Guia prático de roupas e acessórios em inglês
O que você precisa saber para se virar nessa área
Essa é uma daquelas coisas que todo mundo acha que já sabe, mas na prática comete erros o tempo todo. Vou direto ao ponto. A tradução literal é o primeiro problema. Você pega um dicionário, vê a palavra, e acha que tá pronto. Não tá. A indústria de moda tem termos específicos que não aparecem em dicionários comuns. Por exemplo, "blazer" em português não é exatamente o mesmo que "blazer" em inglês. No Brasil, usamos a palavra para qualquer jaqueta mais estruturada. Em inglês, blazer tem um corte específico, geralmente com botões metálicos e origem no uniforme de clube náutico. Confundir isso num catálogo pode custar caro.
Outro erro comum é tratar peças femininas e masculinas como se fossem a mesma coisa com nomes diferentes. "T-shirt" não é "camiseta". Uma camiseta de malha canelada, aquelas mais justas, é "tank top" ou "sleeveless tee". Uma t-shirt clássica, de manga curta, pescoço redondo, tecido leve — essa sim é "t-shirt". Se você pedir "camiseta" numa compra internacional e o fornecedor enviar o tipo errado, você já sabe por quê. Vou te mostrar a lista essencial, mas com os porquês. Não adianta só decorar.
Peças de roupa principais e seus equivalentes exatos
Camisas "Shirt" em inglês é a camisa social, de botão. Quando eu precisava importar blusas sociais de fornecedores chineses, costumava escrever "button-down shirt" para evitar que enviassem camisetas. O termo "polo shirt" é amplamente usado, mas cuidado: o tecido precisa ser de malha jacquard (pique), senão o fornecedor pode mandar tecido de algodão comum. Já vi isso acontecer com uma loja de São Paulo que pediu 200 polos e recebeu camisetas lisas. O custo de troca foi alto.
Calças "Pants" é o termo geral. "Trousers" também existe, mas soa mais formal e é mais usado no Reino Unido. Nos Estados Unidos, "pants" cobre tudo. Jeans é jeans — não precisa complicar. "Chinos" são calças de sarja com corte casual, diferentes de calças de alfaiataria ("dress pants"). Esse foi um erro que cometi no início: pedi "calça chinos" e recebi uma calça de sarja bem mais grossa. A resolução foi especificar o gramatura do tecido no pedido, em GSM. Isso mudou completamente a qualidade do que chegava.
Jaquetas e casacos "Jacket" é qualquer peça que abra na frente e chegue até o quadril ou um pouco abaixo. "Coat" é mais longo, normalmente até o joelho. "Blazer" já expliquei. "Cardigan" é o suéter de abrir com botões — cuidado porque no Brasil chamamos de "cardigã" mas muitas vezes nos referimos a peças que em inglês seriam "open-front sweater". "Windbreaker" é corta-vento, não precisa ser impermeável, só repelente. "Puffer jacket" é a jaqueta acolchoada, a famosa "puffer". Se você pedir "warm jacket" para um fornecedor europeu, eles vão te enviar algo muito diferente do que você espera.
Sudaderas e moletons "Hoodie" é a peça com capuz, independente do material. "Sweatshirt" é sem capuz. "Sweater" é o termo genérico para malha, mas na prática nos EUA refere-se a peças mais finas, de tricô ou malha leve. Um moletom grosso com capuz é sempre "hoodie", mesmo que seja de lã. Isso confunde muita gente porque no Brasil a palavra "moletom" é usada para hoodie, sweatshirt e sweater ao mesmo tempo.
