O filme e o que ele realmente entrega
Achei que fosse mais um drama familiar genérico brasileiro, mas o que o diretor Luiz Bolognesi faz com "Sempre ao Seu Lado" (2018) vale a pena acompanhar. O filme acompanha uma família da classe média que vê suas rotinas desmoronarem quando o filho se envolve com o crime organizado em uma favela do Rio de Janeiro. O elenco principal leva Selton Mello no papel do pai, além de Fernanda Montenegro e Cauã Reys, o que já é um indicativo de peso.
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Entendendo o resumo do filme sempre ao seu lado
O resumo do filme sempre ao seu lado seria simples demais se eu fosse apenas contar a trama em duas linhas. A história gira em torno de uma sequestro que é mais complexo do que parece no início. O que começa como um crime comum vai se transformando num estudo sobre como a violência no Brasil atravessa fronteiras de classe social e como as pessoas tentam negociar moralidade quando estão desesperadas. O filho do casal, interpretado por Cauã Reys, acaba sendo usado como moeda de troca, mas a situação se complica rapidamente quando as motivações reais dos envolvidos ficam claras. O filme tem um problema estrutural interessante. Ele não escolhe um lado claramente e isso te deixa desconfortável durante toda a exibição. Você acaba torcendo por personagens diferentes em momentos diferentes, o que é intencional. O roteiro de Luiz Bolognesi e Marcelo Muller faz isso de forma competente, sem precisar de reviravoltas óbvias ou finais de livro. A tensão cresce de forma orgânica, personagem por personagem, e não depende de efeitos sonoros dramáticos ou cenas de ação exageradas.
O ponto fraco que eu gostaria de destacar é o ritmo. Nas duas primeiras horas, o filme parece arrastar em certos momentos, especialmente nas cenas de diálogo entre membros da família. Achei que algumas sequências poderiam ter sido cortadas sem prejuízo para a narrativa geral. Mas quando o terceiro ato começa a se desenvolver, tudo que estava plantado anteriormente faz sentido e a coisa se apura de forma satisfatória. É aquele tipo de filme que exige paciência no começo para recompensar no final. Selton Mello entrega uma atuação contida, quase silenciosa, que funciona bem porque o personagem carrega uma culpa que nunca é explicitamente declarada. Ele não precisa gritar para você entender o que está sentindo. Já Fernanda Montenegro, mesmo com cenas mais breves, consegue ocupar cada segundo na tela. É impressionante como ela transforma gestos mínimos em carregamento emocional. O filme não é perfeito, mas é honesto sobre a realidade brasileira que retrata, sem glamourizar nada e sem cair no óbvio.