Relato De Experiencia Como Fazer - Como fazer relato de experiência: passo a passo e exemplos
Como fazer relato de experiência: passo a passo e exemplos

Como escrever um relato de experiência que não pareça preenchimento de formulário

Relato de experiência é aquele texto onde você descreve o que fez, como fez, e o que deu certo ou errado numa situação prática. No meio acadêmico brasileiro ele aparece bastante em eventos da SBEnric, anais de congressos de engenharia, pedagógicos, de saúde. A exigência varia conforme o evento, mas a estrutura essencial se mantém: contexto, problema, procedimento, resultados, discussão e considerações finais.

relato de experiencia como fazer

A parte que as pessoas erram com mais frequência não é a metodologia — é a ligação entre o que foi feito e o que foi observado. O artigo que eu vi na última edição da SBEnric (área de tecnologia educacional) tinha 12 páginas descrevendo uma ferramenta digital com detalhamento técnico excelente, mas faltava explicar por que ela foi escolhida e o que mudou nos participantes. O reviewer mais comum nesses eventos é alguém que leu 40 artigos desse tipo e sabe identificar rapidamente quando o relato é só descrição sem análise. Para evitar isso, escreva primeiro o resultado antes de começar o desenvolvimento. Minha prática tem sido anotar os dados brutos, tabelas, prints, fotos das sessões, depoimentos, qualquer coisa objetiva que tenha sido gerada durante a experiência. Aí sim você monta o texto. Se você começar escrevendo o relato na ordem cronológica do que aconteceu, vai acabar gastando espaço com informações que não têm relevância analítica e deixando de fora o que importa.

Outro ponto que muita gente não considera: o formato ABNT é apenas a apresentação. A qualidade do relato depende de coisas muito mais práticas, como clareza na delimitação do escopo e honestidade sobre o que não funcionou. Relatos que tentam mostrar tudo que deu certo geralmente parecem propaganda institucional. Os que sobrevivem à revisão são aqueles que admitem abertamente as limitações — método não randomizado, amostra pequena, viés de seleção, fatores externos não controlados. Isso não enfraquece o artigo; pelo contrário, dá credibilidade para quem lê sabendo o que está avaliando. Vejo muitos autores perderem tempo tentando disfarçar problemas metodológicos. Um exemplo meu: fiz um relato de experiência com uma intervenção de letramento digital em turma de EJA. A ideia inicial era medir mudança de comportamento, mas os dados de observação mostraram que o principal efeito foi de natureza emocional — os participantes se sentiram mais confiantes para usar tecnologias do que qualquer indicador quantitativo capturava. Em vez de forçar um número que não existia, eu transformei essa limitação em parte da discussão, explicando o que a medição quantitativa não alcançava e usando fala dos participantes como evidência. O artigo foi aceito com observações razoáveis, não críticas duras.

Se você precisa de um template prático, aqui está a sequência que eu uso como referência: Introdução: contextualize o cenário, apresente o problema ou necessidade que motivou a experiência e delimite claramente o que o relato pretende contribuir. Uma ou duas frases objetivas bastam. Evite revisar a literatura toda — isso não é revisão sistemática.

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Metodologia: descreva o setting (onde, com quem, por quanto tempo), os procedimentos passo a passo, os instrumentos de coleta de dados e os critérios de análise. Se a experiência já tiver sido publicada antes, cite. A maioria dos editores não vê problema com isso, desde que fique claro o que há de novo no relato atual. Resultados: apresente os dados de forma organizada, com tabelas ou figuras quando fizer sentido. Não interprete ainda — apenas mostre o que ocorreu. Se algo deu errado durante a execução, mencione. Dados ausentes ou incompletos também são informação relevante.

Discussão: aqui é onde o artigo ganha vida. Confronte seus achados com a literatura, explique divergências, aponte padrões que surgiram e reconheça as limitações. É neste ponto que a maioria dos relatos fracassa porque o autor resume o que já escreveu nos resultados em vez de realmente discutir. Considerações finais: síntese breve do que a experiência revelou e quais implicações práticas ou pesquisas futuras ela sugere. Não repita a discussão inteira.

Quanto ao formato, a conferência define. Mas como regra geral, artigos de relato de experiência costumam aceitar entre 8 e 15 páginas, com fonte 12, espaçamento 1,5 e margens ABNT padrão. Some referências, tabelas e figuras na contagem. Se o evento pede um resumo estruturado, escreva-o por último — depois de ter o texto completo, fica mais fácil resumir o que realmente importou. Um detalhe técnico que pouca gente observa: o tempo de revisão em anais de eventos brasileiros varia muito. Em plataformas como o Educatium ou o Submissonline, o processo leva de 3 a 6 semanas em média. Eventos com revisão dupla-cega costumam ser mais lentos, mas também mais rigorosos. Se você tem prazo curto por causa de bolsa ou exigência institucional, busque eventos com revisão rápida ou aceite que o artigo possa não estar pronto para a data desejada. Não existeatalho nessa parte.

Se o seu relato envolve intervenção com seres humanos, verifique a necessidade de parecer do comitê de ética. Mesmo em relatos de experiência que não são pesquisa clínica, alguns eventos exigem declaração de aprovação ou isenção. Eu já vi artigo rejeitado nos primeiros minutos só por falta desse documento, independente do conteúdo. Verifique antes de submeter. O Download do template ABNT padrão para relato de experiência está disponível gratuitamente no site da ABNT pela internet, mas a maioria dos eventos disponibiliza seu próprio modelo no site oficial da conferência. Use o do evento — nunca o genérico, mesmo que pareça igual. Plágio de estrutura não é problema, mas inconsistência de formatação leva a devolução imediata em vários congressos.