Redação Do Enem 2017 - Como Fazer a Redação do Enem 2017 ? ~ O Enem 2017
Como Fazer a Redação do Enem 2017 ? ~ O Enem 2017

Como functiona a redação do ENEM e o que realmente importa na hora da prova

A redação do ENEM segue um formato rígido que não muda muito de ano para ano, mas os detalhes de como ela é corrigida são o que separa uma nota média de uma nota alta. O tema de 2017, por exemplo, girava em torno das possibilidades e limitações da participação pública na esfera digital no Brasil. Muita gente travou nesse tema porque escreveu de forma genérica, sem se aprofundar na parte digital que era o cerne da proposta.

O que esperar da redação do enem 2017

O tema da redação do enem 2017 trouxe à tona uma discussão sobre como a internet e as plataformas digitais estavam (e ainda estão) transformando a forma como cidadãos brasileiros participam da vida política e social do país. A prova pedia uma dissertativo-argumentativa, ou seja, você precisava apresentar uma tese clara, sustentá-la com argumentos e, no final, propor uma solução detalhada para o problema discutido. O que a maioria dos candidatos não entende na hora é que o tema não pede apenas um texto bonito ou bem escrito. Ele exige que você demonstre domínio da norma culta, capacidade de articulação entre ideias, repertório sociocultural legitimado e, acima de tudo, uma proposta de intervenção completa com todos os seus elementos.

Na prática, isso significa que entrar no dia da prova achando que vai escrever sobre "participação digital" de qualquer jeito é receita para tirar notas baixas. A banca quer saber se você consegue conectar o problema às estruturas sociais brasileiras, usar dados ou referências que tenham sido validados academicamente, e finalizar com uma solução que tenha agente, ação, meio, efeito e detalhamento.

As cinco competências e como elas são avaliadas

Cada competência vale de 0 a 200 pontos, totalizando 1000. Entender cada uma delas evita que você perca pontos por detalhes que poderia ter contornado. Competência 1 — Domínio da norma culta: Aqui a banca avalia se você escreve dentro do padrão formal da língua portuguesa. Erros de concordância, regência, pontuação e ortografia são penalizados. Não precisa ser perfeito, mas erros recorrentes derrubam a nota rapidamente. Um detalhe importante: colocar uma expressão idiomática fora de contexto ou tentar usar vocabulário avançado sem domínio real dele é pior do que escrever de forma simples e correta.

Competência 2 — Compreensão do tema e estrutura dissertativo-argumentativa: Você precisa mostrar que entendeu o tema proposto e manter uma estrutura coerente com introdução, desenvolvimento e conclusão. Desviar do tema ou escrever uma narrativa disfarçada de dissertação é o erro mais comum e o que mais tira pontos. Na redação do enem 2017, por exemplo, quem escreveu sobre participação política de forma geral, sem conectar com o aspecto digital, perdeu pontos nessa competência por não demonstrar compreensão plena da proposta. Competência 3 — Argumentação e defesa de tese: Os argumentos precisam ser relevantes, bem articulados e sustentados. Citar dados, estatísticas, leis ou exemplos históricos é válido, desde que feitos com propriedade. Um erro frequente é amontoar informações sem conexão lógica entre elas. O texto precisa ter coesão real, não apenas conectivos jogados aqui e ali.

Competência 4 — Coesão textual: Isso vai além dos conectivos. A coesão envolve a relação entre as orações, os parágrafos, a progressão das ideias. Se o leitor precisa reler três vezes para entender o que você quis dizer, a coesão está ruins. Use pronomes, sinônimos, repetições leais e conectivos de forma natural, sem forçar a barra. Competência 5 — Proposta de intervenção: Esta é a competência que mais diferencia as notas. A proposta precisa ter cinco elementos obrigatórios: agente (quem vai executar), ação (o que será feito), meio ou modo (como será feito), efeito (para quê será feito) e detalhamento (um complemento que dê consistência). Esquecer qualquer um desses elementos custa pontos. No ENEM 2017, vi muitos candidatos proporem ações vagas como "o governo deve conscientizar a população" sem especificar como, por quais meios ou com que objetivo claro.

