Sentido Literal E Figurado Exemplos - Sentido literal e figurado: o que são, exemplos - Brasil Escola
Sentido literal e figurado: o que são, exemplos - Brasil Escola

O que é sentido literal e sentido figurado

Essa é uma questão que aparece todo ano nas provas de concurso e nas séries finais do ensino fundamental. A diferença básica é simples: sentido literal é o significado real, direto das palavras. Sentido figurado é quando o enunciado ganha outra camada de interpretação por causa de metáforas, ironias ou expressões idiomáticas. O problema é que, na prática, muita gente confunde os dois e erra questões mais complexas. Não é só saber a definição. É reconhecer quando uma expressão foge do óbvio.

Exemplos de sentido literal e figurado

Vamos ao que importa. Aqui estão os casos mais frequentes: Sentido literal: "O cão latiu para o estranho." O animal fez o som característico dele. Sem ambiguidade.

Sentido figurado: "Ele tem um coração de pedra." Claramente não se trata de um órgão visceral literalmente mineralizado. Significa que a pessoa é insensível. Outro exemplo comum: "Estou morrendo de fome." Ninguém está efetivamente passando pelo processo biológico de óbito. É uma hiperbole para indicar fome intensa.

E quando algo como "pegar um susto" aparece em interpretação de texto, muitas bancas consideram figurado. Sustar não significa morrer, significa levar um choque emocional.

Como identificar na prática

Eu trabalhava com correção de redações e textos de alunos, e percebia um padrão recorrente. As pessoas leem o texto corrido e assumem que tudo está no sentido literal até o professor apontar. O método que funcionou foi o seguinte: ler a frase completa, identificar o sujeito e o predicado, e então perguntar se aquilo faz sentido no mundo real. Se não faz, provavelmente é figurado. Funciona na maioria dos casos, mas não é infalível. Há exceções que quebrem essa lógica.

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Um caso que eu vi dar errado

Em uma prova de vestibular, caiu uma questão com a frase: "O tempo voou durante a reunião." A banca considerou sentido figurado. Um candidato argumentou que estava no sentido literal porque o tempo, sendo uma dimensão física, poderia teoricamente se deslocar. A resposta correta era figurado, obviamente. O raciocínio do candidato era logicamente válido, mas desconhecia o uso consolidado da expressão em português. Isso mostra que nem sempre a lógica pura resolve. O contexto e a convenção linguística pesam mais. Minha solução foi ensinar os alunos a cruzarem a frase com o gênero textual. Em texto dissertativo-argumentativo, expressões como "o tempo voou" são amplamente figuradas. Em um texto poético, a linha pode ficar mais tênue. Aí a interpretação depende da intenção do autor.

Pegadinhas comuns

Expressões idiomáticas são o terreno mais traiçoeiro. "Chover canivete" não tem relação com meteorologia ou objetos cortantes. Significa chover muito. Mas se aparecer em um texto jornalístico sobre um evento climático real, a banca pode considerar literal dependendo do contexto. Ironia é outro campo delicado. "Que lindo, você se sujou toda!" pode ser sentido literal se a pessoa realmente estiver diante de algo bonito e sujo. Mas quase sempre é ironia. O segredo está na entonação quando oral, ou nos indicadores textuais quando escrito.

Metonímia também cai muito. "Li Machado de Assis" não significa que você leu o autor fisicamente. Significa que leu as obras dele. Isso é sentido figurado por metonímia de autor por obra.

Limitações desse tipo de questão

Não existe um algoritmo perfeito para distinguir literal do figurado. A ambiguidade é inerente à linguagem. Em textos literários contemporâneos, autores frequentemente brincam com essa fronteira propositalmente. Brincadeiras com duplo sentido, jogo de palavras e neologismos tornam a classificação binária insuficiente. Para concursos e vestibulares, o mais seguro é seguir o padrão convenido pela banca. Cada uma tem suas preferências. Cespe tende a ser mais rigoroso com o contexto. FGV adora confundir com ironia. Vunesp costuma ser mais literal nas interpretações. Conhecer o perfil da banca vale mais do que decorar regras gerais.

Se você precisa de uma alternativa mais rápida para se preparar, fazer exercícios comentados com o gabarito explicado é o caminho. Ler apenas a teoria raramente consolida. A prática com questões reais é o que realmente funciona, especialmente quando se trata de nuances que diferenciam uma banca da outra.