O que todo mundo erra na hora de colocar sanca de gesso
A sanca de gesso é basicamente uma moldura decorativa que serve para esconder a junção entre parede e teto, mas o problema é que a maioria das pessoas contrata o primeiro pedreiro que aparece e acha que vai resolver. Eu já vi sanca trincando em menos de dois meses porque o cara não preparou o fundo direito. A coisa mais importante não é o gesso em si, é o que acontece antes dele tocar na parede. Eu tive um cliente aqui em São Paulo que mandou refazer uma sanca na sala depois de seis meses. A estrutura de gesso estava descascando nos cantos. O problema era simples: o entulho da obra tinha ficado grudado na parede, o pedreiro passou massa corrida por cima sem limpar e colou a sanca na sujeira. Quando a massa corrigiu a dilatação, a sanca foi embora junto. A solução foi quebrar tudo, lixar a parede até mostrar o reboco verdadeiro e usar um primer de fixação antes de colar de novo. Levei um dia inteiro só na preparação. O resto, duas horas.
sanca de gesso em sala: o passo a passo real
Comece medindo o perimetro da sala com uma trena a laser. Anote cada trecho no papel antes de cortar qualquer coisa. Se você tiver nichos ou pilares, mede cada segmento separadamente. Esquece a ideia de "gesso sobra", isso é mito. O gesso racha quando você força a peça para caber. Depois da medição, marca-se o nível no teto usando um nível a laser ou de mangueira. O nível precisa ser contínuo em toda a sala. Se o teto estiver desnivelado, o gesso vai acompanhar o desvio e vai ficar aquela faixa irregular feia entre a sanca e a parede. Aí tem duas opções: ajustar o nível com massa corrida no teto antes (custa tempo) ou fazer a sanca mais larga na parte grossa e mais fina na parte magra. Eu prefiro a segunda. Fica mais bonito e rápido.
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A cola de gesso é específica. Não usa cimento colante, não usa massa corrida como cola. O produto certo é a cola para gesso, vendida em saco de 25 kg. Mistura com água na proporção que a embalagem manda e aplica na peça e na parede com desempenadeira dentada. Deixa escorrer um pouco, espera três minutos e aperta contra a parede. Segura com uma tábua de apoio por uns dez minutos enquanto pega o rebote inicial. As juntas entre os pedaços de sanca precisam receber gesso de acabamento, não massa corrida. Eu aprendi isso na marra. O gesso de acabamento entra nas frestas, alisa com a espátula e depois de seco lixa levemente com lixa 120. Pinta com tinta Acrílica ou PVA na cor que quiser. A sanca fica pronta.
Se a sala tiver iluminação embutida, o serviço muda. A sanca vira caixilho de refletores. Aí você precisa deixar espaço interno para os refletores e passar fio elétrico antes de fechar. Usa chapisco para fixar a estrutura metálica dos refletores dentro da sanca. Se não fizer isso depois, vai ter que furar a sanca já pintada e vai mostrar marca. Um detalhe que ninguém conta: a sanca de gesso não aguenta impacto. Um vaso caindo, uma escada batendo, qualquer coisa e rachou. Se a sala tem criança pequena ou animal de estimação, considera sanca de poliuretano. É mais barata, mais leve, não trinca e cola igual. A diferença visual é praticamente nula depois de pintada. Só não aguenta pregos para pendurar quadros, mas para isso existe o parafuso de expansão na parede mesmo.
O tempo total de uma sanca em sala de 4 por 5 metros, com quatro lados retos, é de uns quatro horas para dois profissionais. Com desnível de teto e cantos internos a tratar, sobe para seis. Não aceite orçamentos que prometem fazer no mesmo dia se o serviço incluir nivelamento. É golpe.