Resumo Do Filme A Menina Que Roubava Livro - Resumo do livro A menina que roubava livros / Markus Zusak - YouTube
Resumo do livro A menina que roubava livros / Markus Zusak - YouTube

O filme que todo mundo recomenda e que, no final, é só um drama familiar de época com livros no meio

A Menina que Roubava Livros é a adaptação do best-seller de Markus Zusak, e ele funciona como uma história sobre uma menina chamada Liesel Meminger que vai morar com um casal de idosos em Molching, perto de Munique, no começo da Segunda Guerra. Ela não sabe ler quando chega lá. O padrasto, Hans, que era ex-músico de orquestra e agora fica pintando casas, ensina ela a ler devagar, usando o próprio dinheiro dele pra comprar o primeiro livro. A mãe dela, Rosl, tinha dito que seria mais fácil para Liesel crescer longe da guerra. Ninguém fala muito do que aconteceu antes, mas dá pra entender que ela foi entregue porque não dava mais pra sustentar. O que o filme faz direito é transformar a leitura em algo que parece quase ilegal pra menina. Quando Liesel começa a roubar livros, não é só rebeldia. É ela tentando entender um mundo que tá ficando cada vez mais perigoso e sem explicação. Ela pega uns do cemitério, outros da biblioteca do irmão do Hitler, aí depois começa a pegar emprestado dos outros e a devolver com notas de agradecimento escritas nas folhas de fora. Tem uma cena em que ela lê pra vizinhos refugiados num porão enquanto a sirene toca lá em cima e as bombas começam a cair, e isso é basicamente o momento em que o filme mostra pro espectador por que os livros importam.

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O Max Vandenburg aparece depois, escondido no porão da casa dos Hubermann. Ele é judeu, fugitivo, e fica ali meses escrevendo coisas num caderno pro Liesel chamar de "O Ladrao de Livros". A relação deles dois é o coração do filme. O Max desenha um homem de pijama branco com um lençol na cabeça pra representar a morte, e depois ele desenha a si mesmo com a cabeça vazia porque não quer mais pensar em nada. É pesado. O filme não poupa nada nisso, mas também não transforma isso em melodrama. Ele apenas mostra, e o resultado é bom. O humor tem momentos também, principalmente quando a Liesel consegue chamar atenção no clube de teatro estudantil lendo um texto sobre um homem que cai de uma escada enquanto a platéia inteira olha pra ela. Tem a cena em que ela lê o texto pros pais adotivos em casa e ninguém consegue parar de rir. É um respiro necessário porque senão o filme inteira seria insuportável, o que seria uma escolha errada pra uma história que já tem tanto peso pra carregar.

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O que funciona bem na adaptação é a voz da Morte. Não é aquele narrador tradicional. É uma presença que aparece nos cantos da câmera, que fala pros espectadores direto, que se chatea com as pessoas porque elas são irracionais. Ela diz coisas como "Eu odeio os olhos humanos" e "Eu quero apenas ser convidada", e isso dá um tom quase cômico pro filme sem diminuir o que tá acontecendo. A questão é que essa escolha narrativa pode confundir quem espera um drama linear. O filme pula entre o passado e o futuro de Liesel, então se você estiver assistindo pela primeira vez, preste atenção nos flashbacks porque eles explicam muita coisa. Em termos técnicos, o filme foi dirigido por Brian Percival e lançado em 2013, estrelado por Sophie Nélisse no papel principal. A produção ficou cara pra uma adaptação literária assim, então eles realmente construíram sets e usaram efeitos práticos sempre que possível. A trilha sonora do Alberto Iglesias funciona bem, mas tem momentos em que ela domina demais a cena e empurra a emoção que o filme deveria deixar o espectador chegar sozinho. Às vezes eu vejo isso como um problema de direção, onde o filme não confia no material suficiente pra não precisar de ajuda musical.

Um detalhe que muita gente ignora: o filme omite alguns trechos importantes do livro, como o papel mais ativo da Rosa del Mundo na resistência e cenas que mostram melhor a vida dos Hubermann antes da guerra. Isso não estraga a história, mas quem quiser a versão completa deve ler o livro. A adaptação condensa tudo de forma que funciona como filme, mas perde camadas que dão profundidade extra aos personagens secundários. O final mostra Liesel crescida, sobrevivendo à guerra, e a voz da Morte retorna pra fechar. É triste mas não é um final triste no sentido de desespero. A Morte finalmente permite que Liesel veja Hans e Max novamente num campo de concentração imaginário, o que é o tipo de licença poética que o filme precisa pra fechar o arco dela sem ser ingênuo. Se você tem paciência pra um filme de três horas, o ritmo é aceitável. Alguns podem achar lento nos primeiros vinte minutos, mas isso muda rápido depois que a Liesel entra na escola e começa a encontrar os personagens principais. Não recomendo se você espera ação ou reviravoltas dramáticas. O filme é sobre pessoas normais tentando sobreviver com o que têm.