Sujeito Verbo E Complemento - #12 Reescrita Com Pontuação - : Sujeito + Verbo + Complemento | PDF ...
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Entendendo a estrutura básica da oração

A maior parte das pessoas que estuda português começa pelo sujeito, depois o verbo e por fim o complemento. Essa é a ordem lógica para aprender, mas na prática a coisa não funciona tão linearamente assim. Eu já vi muita gente travada porque tentava identificar o sujeito separadamente do verbo, como se fossem blocos independentes. O sujeito é quem pratica ou recebe a ação. O verbo é a ação em si, o núcleo do predicado. O complemento completa o sentido do verbo. Parece simples até você se deparar com uma frase como "Os alunos do curso introdutório de lingüística avançada não entenderam o porquê da confusão toda sobre o sujeito oculto."

Aí começa o problema real.

Como identificar sujeito verbo e complemento na prática

Vou mostrar primeiro um método que funcionou pra mim antes de explicar a teoria. Quando eu via uma frase longa e complicada, eu simplesmente sublinhava o verbo primeiro. Esse era o ponto de partida mais seguro. Depois eu perguntava: quem é que fez isso? A resposta, geralmente, era o sujeito. O que sobrava eram os complementos. Pegando o exemplo anterior: "não entenderam" é o verbo. Quem não entendeu? "Os alunos do curso introdutório de lingüística avançada" — esse é o sujeito. "O porquê da confusão toda sobre o sujeito oculto" é o objeto direto, um tipo de complemento.

O erro mais comum que eu vejo é as pessoas confundirem o sujeito com o adjunto adverbial. Frases como "Ontem, os alunos foram ao banheiro" fazem todo mundo pensar que "ontem" faz parte do sujeito. Não faz. "Ontem" é apenas uma indicação de tempo. O sujeito é "os alunos". A frase poderia ser reescrita como "Os alunos foram ao banheiro ontem" e o sujeito continuaria sendo o mesmo. Outro problema que eu encontrei na prática diz respeito ao sujeito paciente versus sujeito agente. Em "O relatório foi entregue pela diretora", o sujeito é "o relatório" e ele é paciente — recebeu a ação. Isso confunde muita gente porque o verbo está na voz passiva. O sujeito agente seria "a diretora", que aparece introduzida por "pela".

Pegadinhas que ninguém conta nos livros didáticos

Tem um caso específico que me atrapalhou bastante quando eu estava estudando para uma prova de concurso. A frase era: "Acredita-se que os resultados serão divulgados amanhã." Todo mundo acha que "se" é partícula apassivadora aí. Não é. É índice de indeterminação do sujeito. Ou seja, não tem sujeito identificado. O verbo "acredita" está na terceira pessoa do singular porque o sujeito é indeterminado, não porque está na passiva. Se você trocasse para "Acredita-se os resultados", a frase estaria errada. Na voz passiva analítica, o "se" não existe. Seria "Os resultados são acreditados". Mas isso não faz sentido semântico. Então a regra prática é: se o verbo está no singular e não dá pra identificar quem pratica a ação, provavelmente é sujeito indeterminado com "se".

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Outra pegadinha clássica é o verbo haver no sentido de existência. "Havia muitos problemas pendentes." O sujeito aqui é "muitos problemas pendentes" e o verbo "havia" é impessoal. Não existe sujeito quando usamos "haver" nesse sentido. Isso significa que o verbo sempre fica na terceira pessoa do singular, independente do que vem depois. Eu vi gente errando isso até em editais de concursos públicos. O examinador cobra a concordância e a maioria das bancas considera errado "haviam muitos problemas". Tá errado sim. Havia, no sentido de existir, não pluraliza.

O que acontece quando a ordem direta é invertida

Em português, a ordem canônica é sujeito-verbo-complemento. Mas a língua permite inversões frequentes. Quando isso acontece, a identificação dos termos fica mais difícil, principalmente para quem tá aprendendo. Considere: "Ao campeonato foram convidados todos os jogadores." A ordem direta seria "Todos os jogadores foram convidados ao campeonato." O sujeito ainda é "todos os jogadores", mesmo aparecendo depois do verbo. O truco aqui é perguntar: quem foi convidado? A resposta é o sujeito, não importa a posição na frase.

Em textos formais e acadêmicos, essas inversões são muito comuns. Redatores amadores costumam ficar confusos e acabam fazendo concordâncias erradas por não conseguirem identificar o sujeito rápido o suficiente. O conselho prático é sempre reescrever a frase na ordem direta para fazer a análise sintática, depois voltar à versão original com a análise já feita.

Falhas e limitações desse método

O método que descrevi funciona bem para a maioria das frases, mas tem casos em que ele quebra. Frases com orações subordinadas substantivas, por exemplo, podem gerar ambiguidade na hora de separar sujeito de complemento. "O que ele disse surpreendeu a todos" — aqui "o que ele disse" é o sujeito da oração principal, mas dentro dele temos uma oração subordinada com seu próprio sujeito ("ele") e verbo ("disse"). Para esses casos mais complexos, o melhor é analisar cada oração separadamente. Comece pela principal, depois desça às subordinadas. Tente fazer isso de forma isolada e depois reconecte as peças.

Outra situação onde o método falha é com verbs transitivos indiretos. "Preciso de sua ajuda." O sujeito é "eu" (oculto) e "de sua ajuda" é o complemento nominal, mas como vem com preposição, muita gente confunde com objeto indireto. Tecnicamente, é complemento nominal porque vem de um adjunto adverbial ou nome, não do verbo diretamente. A diferença é sutil e muitas vezes irrelevante na prática, mas pode cair numa prova. Se você tá começando agora e quer algo mais confiável do que meu método caseiro, recomendo o livro "Gramática Metódica da Língua Portuguesa" da Celso Cunha. É denso e meio árido, mas é a referência mais sólida que existe em português brasileiro. A versão online doMAR é boa também, especialmente para consultas rápidas.