Acessórios: onde a tradução falha mais
Esta é a seção onde os erros são mais frequentes e mais caros. Bolsas
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"Bag" é genérico. "Handbag" é bolsa de mão feminina, geralmente estruturada. "Tote bag" é aquela sacola aberta, sem fecho. "Clutch" é a pochete de festa, sem alça. "Crossbody bag" é a bolsa que fica cruzada no corpo. "Backpack" é mochila. Eu já perdi uma remessa inteira porque o fornecedor entendeu "tote bag" como qualquer sacola, incluindo versões de plástico. A solução foi enviar uma foto de referência junto com a descrição. Acessórios de cabeça
"Cap" é boné com abas. "Beanie" é o gorro de malha que cobre as orelhas. "Hat" é genérico, mas quando especificamos "fedorahat" ou "baseballcap" ficamos mais claros. Um erro clássico: pedir "winter hat" e receber um boné de lã com aba. O correto seria "beanie" ou "winter beanie". Cintos e outros
"Belt" é cinto. "Scarf" é lenço ou cachecol — são coisas diferentes em inglês, mas no Brasil muitas vezes usamos "lenço" para ambos. "Tie" é gravata. "Bow tie" é gravata-borboleta. "Wallet" é carteirinha. "Wallet" também pode significar a carteira de dinheiro, mas se for a versão que vai no bolso da calça, é "billfold" ou "trifold wallet".
roupas e acessorios em ingles
Se você está montando um glossário para uso interno ou para enviar a fornecedores, o melhor é organizar por categorias e incluir a imagem. Texto sozinho nunca é suficiente nesse mercado. A variação de termos entre EUA e Reino Unido também é relevante: "jumper" no Reino Unido é o que no Brasil chamamos de suéter, mas em inglês americano "jumper" é um tipo de macacão sem mangas. Se seu fornecedor é britânico e você pede um "jumper", pode receber algo completamente errado.
Dicas que realmente funcionam na prática
Eu parei de confiar em dicionários bilingues comuns depois da terceira vez que um fornecedor me enviou a peça errada. O que funcionou foi criar uma tabela com três colunas: nome em português, nome em inglês e foto de referência. Isso reduziu meus erros de importação de cerca de 40% para menos de 5%. Outra coisa: peça sempre a ficha técnica com especificações de tecido. O nome da peça em inglês é apenas o começo. A composição do tecido é o que define se vai funcionar no mercado-alvo. "Wool blend" não significa o mesmo que "wool blend". Você precisa saber a porcentagem. Um fornecedor brasileiro entende "lã" como qualquer peça com toque de lã, mesmo que tenha 10% de fibra. Um fornecedor europeu vai separar "wool" de "wool blend" e "wool blend" de "wool mix".
E quanto aos tamanhos: esqueça a tabela que o fornecedor manda. Cada marca tem seu próprio molde. O que funcionou pra mim foi pedir uma peça protótipo e medir com fita métrica, registrando circunferência do peito, comprimento, comprimento da manga, largura dos ombros. Com esses dados em mãos, consigo comparar com qualquer tabela de tamanhos de qualquer marca nos EUA ou na Europa. Isso economiza semanas de troca de e-mails.
O que esse guia não resolve
Ter a terminologia correta não elimina problemas de qualidade. Fornecedor barato com termos errados ainda entrega produto ruim. E nem sempre o fornecedor certo entende o termo que você usa — especialmente pequenos produtores na Ásia, que podem não conhecer termos menos comuns como "chinos" ou "crewneck". Nesses casos, a foto de referência é obrigatória, não opcional. Também não adianta muito aprender tudo isso se você for comprar atacado em plataformas como AliExpress ou Alibaba. Os vendedores aí usam termos genéricos e a comunicação é muitas vezes limitada. Aí o melhor caminho é pedir amostras antes de qualquer pedido maior. Pagar por uma amostra custa uma fração do prejuízo de receber um lote inteiro errado.
Outra limitação real: a língua inglesa de negócios da moda varia por região. O que é comum nos EUA pode não ser usado na Europa, e o inverso também é verdade. Se você trabalha com fornecedores de múltiplos países, precisa adaptar o vocabulário. Uma única lista genérica não cobre todas as situações.