposta de intervenção. Se você está estudando com essa redação do enem 2013 como referência, precisa saber exatamente onde a maioria dos candidatos perde pontos e como evitar isso.
Como funciona na prática a redação do enem 2013
A correção é feita por dois avaliadores independentes que dão notas de 0 a 200 em cinco competências. A primeira competência avalia a demonstração de domínio da norma culta. A segunda cobre a compreensão do tema e a aplicação de conceitos. A terceira mede a capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações. A quarta trata da escolha de recursos linguísticos e da coesão textual. A quinta é a proposta de intervenção, e é onde a maior parte dos candidatos falha. No ano de 2013, notei que muitos estudantes escreviam dissertações genéricas sobre a publicidade, citando casos como a campanha da Coca-Cola ou o marketing voltado a crianças, mas sem propor algo concreto na competência 5. A banca exigia cinco elementos na proposta de intervenção: agente, ação, meio/modo, efeito e detalhamento. Se faltasse pelo menos um desses elementos, a nota caía drasticamente. Eu via isso todo dia na correção dos simulados.
Um exemplo prático. Um candidato escreveu uma proposta dizendo que "o governo deveria criar leis mais rigorosas". Isso é apenas um agente e uma ação vaga. Para pontuar bem na competência 5, a proposta precisaria especificar: qual governo (federal ou municipal), qual lei (por exemplo, regulação de horários de propaganda), por qual meio (Câmara dos Deputados, mediante projeto de lei), com qual efeito esperado (redução da exposição das crianças a produtos nocivos) e como detalhar (atribuição de fiscalização ao CONAR e ao PROCON). Sem os detalhes, a proposta não passa do básico.
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O erro mais comum e como eu contornei
No dia da prova, muitos estudantes entram em pânico com o tema. Publicidade infantil gera discussões acaloradas, e alguns tendem a escrever textos opinativos, quase como artigos de opinião, em vez de dissertações-argumentativas. Eu já corrigi centenas de provas nesse formato, e o problema era sempre o mesmo: o candidato defendia uma tese, mas usava argumentos subjetivos, como "eu acho que é ruim" ou "minha mãe sempre disse que...", em vez de dados, leis ou pesquisas concretas. O que funciona de verdade é estruturar o texto antes de escrever. Eu costumo recomendar um esboço de 10 minutos com a seguinte divisão: introdução com tese clara (2 a 3 linhas), dois parágrafos de desenvolvimento com argumentos fundamentados (um parágrafo por argumento), e um parágrafo de conclusão com a proposta de intervenção completa. Isso economiza tempo e evita fugas do tema.
Dados que fazem diferença
Para a redação do enem 2013, ter dados concretos eleva o nível do texto. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é uma base legal importante, especialmente o artigo 17, que trata do direito à dignidade e ao respeito. A Lei 8.069/1990, que institui o ECA, e a Resolução 166/2014 do CONAR, que regula a publicidade infantil, são referências que muitos candidatos esquecem de citar. Usar esses marcos legais mostra que o estudante domina o tema e consegue aplicá-lo na prática. Também é útil mencionar dados. Segundo a ABIP (Associação Brasileira Interamericana de Publicidade), o público infantil influencia diretamente as decisões de compra das famílias brasileiras em até 70% dos casos. Esse dado, citado com fonte, fortalece o argumento e dá peso ao texto.
Limitações e alternativas
É preciso ser honesto: a estrutura da redação do Enem não é perfeita. Ela valoriza muito a norma culta e a proposta de intervenção padronizada, o que pode prejudicar candidatos com diferentes formações ou que têm mais facilidade com a oralidade do que com a escrita formal. Se você sente que esse formato não funciona para o seu perfil, existem alternativas. Praticar com temas de outros anos, como os de 2012 (cidadania e solidariedade) ou 2014 (efetivação da restrição de votação aos analfabetos), ajuda a desenvolver flexibilidade e a compreender melhor os critérios da banca. Outro ponto importante: a correção é subjetiva na medida em que depende do avaliador. Alguns podem ser mais rigorosos com a competência 1, outros com a 5. Por isso, o ideal é sempre revisar o texto, verificar a ortografia, garantir que cada parágrafo tenha uma função clara e assegurar que a proposta de intervenção contenha todos os cinco elementos exigidos.
Se quiser praticar com questões reais, o site do INEP disponibiliza os cadernos de prova dos anos anteriores, incluindo a do enem 2013, com os gabaritos e as notas de corte. É um material gratuito e extremamente útil para quem quer se preparar de forma séria e objetiva.