O problema que ninguém conta sobre o tempo de prova

O maior inimigo da redação do ENEM não é a dificuldade do tema. É a gestão do tempo. A prova de humanas dura 5 horas e 30 minutos, e você precisa fazer quatro questões de múltipla escolha, uma redação e ainda responder às questões discursivas. A maioria dos candidatos chega na redação já cansada e com pressa. Na prática, o ideal é gastar no máximo 60 minutos na redação inteira. Desses, 10 minutos são para o rascunho e planejamento. Eu costumo sugerir que o candidato anote na folha de rascunho a tese, os dois argumentos que vai desenvolver e os cinco elementos da proposta de intervenção antes de começar a escrever no modelo oficial. Isso evita que você fique em branco no meio do texto ou que a proposta de intervenção apareça de forma apressada no final.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Um problema específico que eu vi acontecer é o candidato escrever um desenvolvimento muito longo e, na pressa, fazer uma proposta de intervenção de duas linhas que não cumpre os requisitos. Na correção, isso significa perder muitos pontos na Competência 5. A solução é simples: reserve pelo menos 15 minutos exclusivamente para a conclusão e a proposta de intervenção, e verifique mentalmente se os cinco elementos estão presentes.

Erros que derrubam a nota e como evitá-los

O primeiro erro clássico é a introdução que apenas repete o tema sem apresentar uma tese. A introdução deve ter três partes: contextualização breve, apresentação do problema e tese clara. Se a tese não estiver explícita, a banca não tem como avaliar os argumentos que vêm depois. O segundo erro é o uso de repertório coringa — frases feitas como "conforme dita a Constituição Federal" ou "segundo Paulo Freire" soltos no texto sem conexão real com o argumento. Repertório precisa estar integrado ao raciocínio. Citou algo, explique por que aquilo se relaciona com o problema que você está discutindo.

O terceiro erro, especialmente comum em temas como o de 2017, é a generalização excessiva. Falar que "a internet mudou tudo" sem especificar quais aspectos da participação pública foram afetados, para quais grupos sociais, e em que contexto brasileiro, é escrever superficialmente. A banca valoriza análise contextualizada, não generalizações. Um fourth error que merece atenção é a proposta de intervenção que transfere a responsabilidade para agentes inexistentes ou impossíveis. Propôr que "a sociedade deve mudar" sem especificar como a sociedade pode agir, ou que "as redes sociais devem regular-se" sem indicar mecanismos concretos, mostra falta de capacidade de planejamento e execução — exatamente o que a competência 5 avalia.

Dicas práticas que fazem diferença

Primeiro, pratique escrevendo sob condições reais de tempo. Não adianta treinar com dois dias pela frente. Simule a prova completa, cronometrando cada etapa. Isso treina seu cérebro para pensar e escrever com rapidez sem perder a qualidade. Segundo, revise sempre seus textos antigos. Anotar os erros que você repele com frequência — concordância, pontuação, conectivos mal posicionados — ajuda a criar um checklist pessoal antes de entregar a prova.

Terceiro, leia artigos de opinião e editoriais de qualidade. Jornalistas que argumentam bem sobre temas atuais são um mineira de modelos de estrutura, coesão e uso de repertório. Preste atenção em como eles apresentam a tese, desenvolvem os argumentos e fecham com propostas ou reflexões. Quarto, treine a proposta de intervenção separadamente. Pegue temas variados e escreva apenas a introdução mais a proposta completa. Isso agiliza o processo no dia da prova, porque você já terá um repertório de ações, agentes e mecanismos que podem ser adaptados.

Limitações e o que a redação do ENEM não avalia

É importante ser honesto sobre o que o ENEM não busca. A redação não é um ensaio literário, não exige criatividade narrativa e não pune opiniões divergentes — desde que argumentadas com coherentee respeitosidade. O que a banca quer é capacidade de escrever dentro de um formato específico, com domínio linguístico e pensamento crítico estruturado. O sistema de correção por competências também tem suas limitações. Um texto com linguagem impecável mas com argumentos superficiais pode tirar mais pontos do que um texto com pequenos erros de forma mas com argumentação sólida e proposta de intervenção bem detalhada. Isso é contraintuitivo para muitos candidatos, que acreditam que a forma é mais importante que o conteúdo. A realidade é diferente.

Além disso, a correção é feita por dois correctores independentes. Se as notas forem até 120 pontos diferentes, um terceiro corrector entra em cena. Isso significa que uma primeira impressão ruim pode ser compensada por uma segunda leitura atenta, mas não é algo em que se deva contar. O ideal é entregar um texto consistente do início ao fim. Por fim, o tema em si pode favorecer ou desfavorecer candidatos dependendo de seu background. Alguém que lê muito sobre tecnologia e política digital terá vantagem natural em temas como o de 2017, enquanto outro candidato mais acostumado com temas sociais tradicionais pode encontrar mais dificuldade. Isso não é justo, mas é a realidade. O que você pode controlar é a capacidade de adaptar seu repertório e seus argumentos a qualquer tema, usando estratégias de escrita que funcionam independentemente do assunto.